Vox Dei nº 422 de 23 de outubro de 2016

Quando os poetas e escritores descrevem em suas obras um amanhecer com o canto de pássaros em busca de calor para procriar, evoca uma placidez e um bucolismo que acalma a alma, que dá uma sensação de serenidade e paz!

Por muitos anos era assim o amanhecer na Praça Santuário em frente à Basílica de Nazaré em Belém do Pará. Na época do Círio, no verão Amazônico, uma grande samaumeira recebia uma infinidade periquitinhos verdes que vinham passar o Círio em Belém.

Na concha acústica próxima àquela grande árvore resquício de floresta nativa, mais música! Os shows de atrações musicais ecoam todas as noites em uma grande festa de louvores ao grande autor da vida e para evangelização através da música. A praça fica lotada de fiéis que vem de todos os cantos para assistir o show depois da missa na Basílica.

A devoção em Nossa Senhora de Nazaré contagia a quem presencia as manifestações de fé do povo, irmana, congrega e inspira a tantos compositores que a cada ano trazem músicas e cânticos de fervor Mariano.

A cultura dos fogos de artifício presentes à festa do Círio de Nazaré, não é local, é globalizada e vem de tempos remotos desde a invenção do fogo e depois o da pólvora. Os fogos são artifícios celebrantes da alegria, do anúncio, da comunicação de um evento, felizmente auspicioso! Durante todo o período do Círio eles foram agregados a cada programação, principalmente as feitas com a imagem peregrina.

Desde a Alvorada, ao meio dia e no ângelus às 18h até o encerramento das programações soltavam-se foguetes. Na trasladação o grande e lindo espetáculo pirotécnico fica por conta dos estivadores e arrumadores e na chegada da Berlinda à Catedral, mais fogos!

Na noite do encerramento das programações do Círio, a diretoria da festividade promovia uma linda e comovente homenagem iluminando o céu por trás da Basílica e anunciando que no dia seguinte seria o Re-Círio.  A cada pipocar dos fogos, um momento de contrição e reverência à Mãe de Jesus. Os corações ardendo de fervor, os olhos ávidos pelas pequenas luzes na esperança de serem iluminados pela graça solicitada! 

Já há algum tempo o uso dos fogos vem sendo questionado por autoridades ligadas ao meio ambiente, principalmente por conta de denúncias de pessoas que sentem desconforto e um breve desassossego. Geralmente são não-católicos. Os periquitinhos da samaumeira também servem de motivação para a proibição do uso desses artefatos, notava-se a morte de alguns deles depois dos festejos.

 

Há quem diga por aí, que os periquitinhos ficaram muito tristes sem o glamour dos fogos no encerramento e foram buscar outras fontes de luz e devoção...