Vox Dei nº 418 de 25 de setembro de 2016

A parábola do homem rico e do pobre Lázaro nos confirma que a vida aqui na terra é uma oportunidade preciosa para que possamos nos apropriar dos “terrenos do céu”. O homem rico viveu aproveitando tudo o que possuía para satisfazer o seu apetite humano, como se um dia não tivesse que se apartar do seu penhor. O pobre, por força das circunstâncias, teve uma experiência completamente oposta e provou das agruras da vida por conta da sua completa miséria. Vemos, então, que os dois poderiam ter sido instrumentos de salvação, um para o outro.

A salvação que Jesus veio nos oferecer é algo pertinente à nossa vida. A nossa vivência aqui na terra já pode ser um testemunho de que estamos salvos e um dia iremos viver na companhia dos anjos ou no meio dos tormentos. O rico teve todas as chances para bem viver com sua riqueza, fazendo dela um trampolim para alcançar a vida plena depois que partisse para a outra existência. Infelizmente, muitos ainda não compreenderam isso, portanto, a parábola do homem rico e do pobre Lázaro nos mostra uma situação, ainda hoje, persistente dentro da nossa realidade.

A conjuntura do rico e de Lázaro nos dá uma amostra do julgamento de Deus. Não podemos nos confundir achando que a riqueza é uma coisa má. No entanto, há uma condição imprescindível para que ela seja um instrumento para a nossa salvação: a de partilharmos nossos bens e “terrenos da terra” com o próximo. O mal é quando queremos ter tudo só para nós e desprezamos àqueles que vivem à nossa porta implorando por migalhas, porque não possuem o suficiente para viverem com dignidade. Ninguém é tão pobre que não possua nada para dar nem igualmente é tão rico que não necessite partilhar com alguém a sua riqueza.

Jesus nos fala que o rico recebe os bens durante a vida e o pobre, os males, mas que na outra vida dar-se-á o contrário. O pobre existe para dar ao rico uma chance de empregar os seus bens e assim poder obter ainda mais para ajudar a quem precisa. Nunca se ouviu dizer que alguém ficou pobre porque ajudou a outrem, no entanto, sabemos que muitos chegam à ruína porque empregaram mal a sua fortuna. Jesus também nos mostra a perspectiva da eternidade para o rico avarento e o pobre humilhado: para o primeiro a região dos mortos que é a ausência de Deus e, para o segundo, o seio de Abraão, isto é, a presença de Deus, na companhia dos anjos e tendo consolo para as suas dores.

Precisamos refletir no tempo atual da nossa vida quando temos a oportunidade de pôr em prática todos os ensinamentos de Jesus, a fim de que não tenhamos a mesma sorte dos mesquinhos. Assim, também, precisamos perceber a responsabilidade de abrir os olhos das pessoas que ainda estão presas aos seus bens e não olham para os Lázaros que batem à sua porta.