A Ascensão é o término da missão terrena de Jesus, embora continue sua atuação mediante o Espírito Santo. Por sua vez, inicia-se a missão da Igreja, pois ela deve continuar o que Ele começou, fortalecendo nossa esperança. Nós saímos de Deus para um dia voltarmos a Ele. É a fascinante vocação do homem, elevar-se, emigrar para um mundo novo. É um movimento para o alto, um impulso para o infinito, uma procura da vida que não tem fim. E Jesus, que se eleva, nos convida para esta aventura maravilhosa. “Subiu não para se afastar da nossa humildade, mas para nos dar a esperança de que um dia iremos ao seu encontro, onde Ele nos precedeu” (Prefácio da Missa da Ascensão).

A Ascensão de Jesus é a preparação da nossa ascensão: “Vou preparar um lugar para vocês…”, disse Jesus aos Apóstolos. Ele preparou esse lugar, voltando para o Pai, ficando para nós a responsabilidade de conquistar esse lugar. O olhar dos apóstolos, voltado para o céu, simbolizava a esperança de uma volta imediata de Jesus, o desejo de que ele retomasse a obra interrompida. A voz do céu, porém, esclarece que Jesus não iria voltar para continuar a propagação do Reino de Deus, mas eles deveriam continuar a obra do Mestre. E nós enquanto aguardamos a nossa Ascensão, não podemos ficar de braços cruzados, apenas olhando para o céu, indiferentes às injustiças, a violência, as guerras, a corrupção, os direitos humanos, os direitos das mulheres e crianças. Pelo contrário, devemos cumprir a ordem deixada por Cristo: “Vocês serão as minhas testemunhas…”

Será que não poderíamos também ser advertidos pelos anjos de Deus: “Por que ficais aí parados, de braços cruzados, olhando para o céu?” Não é o momento de olhar ao nosso redor e iniciar a Missão? Cristo estava com eles, porque os milagres tornavam fecundas as palavras missionárias dos apóstolos e discípulos, os quais, por sua vez, passaram a ser extensões do próprio Cristo. Seus pés passaram a substituir os pés empoeirados do Mestre. A boca deles passou a ser a boca de Jesus espalhando a semente da Palavra. Os braços passaram a ser prolongamentos dos braços de Cristo abençoando, gesticulando na ânsia incontida da pregação, da cura. As nações daquele tempo foram catequizadas a duras penas, utilizando-se os transportes precários daquela época. Mas Jesus também falou: “Permanecei na cidade, até que sejais revestidos da força do alto”. E eles esperaram a vinda do Espírito Santo pela oração, para que em comunhão e unidade, pudessem continuar a missão deixada pelo Mestre.

Nessa semana, somos convidados a rezar pela unidade dos cristãos com o tema “Chamados a proclamar os altos feitos do Senhor” (1 Pd 2,9), através das orientações do CONIC (Conselho Nacional das Igrejas Cristãs), que realiza todo ano esta Semana. Unamo-nos pela fé comum a Jesus Cristo em prol da Missão de evangelizar!