Vox Dei nº 421 de 16 de outubro de 2016

Na semana passada eu dizia que é muito difícil traduzir o Círio de Nazaré em uma única e criativa frase porque ele tem vida própria tão logo se iniciem os trabalhos para organizar o próximo.

Em entrevistas na televisão os romeiros maravilhados demonstram admiração por tantas demonstrações de fé em Nossa Senhora de Nazaré.

Há poucos anos a Missa campal em frente a Catedral da Sé, e que dá inicio à grande procissão, passou a ser celebrada à partir das 5h da manhã. Assim, nem bem recuperados da trasladação, os romeiros já estão aguardando o início da missa.A praça do complexo Feliz Luzitânia, vira um grande dormitório, é até difícil encontrar um lugar sobre o gramado para que homens, mulheres, idosos e crianças durmam sob o céu para ao amanhecer disputar um bom lugar, seja na corda, na missa ou para acompanhar bem pertinho da Berlinda.

Fiquei muito admirada com a quantidade de pessoas que levam alimentos e água a esses penitentes peregrinos.

Ainda na escuridão da noite, ao chegar, a praça já estava lotada, rostos cansados mas com uma serenidade no olhar, no cantar, no participar da celebração. É emocionante ver o céu nascer no dia do Círio, naquela praça ao lado de tantos irmãos de fé.

Atualmente com as redes sociais, observam-se manifestações de grande amor e fé à Virgem de Nazaré, a alegria de confraternizar em família é exposta e compartilhada com todos.

Dentre essas manifestações observei muito feliz, que uma amiga que professa a fé Judaica desejava um Feliz Círio a todos. Ela acabava de celebrar o ano novo Judaico. Assim, pode-se entender que a tolerância religiosa deva ser uma prática possível. Do mesmo modo que alguns irmãos Cristãos Evangélicos desinteressadamente ajudavam a minimizar os impactos físicos dos peregrinos que participam das procissões. Isso é gratificante!

Alunos de Escolas Católicas tradicionalmente abrem a procissão carregando as Bandeiras, seguindo-se os carros dos anjos, o carro dos milagres geralmente em forma de um grande barco.

Arquibancadas são colocadas ao longo do trajeto para aqueles que não podem acompanhar ou preferem a comodidade de um acento. Corais, Padres cantores, Cantores populares procuram fazer sua homenagem através de cantos marianos. As fachadas das casas e dos prédios são ornamentadas e decoradas saudando a Mãe de Jesus. Empresas mandam distribuir pequenos leques ou abanadores de papel com a letra de músicas entoadas durante as procissões, como um útil objeto de divulgação de seu negócio.

Em meio a procissão os Ambulantes vendem toda sorte de mercadorias que vão desde as fitinhas, terços e santinhos, camisetas, bonés, brinquedos de miriti, até água e alimentos. No meio do trajeto, no Edifício Manoel Pinto da Silva, uma saudade e uma homenagem: Dom Vicente Zico, já falecido, há muitos anos assistia a passagem da Berlinda da sacada de um dos apartamentos era sempre saudado pela multidão que já se habituara a vê-lo ali. ...ainda não acabou, tem mais!