Vox Dei nº 415 de 11 de setembro de 2016

Este Evangelho, narrado por Lucas, conhecido como “parábola do Filho Pródigo”, poderia muito bem ser denominado “parábola do Pai Misericordioso”. Nele temos a revelação do Deus de Jesus, que a todos acolhe em seu infinito amor. Respeita plenamente a liberdade de seus filhos e está com o coração aberto para acolhê-los a qualquer momento, sem censuras, independentemente de sua história passada. Este é o nosso Deus de quem devemos aprender todos os dias e horas. Diferencia-se do deus dos escribas e fariseus, que castiga os que dele se afastam, impondo-lhes variados sofrimentos.

É por seu amor misericordioso que o Deus de Jesus move à conversão e ao reencontro com a vida plena. Assim a parábola do Pai Misericordioso vai mostrar como Deus Pai age diante do filho pecador. A situação que relata é real e facilmente encontrável em qualquer família humana. Um homem tinha dois filhos. Um pede a sua parte na herança e vai embora. Gasta os bens, passa fome e pede para voltar ao lar para viver apenas como empregado de seu pai, pois este não deixava os empregados passarem fome; quer viver ali nem que seja como um deles, para não morrer de fome. O pai, contudo, vai além: o coloca no lugar onde sempre esteve: o de seu filho. O outro filho – que permanecera fiel ao pai – cobra, sente inveja, raiva. E o pai o convida a participar daquela festa, porque seu irmão havia sido recuperado e a família estava novamente composta.

Aqui na terra temos direito a “uma parte na herança” para bem vivermos, pois o Senhor nos cumula de dons e de bens. No entanto, o modo como consumimos o nosso legado é o que faz toda a diferença. Por essa razão, precisamos estar bem atentos para não sermos os “filhos pródigos” de hoje, aqueles que se afastam da “Casa do Pai”, que esbanjam os bens e arriscam a vida nas mais diversas situações de morte. Cada um de nós pode ser chamado de “pródigo”, isto é, (aquele que dissipa seus bens, gasta mais do que o necessário; gastador, esbanjador), quando, querendo a liberdade, nos afastamos de Deus.

É neste momento que começa para nós o processo da volta para casa, pois percebemos que não podemos mais caminhar sozinhos, descobrimos que a vida que procurávamos é muito cruel e que nos encontramos num “beco sem saída”, pois perdemos tudo para o mundo. Nesta parábola, Jesus nos acena com o perdão e a reconciliação e nos aponta o caminho de volta para a Casa do Pai, o arrependimento sincero. Esta é a chance que temos ainda durante a nossa vida terrena de nos reabilitar e reconquistar a nossa cidadania. Jesus já nos libertou! O Pai nos espera! Podemos voltar! O nosso arrependimento sincero e o nosso reconhecer Jesus é o que nos levará ao Pai e será a chave que podemos usar para que a porta do céu se abra.