Vox Dei nº 424 de 06 de novembro de 2016

Durante as celebrações do Dia de Finados, muitas pessoas correm aos cemitérios para rezar e acender velas em intenção de seus parentes e fiéis defuntos.

Para algumas pessoas é um ponto de encontro onde se veem parentes e conhecidos que mal se falam durante o ano todo. Naquele breve encontro aproveitam para falar daqueles que já se foram para a eternidade, mas tratam de falar também dos vivos. Lamentam não se ver com frequência e então vão embora para mais um tempo sem se ver, sem se falar, não se visitam, não dão ou recebem flores, não rezam juntos e não se deixam iluminar pela vela acesa.

Parece um verdadeiro paradoxo: acendem-se velas aos mortos e apaga-se a vela no bolo de aniversário de nascimento. Essa lógica parece mais ligada ao costume, à tradição, sem que saibamos o real significado dessa prática.

No dia de finados, fazemos memória aos mortos mas também é um excelente momento para uma reflexão sobre como estamos convivendo e tratando dos vivos, daqueles que por exemplo fazem parte da família ou que fazem ou fizeram parte de sua vida em algum momento.

A homenagem à pessoa que já morreu e que nos é cara, provavelmente faça melhor a nós mesmos do que a ela. É preciso extravasar angústias, saudades, arrependimentos, enfim, o sentimento de impotência perante o imutável se apresenta e já não se pode voltar ao tempo que já passou.  

Assim, homenagear os vivos por suas vitórias, presentear ou oferecer um regalo, um mimo, um sorriso, uma palavra uma atenção até o momento em que isso já se torne impossível em face da morte, também deveria ser mais que o preceito de um único dia no ano.

Reforçar laços, conviver, nem sempre é para compartilhar alegrias, elas podem trazer dissabores, mas estes também fazem parte dos relacionamentos e igualmente podem ocasionar mais união desde que ultrapassados com igual fervor.

 

Trazer as pessoas para um convívio mais intenso pode merecer uma mão de obra acima das possibilidades momentâneas, mas atualmente a internet é uma ferramenta que aproxima também. Mesmo que virtualmente, podem-se reatar laços perdidos pela geografia e pelo tempo. Vamos combinar que manter a vela do convívio acesa é bem mais gratificante?