Vox Dei nº 425 de 13 de novembro de 2016

No final de mais um ano litúrgico, é providencial a reflexão do Evangelho de hoje. Jesus nos fala, claramente, de coisas, fatos e acontecimentos que fazem parte do nosso cotidiano e que são, em verdade, sinais de que os prognósticos do Senhor já se manifestam no mundo. Guerras, revoluções, terremotos, fome, peste, miséria, violência, fazem parte das manchetes dos jornais e das edições extraordinárias dos noticiários da TV. Jesus, porém, nos esclarece, que isso ainda não é o fim, mas que é preciso essas coisas acontecerem primeiro.

É importante ressaltar que este discurso introduz a narrativa da Paixão, tradição com características próprias que circulava entre as primeiras comunidades cristãs. A referência ao Templo se dá por este ser a sede do judaísmo no tempo de Jesus; Ele, a propósito, já denunciara que o Templo tornara-se um antro de ladrões. Sua palavra sobre a destruição do Templo, além do fato histórico, tem o sentido do abandono da antiga doutrina emanada do Templo para dar lugar à novidade de Jesus. As religiões excludentes, que consolidam grupos privilegiados religiosos ou raciais, são descartadas para a grande revelação do Deus de amor universal, que chama a si todos os povos e raças, comunicando-lhes sua vida divina e eterna.

 

Mas o objetivo primeiro da nossa meditação, no entanto, é fazer uma avaliação da influência que temos dentro desse cenário tão sombrio em nossos dias. Imaginamos que as guerras são apenas aquelas que acontecem longe de nós, entre povos distantes, porém Jesus vem nos falar de perseguições dentro da nossa própria casa, entre pais, irmãos, parentes e amigos. É justamente aí que nós estamos situados, como possíveis colaboradores das desgraças que acontecem no mundo, atualmente.

Os nossos relacionamentos dentro da família e da própria comunidade cristã acontecem, muitas vezes, num clima de disputas por poder, dinheiro e rivalidades, os quais constituem os germes da violência e da agressão. Nenhum de nós, nem as nossas famílias, estamos dispensados “dessas coisas pavorosas” de que nos fala o Evangelho. Os sinais são evidentes e facilmente detectados na maneira como nos tratamos uns aos outros: frequentemente com grosseria, ou pior, com indiferença e desprezo.

Dessa forma, a vida vai se tornando um “salve-se quem puder” e, se pensarmos bem, não aproveitamos os seus desafios para testemunhar a nossa fé, como sugere Jesus. “É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida”, esse é o Seu conselho para nós, hoje. Portanto, mesmo diante de tantos sinais de destruição, poderemos ter um coração tranquilo e, na reta final de mais um ano de aprendizado, ter plena confiança de que não perderemos nem um só fio de cabelo da cabeça e que a nossa perseverança nos fará ganhar uma vida nova, no final de tudo.