Vox Dei nº 414 de 28 de agosto de 2016

Este Evangelho nos ajuda a refletir sobre um preconceito muito difundido. Vejamos o que nos dizem as Escrituras: “Num sábado, Jesus entrou para tomar uma refeição na casa de um dos principais fariseus. Todos o observavam”. Ao ler os textos sagrados, nas diversas ocasiões em que citam as atitudes dos fariseus, acabou-se fazendo destes o “modelo” de diversos vícios, tais como, hipocrisia, perfídia, falsidade... Passaram a ser qualificados também como inimigos de Jesus. O termo “fariseu” ingressou, então, no dicionário de muitas línguas, inclusive a nossa, com essa acepção negativa. Por isso retomamos a reflexão de alguns pontos do texto.

Durante a refeição, naquele sábado, Jesus ofereceu dois ensinamentos importantes: um voltado aos convidados e outro ao anfitrião. Ao dono da casa, Jesus disse : “Quando deres um almoço ou um jantar, não convides teus amigos, nem teus irmãos, nem teus parentes, nem os vizinhos ricos…”. É o que o próprio Jesus fez, quando convidou ao grande banquete do Reino os pobres, os aflitos, os humildes, os famintos, os perseguidos.

Dirigindo-se aos convidados, Jesus usou o exemplo dos convivas que escolhem egoisticamente os primeiros lugares para se assentar, num banquete nupcial, a fim de ensiná-los a serem humildes em todas as situações da vida. Aparentemente, esse é um exemplo ingênuo, pois se supõe que quem chega primeiro tem direito aos primeiros lugares. Mas não é, nem deve ser assim. Quando colocamos essa figuração em todas as situações de nossa vida, percebemos que o querer sempre “abiscoitar” o primeiro lugar é uma disposição doentia da nossa humanidade atingida pelo pecado.

Queremos o primeiro lugar na fila do banco, no estacionamento, no trânsito, assim como também almejamos auferir os maiores lucros, tirar o primeiro lugar nos concursos, ser apontado como o melhor, o mais importante, ter o maior salário e, muitas vezes, não medimos esforços para alcançar os nossos objetivos. Nem nos lembramos de que existe “o outro” ou a “outra”, a quem devemos honrar, independentemente de quem seja, pois assim nos ensina a Palavra do Senhor.

Se fizéssemos a experiência de sempre ceder o espaço ao nosso próximo, certamente o nosso coração ficaria gratificado com a alegria que proporcionaríamos a alguém. O exercício da humildade, antes de ser sinal de subserviência, é uma prática evangélica que nos ensina a suportar, acolher, compreender, ajudar, e fazer tudo por amor a Deus. Precisamos tomar consciência de que não há mérito em nos elevar a nós mesmos, em nos elogiar e enaltecer. Se agirmos assim, nunca seremos reconhecidos pelos outros, somente pelo nosso ego.

Deus conhece as intenções do nosso coração quando nos aproximamos das pessoas somente por interesse. Se quisermos agradar a Deus, precisamos convidar também aqueles de quem nada esperamos e não têm como nos retribuir, a não ser com sua gratidão e oração. Aí sim, teremos a recompensa dos justos e seremos felizes. O assento na mesa da festa é apenas uma figura para nos fazer refletir sobre as atitudes que tomamos na festa da nossa vida.