Vox Dei nº 415 de 04 de setembro de 2016

O fogo sempre exerceu verdadeiro fascínio sobre o homem. No fogo cozinhamos, ele é capaz de nos aquecer, sinalizar, fundir metais, moldar vidros, cristais e ainda ilumina caminhos tortuosos e obscuros para que não tropecemos.

Desde o início da humanidade, o fogo era símbolo de poder. Quem o mantinha em seu poder, comandava, controlava e como não existia o fósforo, o fogo precisava ser mantido aceso dia e noite para que não apagasse.

Na mitologia grega, Prometeu roubou o fogo de Zeus para dar aos humanos. Para celebrar esse feito, os gregos faziam corridas de revezamento. Os atletas passavam a tocha entre si até que o vencedor cruzasse a linha de chegada. A chama queimava durante os jogos como um sinal de pureza, razão e paz. No início dos Jogos, os corredores diziam que os "anunciadores da paz" viajariam pela Grécia declarando a "trégua sagrada" a todas as batalhas entre as cidades rivais.

Retomando para nossa atualidade, durante a passagem da Tocha Olímpica por Belém, ouvi numa entrevista, uma criança dizer que comparava a Tocha com o Círio. A repórter estranhando aquela comparação perguntou se aquela impressão seria pela multidão que se aglomerava e o menino com muita vivacidade disse que não, que era pelo fogo e pelo seu significado! Aquela criança demonstrou que entendeu perfeitamente o significado do fogo olímpico!

No Círio de Nazaré em Belém, o fogo aceso nas velas possui um significado semelhante, pois representa a luz que leva o homem ao caminho da santidade, é referência de fé, é sinal da manifestação do Espírito de Deus no ventre da mãe de Jesus que, naquele momento, é venerada. Aquela luz conduz à paz, ao amor e a harmonia entre os homens.

Durante a quadra junina, já houve uma época, não tão remota, em que fogueiras eram acesas nos terreiros em frente às casas, e simbolizava a alegria de comemorar o nascimento dos Santos cultuados nesse período. Alguns dizem que uma fogueira era acesa para avisar do nascimento de um menino, na época do nascimento de João Batista.

Essa fogueira que hoje não é mais acesa seja em face da fiação elétrica ou dos problemas com a segurança pública, faz muita falta. Após os ofícios religiosos aos Santos, ela congregava e reunia as pessoas e formava vínculos permanentes entre os compadres, comadres e afilhados. Era compromisso de vida. Como nas Olimpíadas e no Círio, selavam a harmonia e a paz.