Vox Dei nº 412 de 14 de agosto de 2016

Neste Evangelho, Jesus mais uma vez nos mostra o seu amor convidando-nos a conhecer Sua missão em meio às alegrias e dificuldades. Ele veio nos trazer o fogo: o Espírito Santo, o Espírito de amor, o Consolador, Aquele que nos ensina todas as coisas.

Sabemos que um dos maiores desejos do ser humano é o de que tudo em sua vida ocorra bem, sem imprevistos, sem “surpresas desagradáveis”. Entretanto, Jesus veio nos avisar de que o fogo que Ele trouxe para a terra é chama que nos queima, por isso nos desestabiliza, e nos tira da passividade.

Jesus tinha consciência de que um dos efeitos do seu trabalho iria ser causa de divisão entre os partidários do imobilismo e os que lutavam por um mundo novo. Por isso inflamou a ira dos funcionários do templo e de todos os que se consideravam donos da verdade. O fogo da Palavra de Deus questionava os funcionários saturados de doutrinas e sedentos de poder. Portanto, o fogo de Jesus não é o das paixões humanas, assim como a paz.

Ele se refere aqui, não àquela paz da acomodação e da aceitação passiva de todas as coisas e o conformismo com situações de pecado, de desgraça e tudo o mais. Seríamos então como robôs, marionetes e não usufruiríamos da liberdade, o dom mais precioso que Deus nos concedeu. Claro que numa casa, na mesma família existirão circunstâncias em que uns se voltarão contra os outros, principalmente em relação ao seguimento de Cristo. Devemos observar que Jesus não está atacando o relacionamento familiar, mas indica que nenhum laço terreno, embora muito íntimo, poderá diminuir a lealdade a Ele.

A questão é: uns contra, outros a favor, porém a diferença far-se-á na unidade que o Espírito Santo – o fogo que Jesus veio trazer a terra – promove apesar das nossas divergências. Jesus recebeu o Batismo do martírio, e estava ansioso em cumpri-lo, pois somente assim Ele poderia enviar para nós o fogo do Seu Espírito Santo que é a chama que nos impulsiona para viver o amor com suas consequências. Cumpriu a Sua missão, padeceu, morreu, foi sepultado, mas foi ressuscitado e nos enviou o Paráclito, fogo que se mantém aceso dentro de cada um de nós para nos ajudar a viver as nossas diferenças.

Optar por Jesus pode até mesmo causar, em determinados membros de uma família, que eles sejam afastados ou ignorados pelos outros por terem escolhido a segui-Lo, como consequência da missão, mas isso é agradável aos olhos de Deus!