Atualmente a programação da televisão está cheia de programas de culinária onde se observa que até crianças estão demonstrando sua aptidão para a elaboração de pratos sofisticados e sobremesas de preparo complicado.

Parece um contrassenso num país que atravessa uma crise econômica e um verdadeiro acinte a uma grande camada da população que sobrevive da migalha que sobra daqueles que têm fartura.

Mas não é de gastronomia que queremos falar e sim do descompasso entre o que se tem e o que se dá. O desapego aos bens materiais e a vontade de gozar de conforto, tranquilidade financeira e alegria de viver.

Muitos Católicos criticam a chamada “teologia da prosperidade” aquela onde os fiéis são conclamados para o sucesso econômico através de uma “pseudo conversão”, mas, no entanto,  demonstram vergonha em oferecer moedinhas no momento do ofertório durante as missas como se aquele tilintar denunciasse sua miséria!

Essa miséria de que falo seria na verdade aquela em que o doador deveria realmente se envergonhar em oferecer à sua Igreja, apenas o “troquinho” que tem na bolsa, nos bolsos ou na carteira, e naquele mesmo ato de fé pedir mais e mais prosperidade, fartura, renda, enfim! Pedir mais e ofertar o quê em reciprocidade?

Na realidade não é o quanto se dá, mas a disposição em se desapegar e oferecer com generosidade o que se tem de melhor, é demonstrar gratidão e empenho em ter sempre para poder contribuir mais. Esse coração solidário, generoso pode não ter tido nunca um contato com as vicissitudes da vida, mas ter a disposição de olhar para o que tem com gratidão e saber dosar sua generosidade na exata medida do que se dispõe em doar, em oferecer ao seu irmão e a Deus que tudo lhe permitiu ter.

A “goumertização” da comida, a sofisticação do paladar pode ser encarada como a descoberta de que o alimento a ser ingerido pode e deve ter o melhor sabor para satisfazer o paladar e dar prazer em colocar pra dentro aquilo que é mais agradável, entretanto, igualmente saber entender que aquele ingrediente caríssimo que elitiza aquele prato, poderia em contrapartida, estar sendo colocado no simples sal na mesa do irmão que terá como saborizar sua comida porque terá onde usá-lo!