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Igreja de Nossa Senhora do Rosário da Campina dos Homens Pretos

IMG 0364 (Copy)Sacrifico e devoção de negros escravos marcaram construção da belíssima igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos. A partir de projeto do arquiteto italiano Antônio Jose Landi, eles levantaram a obra e deixaram sua marca de fé e esperança na história de Belém.

Comandada, historicamente, pela Irmandade de Nª Senhora do Rosário, formada principalmente por negros, a igreja passou por revezes diversos, quase todos, porém, trazendo como pano de fundo a fé. Tornou-se ainda, parte fundamental na historia da Cabanagem, revolução popular que eclodiu em 1835, e que culminou com a morte de seu líder, Antônio Vinagre, em Belém, sepultado na igreja, tendo posteriormente seus restos trasladados para o Monumento à Cabanagem, erguido no Entroncamento.

A historia da Igreja do Rosário começa no século XVIII, quando Belém foi dividida em duas freguesias: a da Sé e a de Sant’Ana. A primeira era a mais antiga e abrangia o bairro da Cidade Velha, onde os portugueses lançaram os fundamentos da capitania; a segunda, criada em 1721, compreendia o chamado bairro da Campina, cuja divisa era a travessa de São Mateus, sendo a matriz a igreja de Nossa Senhora Rosário dos Homens Pretos.

Muito antes da divisão eclesiástica, porém, já existia no mesmo local em que hoje está o histórico templo do Rosário, uma ermida dedicada à milagrosa Virgem da devoção escrava e homens de cor.

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Por uma Carta de Sentença Civil de Compromisso da Irmandade – é uma das peças manuscritas fundamentais do arquivo da igreja da Campina -, remetida do reino para as providencias regulares por dom João, rei de Portugal, no ano de 1720, sabemos que em 1682 foi lavrado o primeiro Compromisso da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário. Vem dessa época a construção da primitiva ermida, construída em 1682 e demolida em 1725, devido ao seu precário estado, e reconstruída nesse mesmo ano, com idênticas dimensões e no mesmo lugar da primeira.

Segundo registros do historiador Antônio Baena, a estreiteza da ermida não deixava bem acomodada a irmandade, que por isso buscou angariar recursos para a construção de um templo mais confortável e que melhor comportasse os fieis.

Os negros não mediram sacrifícios para levar adiante a ideia. E de tal modo trabalharam que despertaram a simpatia geral. O governador Manoel Bernardo de Melo e Castro, capitão general do Estado do Grão Pará, Maranhão e Rio Negro, passou a contribuir com 50.000 réis mensais para as obras. O arquiteto Antônio José Landi desenhou a igreja, doou dinheiro para a compra de material de construção e ajudou a levantá-la.

Do Compromisso da Irmandade constam determinações interessantes, como a que obrigava os irmãos a darem de esmola à Virgem Santíssima, anualmente, 1.600 réis.

Os componentes da “mesa da irmandade” tinham denominações de rei, rainha, príncipe, juiz, mordomos, escrivão, tesoureiro, procurador em zelador, que, em caso de impedimento de um ou de outro, se substituíam por ordem hierárquica “a fim de que não houvesse injustiça”, assinalam os registros do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Na véspera e no dia da festividade de Nossa Senhora do Rosário, o rei e a rainha assistiam as solenidades religiosas em lugares especiais.

Ao entrarem na igreja, os soberanos, acompanhados de todos os membros da irmandade, seguiam sem coroa. Regressavam, porém, coroados, e assim percorriam a cidade, angariando esmolas para a festa. Era um acontecimento que levava o povo às ruas. Ninguém deixava de contribuir. A grande coleta garantia o sucesso da festividade.

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O rei e a rainha doava 10.000 réis, cada um, não podendo o dinheiro ser retirado das esmolas. Os membros da irmandade eram muitos exigentes. Determinavam que somente os pretos dirigissem a igreja e a confraria. Mas havia uma exceção, constante do capítulo 11º do Compromisso: quando não houvesse irmão preto capaz de servir para o cargo de escrivão, podia ser eleito um branco, desde que fosse “dotado de piedade, zelo, inteireza, fidelidade, de um gênio dócil e criativo, para que os irmãos desta irmandade a ele obrigados lhe confiem a guarda de todos os documentos”.

Quando falecia um irmão, o “andador” era obrigado a dar aviso aos demais, para que em comunidade, “vestidos com as sua opas (espécie de capas) e velas nas mãos, debaixo da cruz da confraria, acompanhem até a sepultura os restos do falecido”.

No ano de 1820, quando foi feita a alteração do regimento do Compromisso, era rei da festa o negro Pedro de Figueiredo e escrivão da mesa o branco Joaquim Ramos de Carvalho. Com a demolição da segunda ermida, teve começo o levantamento do atual templo, de acordo com a planta desenhada por Landi. Foi demorada e cara a construção.

O naturalista Henry Bates, durante a sua estada em Belém, em 1848, testemunhou o esforço dos negros na edificação da igreja. Bates contou que “encontrava frequentemente uma fila de negros, caminhando pelas ruas, cantando em coro. Cada qual levava na cabeça certa quantidade de matérias de construção: pedras, tijolos, argamassa, tábuas. Vi que eram principalmente escravos que, depois de um dia pesado de trabalho, contribuíam um pouco para a construção de sua igreja”.

Houve um período na historia da igreja marcado por desavenças entre as irmandades de Nª Sª do Rosário e do Glorioso São Benedito. Os negros da irmandade de São Benedito exigiam reconhecimento por terem trabalhado na construção do templo.

O conflito entre as duas confrarias levou à divisão da igreja. As irmandades tomaram conta das partes do templo a que se julgavam com direito, ficando de um lado a Irmandade do Rosário, e do outro a de São Benedito, que era tida como hóspede e não como proprietária da igreja. Em 21 de abril de 1901 foi feito um apelo ao cônego Hermenegildo Perdigão, vigário da Paroquia da Santíssima Trindade, para decidir o caso.

Segundo o historiador Antônio Baena, na segunda ermida do rosário, demolida em 1725, as confrarias em conflito estavam juntas e convivendo em harmonia.

Na igreja do Rosário ainda são encontrados restos da influencia colonial. São relíquias seculares as urupêmas ( espécies de peneiras) das janelas, que eram raras no Pará e demonstram a influencia árabe nos costumes portugueses, além de lageotas de barro vermelho que formam o piso dos corredores laterais, uma reminiscência do tempo das ermidas, e os altares talhados por mãos hábeis. Infelizmente, o pavimento primitivo da nave foi substituído por mosaicos modernos.

Na invasão de Belém pelos cabanos, foi morto em combate e sepultado na Igreja do Rosário o chefe rebelde Antônio Vinagre. E na ala da Irmandade de São Benedito está aposta a lápide indicativa da inumação dos restos mortais de benemérito da confraria, o tenente-coronel João de Deus e Silva. Apesar de proibidos os enterramentos nas igrejas desde o ano de 1850, a Irmandade de São Sebastião conseguiu, em 3 de agosto de 1889, um alvará do juiz de direito da Provedoria, Resíduos e Capelas do termo da capital, João Policarpo dos Santos, autorizando o recolhimento no templo do cadáver do confreiro.

Vale a pena conhecer mais atentamente a Igreja do Rosário da Campina, integrante de nossa paróquia da Trindade.

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