Vox Dei nº 408 de 17 de julho de 2016

Assim como Marta, nos encontramos muitas vezes correndo a toda a velocidade, desde o momento em que saímos da cama, de manhã, até a hora em que ‘caímos’ nela de novo, à noite. Dias em que temos prazos a cumprir, tarefas para realizar, reuniões para dirigir, vendas para concluir etc. Mas, alguma vez paramos para pensar que toda essa correria pode ser perigosa?

O cotidiano das irmãs Marta e Maria é semelhante ao nosso em vários momentos. Às vezes, já acordamos com uma grande expectativa para solucionar uma urgência ou atender a um convite. No caso das irmãs, Marta e Maria era que – Jesus e os discípulos estavam chegando para uma refeição e Marta queria que tudo estivesse perfeitamente em ordem. “Marta estava ocupada com todo o trabalho da casa.” (Lc 10.40).

No capítulo 10 e versículos 40, 41 e 42 do Evangelho de Lucas, a figura de Maria sentada aos pés de Jesus traz para nós uma lição fantástica: a urgência não pode controlar o nosso comportamento. Em vez de ser sugada pela correnteza da correria, escolheu o que era mais importante: sentar-se aos pés de Jesus e tirar vantagem da oportunidade que estava diante dela: “Maria escolheu a melhor de todas, e esta ninguém vai tomar dela.”

Jesus espera somente uma coisa de nós: parar para ouvir e aprender. Ele disse para Marta que frequentemente o homem aplica as forças e preocupações na performance, realizar, conquistar. Quando o correto, mais sábio e proveitoso é empenhar nossos sentidos a ouvir e adorar o Senhor, assim como fez Maria. A melhor parte não está no realizar, mas em inclinar-se de todo o coração para ouvir a voz do bom Pastor.

Nesse contexto, é importante refletirmos: Você escuta voluntariamente a Palavra de Deus? Na missa, o sermão é algo que se torna enjoativo? Talvez o povo prefira estar parado na frente da televisão... O jornal, o rádio, as mídias sociais têm preferência à Palavra divina proclamada na igreja. Refletimos sobre a Santa Marta original do Evangelho….Entretanto, certamente devemos conhecer bem as “Santas Martas” que convivem em nosso meio: mães, avós, tias, vizinhas, amigas, que nos acolhem tão bem em suas casas, por mais ingratos que sejamos. Elas apenas oferecem o que têm de melhor. Porém, às vezes, precisam ser lembradas que ainda mais importante do que deixar a casa impecável para receber-nos, é preciso abrir a porta do coração para receber Jesus.