Vox Dei nº 426 de 20 de novembro de 2016

Falar sobre Dízimo não é falar sobre dinheiro. O Dízimo ofertado deve ser motivado por um coração agradecido, pela consciência de que o dinheiro não é uma moeda de troca ou de barganha, que não está se pagando ou se comprando nada: é despojamento e desapego. Não se devolve nada através do Dízimo. Dízimo é oferta, é partilha, é generosidade.

O Dízimo não é esmola, Deus não mendiga, Deus já proveu.

Os valores ofertados através do Dízimo, podem não fazer falta para alguns, mas para outros é uma parte significativa de seus ganhos. Essa é a verdadeira partilha, sobretudo, porque demonstra confiança no Deus provedor. É bastante significativo imaginar que a Deus tudo pertence e como através d’Ele usufruímos e partilhamos aquilo que nos é confiado.

Uma alma agradecida e cheia de generosidade não sucumbe àquilo que a afasta de Deus.

Dízimo é entrega. Não se deve exigir recompensas por esse ato de amor desinteressado.

Já imaginou Jesus cobrando em dinheiro por ter providenciado um finíssimo vinho nas Bodas de Caná? E na multiplicação dos pães e peixes? E quando se encheram as redes dos pescadores? Nesses casos há a saciedade material, mas em momento algum houve sequer a hipótese de pagamento em dinheiro. É exemplo da partilha de seus dons.

Quando Jesus operava milagres físicos, ressuscitando mortos, sarando enfermidades, curando cegos e aleijados, em cada momento se tinha apenas a misericórdia e a partilha de vida em abundância. E havia ainda os maus espíritos que eram subservientes à sua vontade e deixavam os corpos humanos segundo Seu comando, e Jesus, assim, partilhava a paz interior.

Quando dividimos por dez os nossos ganhos, temos aí uma décima parte, e assim temos nove partes para nosso uso próprio e uma única parte para oferecer em partilha. O apego àquela pequena parte de um todo, faz com que muitas pessoas exercitem a matemática da avareza: “devo partilhar apenas o que sobrar das minhas despesas, e nessas despesas, incluirei os meus excessos, minhas futilidades, meus desperdícios e assim, ficará mais ‘justo’ contar a décima parte do que sobrar”.

Vou utilizar aqui uma reflexão metafórica para percebermos o quanto somos mesquinhos: Se com o valor ofertado no Dízimo, estivéssemos comprando em prestações uma boa vaga na vida eterna, como seria nossa estadia por lá? É claro que isso é apenas para objetivar uma consciência na forma de ofertar.

Aqueles que pouco têm e, mesmo assim, conseguem ofertar, não estão dividindo sua miséria e sim ofertando toda a riqueza e a plenitude do gesto de ofertar.