Vox Dei nº 409 de 24 de julho de 2016

Arrumando uma gaveta na minha casa, encontrei uma pulseira deixada ali por uma de minhas filhas, ela havia ganho de alguém no último aniversário, o acessório não lhe serviu e ficou esquecida porque não veio com etiqueta de troca da loja. Tratava-se de uma grossa corrente cheia de pingentes coloridos.

Ao observar atentamente, percebi que haviam pimentas vermelhas, olho grego, imagens de tarô, e outros símbolos atribuídos a umbanda e outros seguimentos ritualísticos. Dentre esses badulaques, havia uma medalha branca com uma pomba prateada em relevo, usada comumente entre os católicos como símbolo do Espírito Santo.

A ignorância da ação e do poder de Deus, da sua supremacia sobre todas as coisas do universo é que ocasionam essa idéia de "se guardar por todos os lados". Ou se crê verdadeiramente no único Deus capaz de oferecer a máxima proteção sobre todas as suas necessidades, ou o relega ao obscuro mundo das trevas, da falta de luz, do casuísmo, do relativismo, do oportunismo, enfim, não se Lhe atribui a sua real divindade e seu poder absoluto.

Basta imaginar se uma planta de "comigo ninguém pode", a "espada de São Jorge", uma pimenta ou uma erva qualquer possa ter maior poder do que a ação de Deus sobre as coisas. Geralmente, mesmo quem usa dessas práticas, precisa fazer uma prece, elevar seu pensamento positivo ao que se quer alcançar, mas no fim de tudo, termina por atribuir um eventual sucesso ao uso desses outros artifícios.

Sim, o mau existe, ele é presente e está atento à mínima abertura para que possa atuar de forma matreira ou incisivamente. A oração é que eleva o pensamento e o espírito até Deus. As boas práticas constantes nas sagradas escrituras e nas leis da nossa igreja é que potencializam nosso encontro com Deus.

Lançar mão desses objetos é verdadeira idolatria. É atribuir divindade e poder ao que não a tem. Isso ofende a Deus. A Igreja Católica oportuniza o "livramento" através do sacramento da confissão, é ali que começa a se despir do mau, arrependendo-se de seus maus feitos para depois encontrar o Deus vivo, encarnado sob a ação do Espírito Santo, que morreu por nós e que se deu em alimento para nossa salvação verdadeira e que está presente na Eucaristia.

Sabemos que não há poder nas medalhas de santos que usamos, nem nas imagens esculpidas ou retratadas em pinturas, desenhos e fotos, elas apenas nos elevam a adorar, louvar, bendizer, agradecer e agradar ao único e poderoso Deus e criador e ao seu filho Jesus na unidade com Espírito Santo.