É impossível não voltar ao assunto recorrente sobre intolerância racial, homofobia e radicalismo após o atentado que vitimou cerca de 50 pessoas em Orlando na Flórida (EUA).

São temas que, pelo enfoque dos Direitos Humanos, são considerados atuais, mas, são situações que foram secularmente encobertos pelo estigma daquilo que era fora dos padrões considerados normais, legais, éticos ou religiosos.

Infelizmente, algumas famílias ainda reúnem resquícios de intolerância racial, suprimindo-lhes a condição humana quando julgam e os tratam como alguém inferior por ser de raça ou cor diferente da sua. Muitas pessoas ainda tratam indígenas, ou os caboclos interioranos ou até pessoas de outros povos sul-americanos como indigentes e, as questões relacionadas com pessoas pretas, alcançam ainda maior ênfase pela histórica condição escravagista no Brasil Colônia.

Já algumas famílias que provavelmente se chocaram com o que aconteceu na Boate Pulse em Orlando (EUA), podem ser capazes de atos tão ou mais homofóbicos do que aquela carnificina, e o fazem clara ou subliminarmente dentro de sua própria casa ou em seu núcleo social. Matam sem arma de fogo, apedrejam, excluem, demonstram escárnio, não querem conviver, alijam de suas vidas, pois, os consideram seres imorais ou abjetos. Será que acham que pessoas como aquele assassino ou aqueles 33 másculos heterossexuais estupradores possuem mais dignidade e merecem mais respeito?

O radicalismo nos parece ser exercido tão longe das casas das famílias que convivem entre nós, “só que não”, porque muitos acham que isso só existe entre aqueles extremistas religiosos que são capazes de se explodir por uma causa, demonstrando pouco ou nenhum valor à vida humana, começando pela sua.

O Papa Francisco bem nos conclama à irmandade, ao respeito recíproco, à tolerância, à harmonia, ao amor, enfim. Nos mostra Jesus tão cheio de misericórdia para com todos igualmente. Afinal, na hierarquia dos pecados, aquele que está no ponto mais alto é o desamor, é através dele que tudo conspira para o mal.

Precisamos convalidar as diferenças, olhar com amor o coração das pessoas, fazer delas, independentemente de suas particularidades às quais não podem mudar, um ser humano tal qual nos consideramos e desfrutar da liberdade de amar, de espalhar amor e não dor!