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A lição de Paulo

A lição de São Paulo

 

O apóstolo São Paulo é um homem controvertido. A sua conversão, a partir dos textos disponíveis, é estudada com afinco por historiadores e exegetas do maior quilate. A vida desse apóstolo é vasculhada e pesquisada com os mais modernos instrumentos de pesquisa. Por quê? Porque ele foi um homem maior que o seu tempo. A sua mensagem, carregada do primeiro entusiasmo cristão, alcança os homens de todas as épocas.

Muito se pode dizer de São Paulo. Aliás, bibliotecas inteiras podem ser montadas com escritos sobre ele. Uma característica, presente em todos os estudos paulinos, é a sua fidelidade ao chamado que Jesus lhe fez no caminho de Damasco, ao fato marcante da sua conversão.

Desse fato, que transformou a vida de Paulo, podemos tirar algumas importantes lições, que continuam a valer para os dias de hoje, marcados pela desconfiança e pelo questionamento da autoridade divina.

Parece que as pessoas estão muito cheias de si, sentem-se poderosas demais diante dos acontecimentos da vida social. Mas isso não se aplica à existência. Por isso, o vazio crescente e a angústia que destroem vidas inteiras. Esta situação pode estar representada pelo caminhar de Paulo a cavalo, imponente, senhor de si, orgulhoso, vaidoso e com poder sobre outros. Só uma queda pode devolver a algumas pessoas a consciência do seu estado de fragilidade e de pequenez diante da grandiosidade do mistério de Deus e da vida que dele recebemos. Esta é uma lição da qual muitos se esquecem. Acredito, porém, que ninguém precisaria cair do cavalo, quebrar a cabeça, sofrer um revés na vida, para descobrir o amor de Deus.

Outra lição que me parece importante é a cegueira de que Paulo foi acometido. Muita gente vive cega para as coisas verdadeiramente importantes, vendo apenas o que interessa de imediato, sem nenhum comprometimento com os outros ou com a felicidade alheia. Muitos se acomodam a uma visão puramente egoísta e enxergam apenas e tão somente o seu mundo e as suas necessidades. Também há gente que está cega para as coisas de Deus, para as verdades divinas, para as exigências do Evangelho e a mensagem da Igreja. São Paulo precisou ficar cego para enxergar o que Deus queria dele. Aquela cegueira foi uma ocasião de reencontro do homem Paulo com as mais profundas exigências da alma, que ansiava pela água da vida, sem a qual continuaria ressequido como terra exposta ao sol e, por isso, intolerante, grosseiro, talvez estúpido, mal humorado, como, aliás, muita gente sem Deus. Nos dias de escuridão, Paulo descobriu-se não só necessitado de Deus, mas, sobretudo, amado por Ele. Não estava só. Uma Luz brilhava no seu interior e lhe iluminava o coração. Apagado para a luz deste mundo, seus olhos descobriram o fulgor do Sol que nunca se põe, nem jamais se apaga, Cristo Jesus.

Nestes dias obscuros e angustiantes, é preciso olhar para o apóstolo dos gentios e tomar o Caminho que ele tomou, não sem sofrimentos e dores, incompreensões e desconfiança, e aprender com ele a confiar na palavra de Jesus, que diz: vai, eu estou contigo.

Notícia publicada em 29 Jan 2009 por Padre Ronaldo Menezes
A cidade precisa de batizados

A cidade precisa de batizados

 

A festa do batismo do Senhor nos interpela de um modo arrebatador e desfaz a ilusão de que o homem é a viga mestra do equilíbrio do mundo. A atual crise no Oriente Médio é o sinal mais evidente de que o homem carrega o mundo apoiado em pés de barro. O mesmo raciocínio vale para os nossos projetos pessoais.

A mensagem das leituras bíblicas, que escutamos na missa do batismo de Jesus, é bem clara quanto aos desígnios de Deus. É Ele a viga mestra da história da humanidade. Quando as pessoas prescindem dele, a estrutura do mundo e da vida fica seriamente comprometida.

Não existem salvadores da pátria. Salvador é apenas um. E aqueles que se propõem a reconstruir a esperança só podem fazê-lo com o auxílio de Deus e apenas se se deixarem conduzir por Ele. Se esta exigência não for cumprida, toda conquista será frágil e passageira.

Os líderes de que o mundo precisa devem estar cheios do espírito de Deus e não prenhes de si mesmos. E isto não será verdade se esses candidatos a líderes não forem verdadeiros servidores de Deus, não agindo de outra maneira nem movidos por outros interesses, sejam eles quais forem, se não de acordo com a vontade expressa de Deus e movidos apenas pelo espírito divino.

Não é, porém, o que se vê. Parece que as nossas lideranças são assépticas à fé e à Igreja. A administração de qualquer coisa ficou ultimamente reduzida à esfera estritamente pessoal. É um erro que acarreta muitos prejuízos. O custo dessa teimosia (ou arrogância) é muito alto, sobretudo para as pessoas mais carentes, que esperam os benefícios de uma gerência como se fosse isso uma esmola. É uma afronta a Deus e um pecado que clama aos céus o não agir como instrumento de Deus, senão por algum tipo de interesse egoísta.

Não por acaso os sinais vistos no céu, por ocasião do batismo de Jesus, forma conservados pela comunidade primitiva. Eles têm um significado profundo e bastante atual.

Os céus abertos sinalizam que Deus abriu os céus e derramou sobre os justos e bons as dádivas celestes, enchendo-os de uma força especial, capacitando-os para um serviço divino. No nosso batismo, o Senhor abre os céus e faz jorrar sobre nós usas graças nos dando uma força sobrenatural. O Espírito Santo que desce em forma corpórea diz que somos criaturas novas em Deus, e somente com Ele. Sem Deus, o homem continua velho e preso aos antigos vícios. Aquela voz, que dá testemunho de Jesus, testemunha também a nosso favor, dizendo quem somos e para que viemos a este mundo.

Então é claro que a vontade de Deus a nosso respeito não é outra senão esta bem precisa: que sejamos filhos de Deus e ajamos como seus filhos, cheios do Espírito Santo e com a força que vem do alto. Assim, para todos os males que afetam a sociedade e a deixam doente, a resposta também me parece clara: a cidade precisa de batizados. Como dizia um escritor antigo, eles são no mundo o que a alma é no corpo.

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Domingo próximo, voltamos a celebrar os mistérios de Cristo no Tempo Comum. Vamos nos preparar, agora, para a Quaresma e o glorioso mistério da Páscoa do Senhor.

Boa semana a todos. Deus os abençoe.

Notícia publicada em 14 Jan 2009 por Padre Ronaldo Menezes
A lição dos magos

A lição dos magos

Epifania é a festa da apresentação de Jesus como luz que ilumina todo o mundo envolvido nas trevas do pecado, dos vícios, mas que anseia por um resgate imediato, não apenas para cumprir as Escrituras, mas por necessidade, já que a sua condição primeira não foi de sujeição ao mal, mas de harmonia e equilíbrio. O pecado tirou o mundo da rota e desviou o homem do seu destino. O nascimento do Filho de Deus reacende a esperança de que a história tenha outro fim, que não a perdição completa do homem.

A história pode mudar se aprendermos a lição dos magos, dos quais se fala no Evangelho de Mateus, lido no domingo.  O que eles têm a nos ensinar? Creio que muita coisa.

Os magos conheciam as Escrituras e tinham o seu conteúdo no coração. Essa é a única explicação para o conhecimento de que estava nascendo “o Rei” dos novos tempos. Pergunto-me muitas vezes quantos de nós, que dizemos ter fé, conservamos a Palavra de Deus no coração e a consideramos expressão da vontade divina. Os magos nos ensinam isso. E muito mais. Eles interpretaram o que parecia ser apenas um fenômeno da natureza; viram na aparição da estrela um aviso ou um sinal divino. Deram crédito a um sinal de Deus, o que os homens de hoje pouco fazem; os homens de ciência e conhecimento comprovado preferem acreditar que podem explicar tudo o que acontece no mundo.

É admirável o empenho dos magos na busca por Jesus. Fazem um longo caminho, sem temer os obstáculos da jornada. Na ânsia de encontrar aquele Menino, arriscam a própria segurança, indo até Herodes. Não posso deixar de pensar nos cristãos fracos, que se afastam da fé ao menor obstáculo.

E o que me parece a maior das lições. Diante de Jesus, não O questionam, nem aos pais da criança. Não pedem milagres, que comprovem a divindade do Menino. Não põem em dúvida a identidade daquele apontado pela estrela que os levou a tão longe. Acredito que o coração daqueles estrangeiros foi iluminado pela luz que irradiava do presépio e eles acreditaram. Se nós, que não vimos, somos felizes, eles, que viram, não tiveram felicidade menor do que a nossa. Eles reconheceram Jesus e O adoraram.

Uma última lição. Eles não pouparam seus dons, não esconderam do Senhor suas riquezas, mas abriram seus cofres e ofereceram tudo o que possuíam Àquele a quem passaram a crer como o Deus visível aos seus olhos.

O caminho dos magos é um itinerário de fé, ao qual todos nós, mesmo batizados, somos chamados a fazer. Tomara que estejamos prontos a aprender com os magos a reconhecer Jesus como o Senhor e Deus.

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Devemos rezar a Deus pedindo paz no Oriente Médio. Ataques cada vez mais violentos e sangrentos de ambas as partes sao podem trazer paz. A oração é uma necessidade urgente.

Tenham uma semana abençoada e feliz.

Notícia publicada em 05 Jan 2009 por Padre Ronaldo Menezes
Feliz 2009

O ano de 2009 chega carregado de esperança.

Penso, todavia, que essa esperança esteja alicerçada sobretudo em Deus. Ele é a nossa esperança.

Os governos têm muitos interesses, nem sempre correspondentes aos interesses das pessoas, da sociedade. Por isso, os conflitos, as guerras. Os governos falham, erram. Deus, ao contrário, não falha, não erra. O interesse dele é o nosso bem, a nossa felicidade, o nosso bem-estar.

Essa condição, todavia, não pode ser alcançada se não formos fiéis a Ele, se não cumprirmos incondicionalmente a Palavra que dele recebemos, que nos foi transmitida pela boca dos profetas e ultimamente pela Igreja.

Meu desejo é que neste ano de 2009 tudo seja diferente, sobretudo a nossa relação com Deus, com a Igreja de Cristo, com a paróquia, com a cidade. Não se esqueçam de que todos somos servidores de Deus. Cada um na sua condição.

Deus abençoe a todos!

Padre Ronaldo

Notícia publicada em 01 Jan 2009 por Padre Ronaldo Menezes
O sonho do Rei

O sonho do Rei

 Neste quarto e último domingo do Advento, a leitura do 2º livro de Samuel fala de David e do sonho que tinha de construir “uma casa” para Deus. Ele queria, de fato, dar estabilidade a Deus, colocar a Arca da Aliança num templo definitivo. A Arca da Aliança era o sinal visível da presença de Deus no meio do povo. Precisava, portanto, de um lugar adequado para ficar e ser visitada. David se ressentia disso. Ele quer dar uma casa para Deus. É nesse momento que entra a palavra do profeta Natã.

O profeta Natã diz a David que não é ele, David, que construirá uma casa para Deus, porque um homem não pode dar estabilidade ao Deus vivo e verdadeiro. É Ele, o Senhor, que dará uma casa a David, é o Senhor quem lhe dará estabilidade, construindo-lhe uma família, uma dinastia duradoura. Essa é a Palavra de Deus.

A promessa de Deus a David garante, entre outras coisas, que Ele mesmo, no decorrer da história, cuidará do seu povo e o conduzirá pelos caminhos da vida, da alegria, da paz e da prosperidade. Ela nunca será esquecida, porque o que Deus promete, Deus cumpre.

Agora, se você pegar o Evangelho de hoje deste domingo (Lc 1,26-38), vai reconhecer na encarnação do Verbo Divino o cumprimento do que o Senhor prometera a David, pela boca do profeta Natã.

Na catequese de são Lucas, o principal elemento da promessa de Deus está neste fato: Pelo sim da Virgem Maria, o Verbo de Deus se encarnou e estabeleceu, definitivamente, entre nós a Sua morada, a Sua casa, a Sua tenda. A partir deste fato, Deus jamais ficará distante do Seu povo.

O filho que nascerá da Virgem é o “Filho do Altíssimo”, o herdeiro do trono de David, cujo reinado “não terá fim”. As palavras do anjo à jovem de Nazaré remetem claramente às palavras de Natã a David.

Deste modo, o que se realiza não é o sonho de David, mas o sonho de Deus. Este é o sonho do Rei. Numa aplicação prática da Palavra de Deus em nossa vida, penso que muitas vezes nos comportamos com David, que queria a dar a Deus uma segurança de que Deus não necessitava. O contrário é a verdade. É Deus que nos dá segurança. É dele que nos vem a estabilidade na vida, na família, no trabalho.

Mas isso só pode ser percebido se dermos atenção à Palavra de Deus, se O quisermos ouvir e viver de acordo com a Sua Palavra. A nossa geração será duradoura apenas se ela estiver alicerçada no nosso Deus Salvador.

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Notícias da semana:

  1. Não se esqueça do nosso recital de Natal, na próxima terça-feira, 23, às 20 horas.
  2. A Missa de Natal, no dia 24, quarta-feira, será às 19:30 horas. No dia 25, dia de Natal, teremos missa nos seguintes horários: 08:30, na igreja do Rosário; 11:30 e 19:OO h, na Trindade.
  3. Não se esqueça da Ordenação Diaconal do Fábio Lobato, no dia 31 de dezembro, às 9 horas da manhã.
  4. ...
Notícia publicada em 20 Dec 2008 por Padre Ronaldo Menezes
mensageiros da esperança

Somos mensageiros da esperança

 

Os nossos dias não são diferentes dos dias bíblicos. No tempo do profeta Isaías, sobretudo no período depois do exílio, a esperança estava praticamente morta. Reinava o medo. Pobreza, violência, desvirtuamento da religião e todos os desvios que a falta que a falta de Deus provoca sufocavam os tementes a Deus. Algo semelhante acontecia no tempo de Jesus. As trevas do desânimo cobriam inclusive os que esperavam por uma nova iniciativa de Deus.

É nesse contexto que a Palavra de Deus vem ao nosso encontro com as luzes das profecias.  As palavras de Isaías voltam a ecoar no coração dos que temem a Deus e não se afastam dos seus caminhos. João Batista insiste na necessidade do testemunho de que Deus a Luz de que necessitam todas as pessoas de bem. Fora de Deus só há escuridão.

Estou me referindo ao capítulo 61 de Isaías e à parte do primeiro capítulo do Evangelho de são João em que ele começa a fazer as suas catequeses sobre Jesus.

Isaías nos recorda que nós também fomos separados por Deus, consagrados, e estamos aqui em missão divina. Somos instrumentos de Deus para levar aos outros uma mensagem de esperança e salvação, anunciando aos que estão cheios do temor do Senhor as providências divinas que estão sendo tomadas em favor dos que esperam e confiam no Deus, que é sempre fiel às Suas promessas.

João insiste em nos recordar que a única luz que pode, de fato, iluminar o mundo e nos mostrar o verdadeiro caminho da felicidade é Jesus Cristo. Só ele tem a capacidade de eliminar as trevas que atrapalham a nossa vida, nos desviam do bom caminho, apagam a santidade dos nossos lares, empobrecem o nosso trabalho.  É Jesus, Luz do mundo, Aquele de que necessita o nosso coração e nos pode libertar dos maus sentimentos, da raiva, da cegueira espiritual, da mentira e de tudo o que não presta. Quem se deixa guiar pelas palavras de Nosso Senhor não se perde nem se desvia do verdadeiro caminho da felicidade e da paz. Viver de acordo com o ensinamento de Jesus é o nosso melhor e mais importante testemunho.

Para viver melhor e dar esse testemunho, muito útil é observar as orientações práticas que são Paulo dá aos tessalonicenses, como lemos no capítulo 5. Estar sempre alegres, apesar das tristezas provocadas pela doença, desencanto com as pessoas, frustrações, perdas;  rezar sempre, não só para pedir, mas, sobretudo,para agradecer; consultar as escrituras, diariamente, confiar e aprender com as palavras das profecias; afastar-se de todo tipo e mal, inclusive dos maus. Estas não são coisas complicadas e difíceis de entender. Basta um coração maleável à iniciativa de Deus, que vem ao nosso encontro.

Uma coisa, no meio disso tudo, é muito certa: num mundo quase sem sentido, nós somos mensageiros da esperança.

Padre Ronaldo Menezes

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Noticias da semana:

Concerto de Natal:

  •  No próximo dia 23, às 20 horas, na igreja. Entrada franca.

Mensagens do Santo Padre:

  • Já podem ser encontrados os dois últimos documentos do Santo Padre Bento 16. A sua mensagem de Ano Novo e o documento sobre a dignidade da pessoa humana estão disponíveis no site do Vaticano.Acesse: www.vatican.va

Combú:

  • Dia 19, sexta-feira, iremos à Ilha do Combú, para levar os presentes às crianças, arrecadados pela paróquia.

Boa semana a todos, com as bênçãos de Deus.

 

Notícia publicada em 15 Dec 2008 por Padre Ronaldo Menezes
notícias da semana

Caros paroquianos,

tenho estado um pouquinho ausente deste espaço. Estou retornandocom algumas boas notícias, que devem aumentar as alegrias do nosso Natal. Vejas quais são:

Concerto de Natal:

Como fazemos todos os anos, este ano também teremos o nosso Recital de Natal, coordenado pelas professoras Ana Maria Haddad e Dione Colares. Será no dia 23 próximo, às 20 horas. Não perca.

Ordenação Diaconal:

Vocês conhecem o nosso candidato ao Diaconato Permanente Fábio Lobato. Ele concluiu o curso de Teologia e agora vai ser ordenado pelo Senhor Arcebispo Dom Orani João. A cerimônia de ordenação será no último dia do ano, 31 de dezembro, às 9 horas da manhã. Esperamos você para essa bonita festa.

Nova Equipe Dirigente do ECC:

Foi escolhida e nomeada, ontem, 10, a nova Equipe Dirigente do Encontro de Casais com Cristo, para os próximos dois anos. Saiba quem sáo os casais: - Júlio e Angélica, Francisco e Ana Rosa, Gilson e Selma, Fernando e Rosângela, Isaías e Vana. Rezem por eles.

Um abraço e bom final de semana.

 

Notícia publicada em 11 Dec 2008 por Padre Ronaldo Menezes
A fé que salva

O evangelho deste domingo (Mt 17, 14-20) me faz pensar em dois ensinamentos, que se revelam norteadores em nossa tão atribulada vida moderna. Creio ainda que se estivermos de coração aberto, o Senhor nos conduzirá em segurança, enquanto caminhamos nesta vida.

 

Uma cena inicial me vem à mente. Jesus, saindo do seu momento de oração, caminhando sobre a água em direção à barca onde estão aqueles medrosos discípulos. Pedro, talvez falando em nome dos outros, pede um sinal como garantia de que o vulto que vêem é o próprio Jesus e não um fantasma. Mania antiga de se pedir sempre a Deus um sinal. Isto é falta de confiança.

 

Esta cena me sugere de imediato a revelação que Jesus faz. Aquele que caminha sobre a água não é outro senão o próprio Deus. Quando ele diz “Sou eu”, a sua palavra refaz o som ouvido por Moisés no monte Horeb, quando esteve diante de Deus e perguntou-lhe o nome e o Senhor lhe respondeu: “Eu Sou” (Ex 3,14). Um texto de Isaías diz algo semelhante (43,10-13). Nos textos originais, Jesus diz “Eu Sou”, que traduzem em nossas Bíblias por “Sou eu”. O sentido, porém, é o mesmo da revelação de Deus a Moisés.

 

O andar de Jesus sobre a água me recorda o que lemos em Jó 9,8: “Ele sozinho desdobra os céus e caminha sobre o dorso do Mar”. Ou seja, o Senhor Jesus se revela aquele que domina o Mar e tudo o que ele significa. Recordo-me também de uma passagem do salmo 144, que diz assim: “Do alto estendes tua mão, salva-me, livra-me das águas torrenciais” (v. 7). Quer dizer, Jesus se faz ver como o Deus que salva aquele que a ele recorre, pedindo socorro, como diz outro salmo: “Na minha angústia, invoquei o Senhor, ao meu Deus lancei o meu grito, do seu templo santo ele ouviu minha voz, meu grito chegou aos seus ouvidos” (18,7).

 

Outro ensinamento que este evangelho nos proporciona hoje é sobre a nossa condição de discípulos de Cristo no mar tempestuoso da vida cotidiana. Não é segredo que todos passamos por graves dificuldades, na família _ entre os cônjuges, com os filhos, no trabalho. Vivemos em meio a sofrimentos, ciladas, armadilhas. Nessas circunstâncias, parecemos andar sobre água, quase afundando.

 

Mas a nossa condição não é de naufrágio total. Nem de derrota diante desse tipo de perigo. Nossa condição é de vitória sobre o que nos quer fazer afundar. Essa vitória, todavia, não é mérito nosso, nem resultado do nosso conhecimento, da nossa força. Ela vem, exclusivamente, da fé em Jesus Cristo. É ele quem salva, é ele quem resgata da água, ou das amarras do medo, da angústia, da dor, do sofrimento. Ele renova em nós a esperança ao nos dar a mão na hora certa. Ele não diz “vem” e desaparece. Ao contrário, ele se aproxima mais, orientando o caminho, o novo passo a seguir, conservando na meta, acompanhando até ao destino. Zacarias cantou essa certeza após o nascimento de João Batista, dizendo que Jesus “ilumina os que habitam as trevas e em sombras de morte e encaminha nossos passos no caminho da paz” (Lc 1,78).

 

O fato de Jesus aparecer àqueles homens de madrugada, próximo ao raiar do dia, tomando Pedro pela mão, livrando-o do afogamento, é para se cumprir na vida de cada um de nós estas palavras de Isaías: “Sobre ti amanhecerá o Senhor” (60,1-12). Este é um verdadeiro convite que Deus lhe faz, através da cena em que Pedro é salvo da morte. Mesmo que você esteja vivendo os piores momentos da vida, Deus convida você a levantar os olhos e olhar aquele que lhe estende a mão e lhe aparece como luz a iluminar os seus passos.

 

Notícia publicada em 13 Aug 2008 por Padre Ronaldo Menezes
Viver Deus é uma escolha sábia

Em outras ocasiões já lhe falei que Deus não nos criou, não criou você, para a infelicidade nem para a tristeza. Os dois textos do livro do gênesis que falam da criação nos deixam perceber o cuidado, o carinho e a intenção de Deus com o primeiro casal. O pecado foi a nossa desgraça. Perdemos o rumo a partir daí. Mas não era esse o projeto nem a vontade de Deus. O paraíso era a nossa condição. A harmonia era o nosso estado de vida.

 

Se o pecado nos fez errar o rumo, o sonho de Deus em nos ver felizes não encerrou no pecado. Foi além dele. A promessa do Salvador, o chamado dos patriarcas, a longa e difícil jornada junto ao povo hebreu no deserto, o juramento de fidelidade no monte Sinai, sua palavra de consolo, alento, alerta e mesmo de advertência através dos profetas, dos sábios, tudo mostra à exaustão que Deus nos ama com amor eterno.

 

Um pouco disso foi visto e escutado nas leituras deste domingo. No capítulo 11 do livro do Deuteronômio, além das promessas e advertência, o Senhor deixa claro o objetivo das suas palavras: “Observarás todos os mandamentos que te ordeno hoje, para te fortaleceres”. Ordem mais direta que essa impossível. E esta ordem é tão imperiosa que Ele manda atar as suas palavras no coração e na alma, na mão e na testa, não para servir de enfeite, mas como sinal de obediência, de atenção, um sinal de que Ele não falou em vão nem inutilmente. É um modo de insistir divino para que a palavra que Ele nos dá dê forma aos nossos pensamentos e sentimentos, dê consistência às nossas palavras e força aos nossos gestos e ações. É o nada fazer sem Deus, tudo fazer com Ele e por Ele.

 

O evangelho não diz coisa diferente. Construir a vida sobre o alicerce da Palavra de Deus não é uma escolha que você possa não fazer. É, antes, uma necessidade, se você for sábio. Nenhuma construção será segura se não tiver por base o cumprimento obediente da Palavra de Deus, sob pena de tudo vir a baixo, como adverte Jesus. A observância da vontade de Deus não deve, todavia, ser um peso ou fruto do medo, mas uma adesão do coração. Neste caso, as práticas simplesmente externas, que não sejam resultado dessa adesão, mas apenas uma artimanha para comprometer a Deus, serão insuficientes para uma vida segura, que quer chegar à felicidade. Não adianta, diz Jesus, gritar “Senhor, Senhor” no dia do grande encontro. A resposta dele a ninguém agradaria: “afastem-se de mim, vocês que praticam o mal”.

 

O final do capitulo 7 de são Mateus, que encerra o sermão da Montanha, quer fazer uma distinção entre quem é e quem não é discípulo de Jesus. O verdadeiro discípulo vive à maneira de Jesus, ouve suas palavras e as põe em prática, mesmo que isso custe algum sacrifício, exija alguma renúncia (por exemplo, renúncia ao ódio, à vingança, à intolerância, ao desprezo e coisas semelhantes). A prudência leva a viver segundo Deus, pois viver Deus é uma escolha sábia. Apenas nesta condição é que você pode rezar com o salmista, dizendo que Deus é o seu abrigo.

 

Se você não lembra, deixe que eu lhe recorde o salmo 30, que nós rezamos na igreja no domingo. Ele diz assim: “Senhor, eu me abrigo em Ti... Sê para mim forte rochedo, casa fortificada que me salva, pois meu rochedo e muralha és Tu: guia-me por teu nome, conduze-me”. Uma bela oração, que só pode ser rezada se você não desistir de viver em sintonia com Deus.

Notícia publicada em 05 Jun 2008 por Padre Ronaldo Menezes
Como Deus nos ama...

Os textos bíblicos deste domingo, 25, são de uma atualidade impressionante e um alento e tanto para aqueles que, cansados de uma aparente ausência de Deus e trôpegos diante das adversidades da vida, dos problemas sem solução e da falta de um socorro imediato, precisam ouvir palavras de conforto, de esperança, de confiança.

 

O autor do salmo 62 parece ter feito o resumo dos sentimentos dos que confiam no amor de Deus, tomando-o como “rocha”, coluna inabalável, onde também nós podemos nos apoiar sem medo. Assim fala o salmista: “Só em Deus a minha alma repousa, dele vem a minha salvação; só ele é minha rocha, minha salvação, minha fortaleza – não tropeço”. Palavras mais belas que estas, que nos devolvem a esperança, não existem.

 

É esta a resposta da fé aos infortúnios que insistem em nos atormentar. Isto se vê na leitura de Isaias. A resposta de Deus à lamentação de Israel, que se sente abandonado pelo Senhor e, por isso, dizia: “O Senhor se esqueceu de mim” é tudo aquilo de que o fraco necessita para continuar a viver, agora se alimentando da fidelidade de Deus.

 

Na aflição, o homem abandonado em seus próprios sofrimentos pode dizer em seu coração atribulado e consciente de suas faltas: “devido às minhas infidelidades à lei de Deus, o Senhor virou as costas para mim”. Isto, porém, não é verdade. Deus não se retira da nossa vida.

 

Diante dos nossos queixumes, Deus, sempre fiel, compara o amor que tem por nós ao amor da mãe pelo filho – terno, leal, abnegado. E diz, pela boca do profeta, que o amor materno é incapaz de desamparar o filho. Mãe que ama não abandona o filho amado. E se este absurdo, por acaso existisse, Ele, o Senhor, jamais abandonaria o seu filho. Ele nunca abandonaria você nem ninguém, em nenhuma circunstância, porque assim como o amor da mãe a compromete diante do filho, de tal modo que tudo o que a mãe possui já pertence ao filho, também Ele já está comprometido conosco para sempre.

 

A exigência é que o nosso coração seja indiviso, pertença apenas a Ele, que não tenha outro senhor. É o cumprimento diário de uma prescrição de lealdade, que diz assim: “O Senhor nosso Deus é o único Senhor! Portanto, amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua força” (Dt 6,4). Ou seja, o amor a Deus em primeiro lugar e acima de tudo, como dizemos na fórmula catequética dos 10 Mandamentos, não é uma escolha que podemos fazer. O amor a Deus é um mandamento que deve estar inscrito em nosso coração e que nos obriga a servi-Lo em tudo aquilo que fazemos. É o que afirma Jesus no Evangelho que lemos neste domingo. Na falta do amor a Deus e na conseqüente ausência do temor de Deus está a origem de muitos males que assolam a sociedade e atingem as nossas famílias. O clima de beligerância, de briga, de guerrinhas pessoais, de intrigas fomentadas por razões tão diferentes e descabidas, que vemos em todo canto, é um evidente sinal de que ainda não se entendeu como Deus nos ama e que nós, amados por Deus, temos um compromisso com essa forma de estar com as pessoas, primeiro com as mais próximas de nós, mas também, quanto for possível, com as mais distantes.

 

A fé em Jesus não é uma capa que podemos usar ou não usar, dependendo da circunstância ou conveniência. É, antes, uma decisão que se incorpora em nossa vida e a transforma em uma vida melhor, que agrada a Deus e constrói uma nova comunidade, constituída de pessoas felizes, abençoadas e confiáveis, porque têm Deus, o Senhor, como fortaleza.

Notícia publicada em 27 May 2008 por Padre Ronaldo Menezes
A semana da Santíssima Trindade

A semana da Trindade foi uma excelente experiência e, ao mesmo tempo, demonstração do que podemos ser quando vivemos guiados por Deus e nos colocamos à disposição do Evangelho de Jesus Cristo, como testemunhas de verdadeiros filhos de Deus. No encerramento da festividade, no dia 18, fiz homilias abordando o mesmo assunto. O texto abaixo é o resumo do que falei nas missas do domingo.

 

O mistério da Santíssima Trindade é o mistério central da fé e da vida cristã. É o mistério de Deus em Si mesmo. Compreendê-lo, entender o que significa é uma tarefa inglória, que está longe de qualquer um de nós alcançar.

 

A profissão de fé no Pai, no Filho e no Espírito Santo é um depósito que devemos guardar no mais profundo do coração como o mais sublime dos mistérios, que não quer ser desvendado, mas, sobretudo, amado e vivido cada dia de nossa vida.

 

Os passos para bem viver este mistério de amor nos foram apontados nas leituras do domingo, extraídas do livro do Êxodo (34,3-9) e da 2ª Carta de São Paulo aos Coríntios (13,11-13). Não me detive no Evangelho, para apresentá-lo melhor numa outra oportunidade. Quis explorar apenas os dois textos acima.

 

Na primeira leitura, depararamo-nos com a atitude de Moisés, caminhando no deserto à frente do povo hebreu, “povo de cabeça dura”, penosamente carregando todos os problemas daquela gente, às vezes má agradecida, exigente, briguenta, afeita minúcias particulares, mas cada um, cada família, querendo para si toda a atenção, todo o cuidado, todos os olhos do chefe Moisés. Coitado! Moisés quase sucumbia a tantas cobranças. É nessa circunstância que ele recorre ao Senhor Deus, que o chama para estar com Ele, na montanha santa. Obediente ao Senhor, Moisés sobe ao monte Sinai, para estar com o Senhor e nele encontrar força e vigor para as tarefas que ainda viriam a lhe exigir empenho.

 

De fato, a obediência ao Senhor, o viver de acordo com Suas leis e Suas normas é sempre uma subida ao monte, levando consigo o peso do dia, o fardo das preocupações, o sangue das dificuldades. Foi o que Moisés fez. É o que nós devemos fazer.

 

A obediência a Deus, o propósito de andar em Seus caminhos, nem sempre fáceis, é a convicção serena e sólida de que o Senhor, quando O invocamos, “desce da nuvem”, vem do céu para ficar perto de nós, como ficou perto de Moisés, talvez na hora de maior peso do dia.

 

A obediência a Deus é a certeza de que podemos invocá-lo sempre e em toda parte, como fez Moisés no monte Sinai, com a liberdade de chamá-lo “Senhor, Senhor, Deus clemente e compassivo, cheio de misericórdia e fiel”, prometendo, com essa oração confiante, além do reconhecimento, ser-lhe igualmente fiel, mesmo em meio aos maiores sofrimentos e adversidades impostos pela vida.

 

A obediência ao Senhor faz da oração um meio de vida, uma maneira de viver, pois o Senhor não se afasta dos que Ele ama, mesmo que sejam lentos em entender os compromissos práticos da fé e do viver na presença do Altíssimo.

 

A obediência a Deus é a segurança de que Ele caminha ao nosso lado nos ajudando a aceitar como propósito diário as recomendações como as que fez São Paulo aos cristãos de todos os tempos, de viver alegres e não ter a vida como um poço de tristezas sem fim; de buscar o aperfeiçoamento diário na prática do bem, da virtude e do bom trato com as pessoas, mesmo aquelas de difícil relacionamento, eliminando, aos poucos, os vícios e até os pequenos defeitos (e que causam um estrago incomensurável ao longo da vida), que nos afastam de Deus e são, muitas vezes, pedra de tropeço para muitos irmãos nossos, exercitando a tolerância, o respeito, a concórdia e uma vida de paz..

 

O Deus da paz não estará conosco se não nos comprometermos, diariamente, na observância das normas que Ele nos fez conhecer, como orientações para uma vida que lhe agrade. O viver nos Seus caminhos é a condição necessária e a garantia da Sua assistência e do Seu auxílio, mas é, principalmente, a visualização da vida para a qual fomos criados.

 

O resultado imediato deste modo de viver é a manifestação clara, sem sombra de dúvida, da nossa fé no mistério mais excelso, mais sublime e nobre, é a proclamação de que acreditamos de fato num Deus misericordioso e fiel no amor por nós. Este é o maior testemunho de que o mundo precisa para voltar a acreditar em Deus e recomeçar a andar em Seus caminhos.

 

O fazer diferente, virando as costas para a Lei divina, é negar a Deus, é renunciar à fé, é escolher o caminho da morte, é dar às pessoas que convivem conosco o direito de não confiarem em nós.

 

O desejo do Apóstolo Paulo deve ser a tônica da nossa vida de cristãos e filhos de Deus, com a renovada esperança de que “a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos”.

 

Notícia publicada em 20 May 2008 por Padre Ronaldo Menezes
Deus caminha ao seu lado

A família tem um lugar especial no coração da Igreja. Sempre teve. A figura do matrimônio é, aliás, como uma linha demarcatória da história da salvação. Não é à toa que a história bíblica, no gênesis, começa não apenas com a criação de Adão e Eva, mas, sobretudo, com a união dos dois abençoada por Deus, como garantia da continuidade do gesto divino de dar a vida, protegê-la, ampará-la. Essa mesma história é concluída, como se descreve no livro do Apocalipse, com as núpcias do Cordeiro.

 

Foi com esse espírito e com essa consciência que realizamos o encontro de casais da paróquia. Trinta e seis famílias foram abençoadas por Deus de um modo bem particular durante o encontro, que foi, certamente, um encontro com Cristo Jesus, o Salvador.

 

Na homilia que fiz no encerramento daqueles dias, recordando as leituras do domingo, disse aos casais que eles tinham passado três dias no Tabor, na montanha sagrada, em profunda intimidade com Deus, escutando-O e conhecendo melhor Seus caminhos. Agora, como Filipe que estivera com os Apóstolos e depois descera à Samaria, estavam eles também descendo à planície, para comunicar o que tinham visto junto de Deus. Muitos iriam escutá-los. Outros, não. Mas, mesmo que o ambiente não fosse favorável, que continuassem a testemunhar o amor de Deus, que haviam experimentado. Aqueles que os escutassem seriam confortados e sentiriam, não tenho dúvida, uma alegria muito grande por ouvir a Palavra de Deus sem nenhuma arrogância.

 

A segurança para esse novo estilo de vida ou nova maneira de viver, como “Casais com Cristo”, é a afirmação de Jesus de que eles não estavam órfãos. Disse isso porque é comum pensarmos, às vezes, que Deus nos abandonou, principalmente quando as coisas parecem não dar certo, e os problemas se avolumam e desafiam a nossa fé. Uma sensação de abandono nos atinge e confrange o nosso peito, a ponto de quase explodir de angústia e não raro de desespero. Nessas horas, devemos estar atentos à palavra do Senhor que nos diz: “Não vos deixarei órfãos. Eu virei a vós” (Jo 14,18).

 

E não só o Senhor virá a nós, mas enviará do Pai um Defensor, o Espírito da Verdade, que acompanhará todos aqueles que vivem de acordo com o Evangelho. Esse Espírito, que esteve presente desde a criação do mundo e nos assiste com os seus dons e suas luzes, chamado, invocado todos os dias, não deixará de vir a nós e nos fazer lembrar que o Senhor caminha à nossa frente, como um guardião que não dorme nem cochila.

Notícia publicada em 05 May 2008 por Padre Ronaldo Menezes
O que nos ensina Emaús

Domingo passado lemos no evangelho uma história de reconhecimento, no famoso relato dos discípulos de Emaús, que abandonam a comunidade primitiva e parecem voltar para os seus afazeres habituais, depois do aparente fracasso de Jesus e da frustração e decepção por tê-lo seguido. Esses seguidores de Jesus retornam abatidos e decepcionados, por que Jesus não cumprira o que prometera. Agora, eles não tinham mais o que fazer na Igreja e, por isso, optam pelo abandono.

 

Enquanto caminham para a aldeia de Emaús, Jesus se aproxima e caminha com eles, sem que eles o reconheçam. No diálogo que se segue, Jesus explica-lhes as Escrituras, para mostrar-lhe uma evidência que só a fé descobre: o Senhor ressuscitado está presente na Igreja através do testemunho da Palavra de Deus, as Sagradas Escrituras. Em seguida, convidado para ficar devido a noite estar chegando, Jesus senta-se à mesa com eles, toma o pão, abençoa-o e o parte e, então, seus olhos se abrem e eles reconhecem que aquele estranho é o Senhor Jesus. De imediato se percebe que Jesus também está na Igreja na forma de comida eucarística, também chamada de “fração do pão” ou ainda de “Eucaristia”.

 

Quando lêem este relato de são Lucas, muitos se perguntam por que Jesus não se faz reconhecer imediatamente àqueles dois discípulos, que parecem estar abandonando a comunidade. Duas são as razões. Primeiro porque Jesus ressuscitado espera que o coração deles se disponha a crescer e a se abrir para ver o desígnio de Deus como foi traçado na Sagrada Escritura. Ou seja, uma leitura atenta, correta da Palavra de Deus nos leva sempre ao encontro com Jesus Cristo. O outro motivo  _ e isso é de fundamental importância para a nossa fé nos dias de hoje _ que nós, que não vimos o Senhor pessoalmente, devemos confiar no testemunho daqueles que o viram e o escutaram (os apóstolos). Nisto deve se sustentar a nossa fé. Este é, aliás, o objetivo da primeira carta de são João, como lemos logo na introdução.

 

Logo que Jesus desaparece, depois de se fazer reconhecer na bênção e distribuição do pão, os dois discípulos têm um diálogo comovedor. Reconhecem que o coração deles ardia enquanto Jesus falava, isto é, havia uma luz em seus corações que dissipava o medo e lhes clareava o entendimento, formando o arcabouço da fé. Esse desaparecimento de Jesus tem um significado. Quer dizer: vocês não precisam me ver para crer em mim nem para sentir os efeitos da minha presença.

 

Voltaram de pronto para Jerusalém com uma vontade enorme de dizer aos outros, sobretudo ao grupo dos Doze, o que lhes tinha acontecido no caminho para Emaús. Queriam dizer “o Senhor está vivo”. E ouviram a confirmação de que o Senhor de fato ressuscitara e “apareceu a Simão”, a Pedro. Não havia dúvida de que Jesus não os abandonara, mas continuava junto deles, aquecendo-lhes o coração e animando cada um no caminho da vida.

 

Conosco acontece algo semelhante quando nos debruçamos nos textos sagrados, especialmente nos santos evangelhos e nos escritos dos apóstolos, e nos reunimos na igreja em torno da Eucaristia dominical. Jesus aquece também os nossos corações e nos anima, fortalece e encoraja no dia-a-dia que cada um vive com fé e perseverança.

Notícia publicada em 11 Apr 2008 por Padre Ronaldo Menezes
Nós temos o espírito de Jesus

A Liturgia da Palavra deste segundo domingo da Páscoa nos apresenta os primeiros movimentos da nova comunidade de Jesus, a Igreja, e nos ajuda a compreender o seu mistério e o nosso lugar dentro da comunidade da nova aliança. Para um melhor entendimento, vou explicar alguns pontos que me parecem mais relevantes neste momento.

 

A comunidade dos discípulos de Jesus, a Igreja, é o lugar privilegiado e indispensável para o encontro com o Senhor ressuscitado. Aqueles que não estão em comunhão com a Igreja, que se afastam dela, não podem ver o Senhor. O exemplo bíblico é Tomé, que não viu o Senhor nem acreditou que Jesus estivera com a nova comunidade, justamente porque ele, Tomé, não estava com os outros. O estar com a Igreja, o estar ligado aos guardiões das promessas de Jesus é condição fundamental para participar dos efeitos dessas promessas. É assim que entendemos as palavras de São Cipriano, bispo de Cartago, quando afirmou que “fora da Igreja não há salvação”. Também é verdade bíblica que só pode confessar Jesus como Senhor e Deus quem está em comunhão com a Igreja, ligado àqueles que conheceram o Senhor e receberam dele a garantia da sua presença.

 

Um segundo elemento muito importante é este outro: Jesus ressuscitado aparece aos discípulos e lhes comunica a certeza de que Deus, o Pai, absolveu o mundo dos pecados, que ele mesmo confessou na Cruz, quando se fez pecado por nós. A conseqüência imediata deste comunicado à comunidade inicial da Igreja, é que a Páscoa é também, e definitivamente, o momento em que o Senhor dá a sua Igreja o poder de perdoar os pecados de todos aqueles que se arrependem e querem viver a vida nova com Deus. Deste modo, Deus, por meio da Igreja, nos transforma em pessoas puras, como “crianças recém-nascidas” (1Pd 2,2). A condição é acreditar em Jesus Cristo ressuscitado, mesmo sem ver, como ele disse ao incrédulo Tomé: felizes os que creram sem terem visto.

 

Mas, além do perdão dos pecados que recebemos mediante a Igreja, é um fato que Jesus nos dá o seu espírito na Páscoa, quando sopra sobre os discípulos e lhes diz: “Recebam o Espírito Santo”. Recordo-me de que Jesus, ao morrer, “entregou seu espírito”, conta-nos são João, querendo com isso dizer que nesse momento o Senhor Crucificado derramou sobre todos os seus discípulos o seu espírito. É desse espírito que estamos cheios e é por ele que somos movidos e assim vivemos.

 

Imagino, então, que a Páscoa de Jesus é renovação da esperança para o mundo, que se afastou demasiado de Deus e anseia por voltar a ele. Deus, que ama a todos, nos colocou no caminho do mundo para facilitar este reencontro. O começo pode ser até tímido, dentro de casa, com os companheiros de trabalho ou mesmo durante o lazer de final de semana. Não importa. O que não devemos deixar de fazer é anunciar as maravilhas de Deus.

 

 

Notícia publicada em 04 Apr 2008 por Padre Ronaldo Menezes
Uma razão a mais para crer...

 

A páscoa é o ponto central da nossa fé. Mas não raro a cena da qual se reveste, a riqueza dos detalhes, passa despercebida. Nestes tempos em que a fé em Jesus Cristo sofre inúmeros bombardeios, creio ser importante que esses elementos sejam lembrados, que os tenhamos diante dos olhos e dentro do coração e que lá encontrem raízes.

 

É bem vivo em nós que Jesus subiu a Jerusalém, oferecendo à Cidade Santa o ideal do Reino de Deus, do qual Ele, Jesus, era o definitivo mensageiro. No domingo de ramos, foi inicialmente aclamado por uma parte do povo. Depois, traído por Judas Iscariotes, foi preso, abandonado pelos discípulos, que fugiram, e, finalmente, deixado só. As autoridades judaicas e romanas julgaram-no às pressas e o condenaram. Mataram-no crucificado. Foi sepultado. Esse é o resumo.

 

O mais interessante nessa trama todo é que Deus, o Pai, parece ter ficado em absoluto silêncio. Não veio em socorro do Filho amado. Não fez absolutamente nada para livrar o Seu Filho da morte. O silêncio de Deus é perturbador. Falo dessa maneira pensando em cada um de nós que rezamos, às vezes implorando uma ajuda divina, um auxílio dos céus, e nenhuma das respostas desejadas nos vem de Deus. São horas desesperadoras essas de orações não escutadas. O silêncio de Deus é, de fato, aterrador.

 

Finalmente, Deus quebra o silêncio. Já vai para o terceiro dia que Jesus morreu. Deus quebra o silêncio no dia de Páscoa. Deus fala pela voz do anjo. E essa voz deve ecoar em todos os corações. A voz de Deus traz uma mensagem bastante atual, que pode ser compreendida assim:

 

·         A morte parece reinar soberana. Aos olhos dos homens ela parece ter a última palavra. Ela põe fim a todas as esperanças e certezas humanas.

·         O sepulcro é o sinal do seu império, da sua soberania. Ele, de fato, põe fim a toda esperança. Diante do sepulcro, tudo se acaba.

·         A pedra do sepulcro parece confirmar o silêncio e a impotência de Deus.

 

É assim mesmo. Tudo parece.

 

De fato, Deus não está em silêncio. Ele está agindo mesmo na morte de Jesus. Quando Jesus desce aos domínios da morte, dizem os evangelhos que muitos mortos ressuscitam e são vistos por várias pessoas. Esta já é uma ação de Deus. Esta ação o revela como fonte de vida. Ou seja, o sepulcro não é maior do que Deus.

 

O sepulcro vazio é a resposta de Deus ao seu suposto silêncio. O evangelista são Mateus conta-nos este movimento divino: “Após o sábado, ao raiar do primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria vieram ver o sepulcro. E eis que houve grande terremoto: pois o anjo do Senhor, descendo do céu e aproximando-se, removeu a pedra e sentou-se sobre ela. O seu aspecto era como o do relâmpago e a sua roupa, alva como a neve” (28,1-3).

 

A experiência singular e maravilhosa das mulheres. Estas, sempre fiéis ao Senhor, foram privilegiadas. Elas viram por primeiro a tumba vazia. São Marcos conta-nos no finalzinho do seu evangelho (16,1-16)

 

Fazendo eco à ação imperativa de Deus, fonte da vida, o Senhor ressuscitado apareceu e se manifestou a vários irmãos. O apóstolo São Paulo conta-nos isso na primeira carta aos Coríntios (15,3-8).

 

Todos os irmãos puderam, depois, participar e partilhar dos efeitos da ressurreição de Jesus. A ida de Jesus até eles, fechados numa sala, com medo dos judeus, é fundamental para que se redescubram como discípulos do Senhor e se sintam como a nova comunidade, a Igreja, herdeira das promessas de Deus, através da qual Jesus continuará a agir e a curar e salvar a todos os que o procuram de coração sincero.

 

Estes são alguns dos motivos que nós temos para crer sempre mais em Jesus Cristo.

Notícia publicada em 02 Apr 2008 por Padre Ronaldo Menezes
Retornando...

Caros irmãos e irmãs da Trindade,

 

Estive um pouco ausente deste nosso encontro semanal, por ocupações que me tomaram um bom tempo. Agora, retomo para não mais interromper. Neste tempo, vivemos momentos muito importantes para toda a comunidade paroquial. Sobre esses momentos, quero fazer alguns breves comentários.

 

Quaresma:

 

Foi um período litúrgico de grande proveito para a paróquia. A via-sacra, que relembrou os passos de Jesus até a cruz, a leituras dos santos evangelhos e a oportunidade da confissão pascal trouxeram muitas bênçãos para todos.

 

Os dois últimos evangelhos, da Samaritana e da Ressurreição de Lázaro, são de extrema proximidade e atualidade. O da Samaritana abordou a questão da constante busca de Deus, que se aproxima de nós para nos conquistar novamente e nos devolver a felicidade. É como se o nosso afastamento de Deus _ devido a vários motivos, O inquietasse e O movesse a nossa procura. O que Ele quer é o consentimento do nosso coração em crer e aceitar o Seu Filho como Redentor e Salvador. Só nele, de fato, temos a salvação. E a vontade Deus é que todos sejamos salvos, como diz são Paulo a Timóteo.

 

Lemos também o texto da Ressurreição de Lázaro. Nesta cena, vemos um Jesus completo. Verdadeiro Homem e verdadeiro Deus. Chora por Lázaro, seu amigo, como qualquer de nós chora por uma pessoa querida que morre. Nós ficamos apenas nas lágrimas. Jesus, ao contrário, chora e, Deus que é, ressuscita Lázaro. Este é o último sinal de Jesus antes da sua paixão. Neste sinal, temos muitas lições a tirar, lições práticas para nossa vida. A morte não termina com nossa esperança, o sepulcro não é o nosso destino. E nenhuma pedra, por grande que seja, impede a ação de Deus em favor dos que Ele ama. Mas isso requer uma confiança inabalável, como a fé manifestada pela irmã de Lázaro, Marta, que não duvidou de Jesus, mesmo vivendo aquele imenso sofrimento pela perda do irmão. Jesus é o Senhor da vida, Ele mesmo é a vida, e quem nele crê, mesmo que esteja morto, viverá. Esta confiança deve fazer parte da vida diária.

 

Semana Santa:

 

No domingo de Ramos, foi muito bonita a procissão que fizemos desde a igreja do Rosário até a praça da igreja matriz, com uma participação muito expressiva dos fiéis. Foram distribuídos dois mil ramos.

 

A missa da Ceia do Senhor, na noite da quinta-feira santa, e a celebração da Paixão, na tarde da sexta-feira santa, foram presididas por Dom Vicente Zico, nosso arcebispo emérito. A igreja estava lotada, como todos os anos acontece, graças a Deus. E foram lindas celebrações.

 

A Vigília Pascal, a maior e a principal de todas as celebrações da Igreja, além de bonita, acredito que tenha trazido muitas bênçãos para a paróquia. Todos os que participaram renovaram as promessas do santo batismo. É o dizer diante de Deus: o Senhor pode contar comigo sempre, como sei que o Senhor está comigo todos os dias e caminha ao meu lado, como um Guardião.

 

Como vêem, fomos muito abençoados. Deus seja louvado. Amém.

Notícia publicada em 31 Mar 2008 por Padre Ronaldo Menezes
Jesus Cristo nos basta...

 

O terceiro domingo da quaresma trouxe-nos um belo evangelho, o da Samaritana, com uma mensagem indiscutivelmente atual. Nas seis missas que celebrei com a comunidade, presidindo, expliquei este evangelho a partir da imagem que ele nos sugere, e que quero agora compartilhar com você.

 

A mulher samaritana representa todos aqueles que andam a procura de Deus, mesmo sem o saber. Lembra aquele salmo que diz: “minha alma tem sede de Deus, pelo Deus vivo anseia com ardor”. O poço é a oportunidade, a ocasião que cada de nós tem de encontrar elementos para a descoberta de Deus, sobretudo nas profecias antigas, que anunciavam a vinda do Messias, quando o tempo da espera se completasse. Os cinco maridos que a samaritana tivera são o resultado das buscas, da procura; na ânsia por algo que a satisfizesse, agarrou-se a tudo que lhe aparecera como verdade ou felicidade, que, até, em dadas circunstâncias, podem ter trazido um pouco de alegria e de felicidade, mas tudo passageiro.

 

Jesus é o Messias anunciado pelos profetas, aquele de quem a Lei de Moisés falara, o Emanuel predito por Ezequiel, mas ainda desconhecido daquela mulher. Um fato interessante é este: a samaritana estava à procura de Deus e Deus já a encontrara, como a dizer “Deus nos encontra primeiro”.

 

Um dado deste evangelho que frequentemente passa despercebido é “cântaro”, o pote, que a mulher deixa de lado, sem pegar a água, para correr à cidade e anunciar o seu encontro com Jesus. De fato, a fé em Jesus Cristo nos obriga a deixar todas as coisas que nos afastam de Deus e pareciam ser importantes para nós. O cântaro representa essas coisas antigas, práticas religiosas inadequadas, superstições. Cristo nos basta. Não precisamos de mais nada, quando nos encontramos com o Senhor Jesus. Ele é o nosso Salvador.

 

Este tempo da Quaresma é uma ótima oportunidade para conhecer melhor a vida e a mensagem de Jesus de Nazaré e fazer a experiência que modificou a vida da mulher samaritana e de tantos outros que se deixaram cativar por Cristo.

Notícia publicada em 27 Feb 2008 por Padre Ronaldo Menezes
Fomos criados para Deus e para a felicidade

 

O primeiro domingo da Quaresma nos trouxe uma belíssima mensagem, que, às vezes, passa quase esquecida, tantas são as coisas que buscamos com todo empenho. A leitura do livro do Gênesis, que narra a criação do homem e a origem do mal, afirma com uma clareza impressionante que fomos criados para Deus e para a felicidade. Somos criaturas de Deus e destinados, desde a nossa origem, à felicidade. A imagem bíblica usada pelo autor sagrado foi esta: Deus colocou o homem em um jardim “em Éden”. A palavra “Éden” também significa “jardim”. Ou seja, Deus nos colocou num jardim dentro de outro jardim. Tanto cuidado e ternura divinas só tem uma explicação: Deus não quer outra coisa para nós do que a nossa felicidade.

 

O problema consiste, todavia, nas nossas escolhas. O texto sagrado diz que o Senhor plantou no meio do jardim duas árvores, a árvore da vida e a árvore do conhecimento do bem e do mal. A primeira árvore é de clara significação. Ela é a Lei de Deus e os que lhe são obedientes, os que vivem de acordo com os preceitos divinos, esses alcançam a imortalidade, a vida eterna. Aqueles que, ao contrário, rejeitam a intermediação de Deus e se recusam a viver de acordo com os mandamentos divinos, achando que perdem a liberdade, esses se alimentam dos frutos da segunda árvore. Esta árvore representa a soberba e a auto-suficiência humana. A conseqüência da escolha pelos seus frutos é o afastamento de Deus, uma vida de pecado, a morte eterna.

 

A tentação se mostra na figura da serpente, que, na vida real, se apresenta não como serpente, mas como deliciosas oportunidades de liberdade absoluta, de facilidades, mesmo que estejam comprometidos o respeito, a ética, o correto, a moral. Então Deus é jogado ao escanteio da vida e das escolhas que se propõem levar imediatamente ao jardim das delícias humanas.

 

Uma outra lição nos vem do evangelho, que narra as tentações de Jesus no deserto da Judéia. Também Jesus foi tentado por Satanás, que usou como arma a Palavra de Deus, dizendo ao Senhor que algumas das suas atitudes poderiam ser justificadas pela própria Sagrada Escritura. Inegavelmente um belo truque. O Senhor Jesus se socorre das Santas Palavras, com uma diferença.

 

Enquanto o Diabo manipula a Palavra de Deus, invertendo o seu sentido, o Senhor Jesus mantém-se fiel ao conteúdo da Palavra Divina. É a sua fidelidade ao Pai que o fortalece no combate contra o mal e o torna vencedor.

 

Diante disso, só posso lhe dizer uma coisa: se você quer, de fato, entrar no jardim que Deus lhe preparou e ser feliz, como ele quer que você seja, só há uma caminho, o do cumprimento da Palavra de Deus, o da obediência aos ensinamentos de Jesus, mesmo que isso pareça ser ingenuidade aos olhos de quem escolheu se alimentar da árvore do bem e do mal. E não tenha medo da sua escolha. Deus jamais desampara os seus filhos.

Notícia publicada em 14 Feb 2008 por Padre Ronaldo Menezes
Festa da Epifania do Senhor

A tradição popular chama a festa da Epifania de “festa de Reis” ou “dia de reis”. Nos interiores, ainda se cantam folias na madrugada do dia 6 de janeiro e os foliões, após a cantoria, recebem presentes das famílias, que abrem as portas para acolher e presentear os cantores da madrugada. A cidade perdeu,infelizmente,essa bela tradição,mas mantém outra, a de desarmar os presépios, anunciando, com isso, o fim das celebrações natalinas.

Na liturgia da Igreja, a festa da Epifania é celebrada no 2º domingo após o Natal do Senhor, e possui um significado preciso: representa o aparecimento de Jesus Cristo,o Filho de Deus, que se dá a conhecer ao mundo, como o Salvador. Esse aparecimento se dá em três momentos distintos, na história da salvação.

O primeiro momento é o que se celebra no dia 6 de janeiro, quando o Senhor se revela aos magos vindos do Oriente, como está escrito no evangelho de são Mateus (2,1-12). A segunda revelação se dá perante são João Batista, por ocasião do batismo no rio Jordão e o terceiro, no início da vida pública, com o milagre de Caná, na Galiléia.

O que Deus tem a lhe dizer com essa festa? Sem muito esforço,você pode descobrir imediatamente. Aquele que parecia escondido na gruta de Belém, denunciado apenas pela luz da estrela, foi revelado a todos nós, especialmente a você, como Salvador, a Luz que irradiou sobre a sua vida e lhe iluminou a existência, clareou os caminhos por onde deve andar, agora como filho de Deus.

Se você quer ser feliz e ter paz, deve aceitar em seu coração a “Luz que veio ao mundo” e não fazer como aqueles do tempo de Jesus Menino que “preferiram as trevas à Luz, porque suas obras eram más” (Jo 3,1). O mal não tem apoio, a maldade não tem justificativa que a sustente. Como diz são João na sua primeira carta, “Deus é Luz”, “Deus é amor”. Os magos que vieram do Oriente, foram atraídos pela Luz. A Luz atrai. Assim também os filhos da Luz atraem as bênçãos que Deus quer e pode oferecer a todas as pessoas de boa vontade. Revestir-se da Luz e, portanto, uma necessidade. Faça essa experiência e deixe Deus guiar os seus passos, a sua vida, o seu trabalho, até os seus projetos pessoais, e verá que Ele não deixará de corresponder.

Epifania tem ainda um outro sentido, não muito diferente do primeiro que acabamos de ver. Você também pode manifestar ou apresentar aos outros esse Deus bom e maravilhoso, que você descobriu no Natal. Nós somos portadores desse Deus que ilumina nossa vida.

Meus votos neste início de ano é que você seja iluminado por Deus e ilumine, por sua vez, aqueles que Deus lhe confiar, seja na família ou no trabalho.

Feliz e abençoado ano de 2008.

Notícia publicada em 07 Jan 2008 por Padre Ronaldo Menezes
Cristo nos renova

 

Estamos na “semana santa” do Natal de Jesus. Não sei se você percebeu, mas neste período tudo fica um pouco diferente do resto do ano, dos outros dias normais. Todos sentimos o efeito dessa transformação. A cidade, em grande parte, se despiu do sol abundante das nossas tardes e se revestiu das luzes que enfeitam as fachadas das residências, dos prédios, das copas das árvores. Até a fachada da nossa igreja se enfeitou para esperar pelo Natal; ficou muito mais bonita, como fica tudo o que é envolvido pela luz. Creio que isso é um pouco do que o Natal é capaz de fazer, ou seja, renovar. Com efeito, Cristo nos renova.

 

Essa renovação consiste, sobretudo, no modo de ver as coisas e de viver. Os que são tocados por Cristo, os que se deixaram envolver pela luz do seu nascimento, esses vêem o mundo e as coisas criadas, a natureza e as pessoas, com os olhos da fé, criando uma relação diferente, pautada no respeito. A falta de fé leva ao desrespeito e à conseqüente destruição do que é verdadeiramente importante, isto é, leva à desunião, à briga, provoca malquerença, insinua desconfiança, facilita as infidelidades, estabelece inimizades, traz sofrimento, dor e é a causa de um dos maiores males da vida moderna, a solidão.

 

Os renovados por Cristo vivem de uma maneira marcante no mundo. O apóstolo Paulo diz como vivem os cristãos. Escreve ele: “Com efeito, a graça de Deus se manifestou para a salvação de todos os homens. Ela nos ensina a abandonar a impiedade e as paixões mundanas, e a viver neste mundo com autodomínio, justiça e piedade” (Tt 2,11-12). A renovação trazida pelo Natal _ a luz que desceu do alto e nos envolve _ nos faz rejeitar, renegar, jogar para longe de nossas vidas, de uma vez para sempre, a tentação da irreligiosidade, isto é, o querer ou teimar viver sem Deus e deixar-se conduzir pelos excessos em todos os sentidos.

 

A vida nova em Cristo é aquela de “autodomínio, justiça e piedade”. Observe que a “justiça” está no meio. Por que será? Porque ela é a virtude reguladora, que deve moldar todos os nossos relacionamentos, sejam eles familiares ou profissionais. Ela é o fundamento da paz. Em seguida, temos o “autodomínio”, que é o controle e a disciplina que devemos exercer sobre os nossos desejos e impulsos, valorizando as coisas que estão ao nosso redor de acordo com a sua importância. A piedade de que fala o apóstolo significa ter Deus como companheiro e amigo, gostar de estar com Ele, de rezar, a exemplo dos grandes heróis das Sagradas Escrituras – Abel, Henoc, Noé, Abraão, Moisés, Josué, Gedeão, os profetas, Nossa Senhora, os apóstolos. Os santos não foram santos por acaso, sem esforço, sem este empenho para viver de acordo com o autodomínio, a justiça e a piedade.

 

O mundo não está do jeito que Deus quer. Há muito sofrimento, dor, angústia. As guerras não cessam. As apelações para uma vida sem Deus são muitas e atraentes. As trevas parecem cobrir a terra. O Natal traz a esperança de que as coisas possam ser diferentes, se nós, que cremos em Jesus Cristo, nos revestirmos com as vestes da luz e brilharmos com as nossas obras.

 

Tenha um feliz Natal, um verdadeiro e santo Natal, cheio de luz e de paz.

 

Notícia publicada em 21 Dec 2007 por Padre Ronaldo Menezes
Fomos chamados a ficar perto de Deus

 

Começamos o tempo do advento, em preparação à grande e belíssima festa do nascimento de Jesus, o Natal. Este é um tempo de ternura e de re-encontros. Veja qual o convite que Deus lhe faz, a partir de hoje.

 

Os textos sagrados do primeiro domingo do advento, extraídos das profecias de Isaias (2,1-5), da carta de São Paulo aos Romanos (13,11-14) e do Evangelho de São Mateus (24,37-44), são um convite à vigilância. Os dias atuais, de grandes provações para os tementes a Deus, e os sinais que estão aparecendo, não podem passar despercebidos, nem deveremos vivê-los como nos dias de Noé, antes do dilúvio.

 

Confesso que algumas coisas que estão acontecendo ao nosso redor me assustam e causam uma certa preocupação. O pior é que muita gente não está se dando conta da gravidade da situação. E, talvez por isso, muitos continuam a viver sem levar em consideração a advertência da Palavra de Deus, deixando-se contaminar pelas obras das trevas e se afastando, cada vez mais, do esplendor da luz.

 

O advento nos convida a reprogramar a nossa vida a partir da fé em Deus. O segredo de uma vida realmente feliz está no retorno a Deus – na escuta da Sua Palavra, no cumprimento dos seus preceitos, na decisão de não fazer contrário aos mandamentos divinos. Essa é a condição para se vencer as hostilidades deste mundo e dos filhos da tentação.

 

Esta é uma excelente oportunidade para nós nos revestirmos das “armas da luz”, como escreve São Paulo, evitando todos os tipos de excessos. Os exageros o próprio Apóstolo dos gentios diz quais são – excesso de comida, excesso de bebida, devassidões, libertinagens, discórdias, ciúmes. Não podemos ser escravos dessas coisas.

 

O evangelho é muito sábio ao comparar o nosso mundo com o mundo do tempo de Noé, quando as pessoas vivem em uma festiva inconsciência. E veio o dilúvio e arrasou com o sonho dos homens. Recordo também uma outra passagem bíblica, a da torre de Babel (Gen 11, 1-9). A Bíblia conta que nesse tempo, as pessoas recusaram o arbítrio de Deus e resolveram confrontar-se com Deus. O resultado todos conhecem: confusão, briga, discórdia, divisão, dispersão. Valeu a pena brigar com Deus e se afastar dos seus caminhos? Acho que não.

 

O convite, portanto, está feito. A decisão de ficar perto de Deus ou de se afastar das suas orientações está em nossas mãos. Meu conselho: escolhamos ficar perto dele, pois para isto fomos chamados.

 

Notícia publicada em 06 Dec 2007 por Padre Ronaldo Menezes
Os maus perecem diante de Deus

A liturgia deste domingo, 18 de novembro, me fez pensar bastante sobre os últimos acontecimentos, que chegam a nos causar espanto. Terremotos, maremotos, tufões, aquecimento da terra e inundações, pessoas desabrigadas, famintas, doentes, guerras entre países, guerrilhas dentro de países _ nas cidades e nos campos. Meu Deus, o que está acontecendo? Sabemos que ainda não é o fim, mas isso já é muito para todos nós.

 

Quando reli o evangelho, pensando no que iria abordar nas homilias, fiquei pensativo e até preocupado. Não que eu seja fatalista. Mas são muitas as coincidências. E o mais chocante é que poucos estão se dando conta da gravidade da situação e da necessária e iminente intervenção de Deus.

 

Foi inevitável recordar-me dos dias que antecederam ao dilúvio, como lemos no livro do Gênesis. Tremo quando leio o texto que diz que “Deus viu que a maldade do homem era grande sobre a terra, e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração” (6,5). Vivemos dias semelhantes. Há um quase total afastamento de Deus. Faltam testemunhos como os de Eleazar que preferiu a morte a desobedecer a Lei de Deus, carecemos de santos que se imponham às meras convenções humanas.

 

O evangelho de são Lucas conservou o discurso do final dos tempos, proferido por Jesus no Templo de Jerusalém. Entre as tantas coisas que nos chamam a atenção, uma é preocupante, porque nos atinge como sociedade moderna. A destruição de Jerusalém, predita por Jesus, foi em conseqüência da sua recusa de receber e aceitar a salvação trazida por Jesus. Essa rejeição lhe foi catastrófica. É perigoso rejeitar a Deus. Corremos o risco de merecer o mesmo sentimento que Deus teve nos dias que precederam a grande inundação descrita no Gênesis: E “Deus arrependeu-se de ter feito o homem sobre a terra, e afligiu-se o seu coração” (6,6).

 

Mesmo que tantas coisas ruins estejam acontecendo ao nosso redor e até pareça que Deus está ausente do nosso mundo, e paire um ceticismo quanto à sua justiça, não podemos, com essa justificativa, percorrer o caminho da infidelidade à Lei de Deus, como fazem os que negam a fé e vivem segundo o próprio arbítrio.

 

Lembremo-nos da advertência do profeta Malaquias, que ouvimos na Igreja. No “dia do Senhor”, ou seja, no dia da intervenção divina (não necessariamente no fim do mundo), os soberbos, malfeitores, arrogantes e “todos aqueles que praticam a iniqüidade serão como palha. O Dia que vem os queimará de modo que não lhes restará nem raiz nem ramo” (3,19).

 

Mas há esperança. Aliás, os textos que escutamos na Liturgia da Palavra são um convite à esperança. Os graves problemas, as dificuldades, os desafios, as tribulações, os sofrimentos, nem mesmo as perseguições nos devem desanimar ou diminuir a fé ou a confiança em Deus. Recordemo-nos das palavras ainda do profeta Malaquias: “Mas para vós que temeis o meu nome, brilhará o sol de justiça, que tem a cura em seus raios (v.20).

 

Tenhamos presente, sobretudo, a palavra segura de Jesus, como ouvimos no evangelho: “Mas nem um só cabelo de vossa cabeça se perderá. É pela perseverança que mantereis vossas vidas” (Lc 21,18-19). Em outras palavras, Jesus nos quer dizer: não tenham medo!

 

Paz e bem a todos.

Notícia publicada em 21 Nov 2007 por Padre Ronaldo Menezes
Fomos feitos para Deus

As leituras bíblicas da missa do domingo abordaram um tema muito em voga, que aparece constantemente nas novelas brasileiras, fazendo parecer que o assunto é de interesse nacional, mesmo sendo a população do país de maioria católica. Essas novelas têm abordado, com certa insistência, o tema da reencarnação. O propósito, não tenho dúvida, é criar confusão na mente e no coração das pessoas, que podem vir a acreditar que a redenção é conquistada pelo esforço pessoal. Essa doutrina, que se apresenta muito atraente, por oferecer pretensas respostas às situações limites, como o sofrimento e a morte, nega frontalmente o que está escrito na carta aos hebreus: “é fato que os homens devem morrer uma só vez” (9,27). Além de negar a Palavra revelada, a doutrina da reencarnação também nega que Deus queira e possa salvar, já que, pelas sucessivas reencarnações, é o próprio homem quem se redime, não necessitando, portanto, de alguém que lhe expie os pecados. Ou seja, recusa Jesus como Salvador e rejeita o seu santo sacrifício redentor.

 

Mas, a bem da verdade, os textos sagrados que lemos, não tratam da reencarnação, mas da imortalidade da alma e da ressurreição. E é este assunto que nos interessa.

 

A primeira leitura, extraída do segundo livro dos Macabeus, narra a história da morte de sete irmãos, por se terem negado violar a Lei de Deus, por que preferiram obedecer a Deus do que a vontade do homem. O que motivou e encorajou esses jovens mártires foi a esperança na imortalidade e na ressurreição. Fica clara essa certeza quando um deles diz: “É desejável passar para a outra vida às mãos dos homens, tendo da parte de Deus a esperança de ser um dia ressuscitado por ele” (7,14). E afirma qual o destino dos que negam a Deus e se recusam a se submeter às suas leis e preceitos: “Mas para ti, ao contrário, não haverá ressurreição para a vida”.

 

Jesus, no Evangelho, reafirma a certeza da ressurreição, contra o descrédito dos saduceus, dizendo que o nosso Deus não é o Deus dos mortos, mas dos vivos. Isso quer dizer a nossa vida não se reduz ao horizonte desta existência terrena, e que a morte não nos joga no desconhecido. Somos ressuscitados por Deus, chamados para uma vida nova, plena diante dele. Ou seja, não somos destinados a uma peregrinação eterna entre este mundo e o outro. O nosso lugar é junto de Deus, pois fomos feitos para Ele.

 

A esperança na ressurreição determina, de modo soberano, a nossa vida na terra. Alegria, bondade, retidão, honestidade, tudo isso em nós é conseqüência da fé que temos na ressurreição. Essa é também a nossa missão diante dos outros. Somos instrumentos de Deus para a conversão ou o retorno a Deus dos que um dia perderam a fé e se afastaram do Paraíso.

 

Uma semana abençoada a todos.

Notícia publicada em 13 Nov 2007 por Padre Ronaldo Menezes
A força da fé

Por motivo de saúde, tenho estado pouco com você. Mas a minha ausência não impede que você esteja em meu coração e nas orações que faço a Deus, nosso Pai, rogando que o proteja e defenda de todos os males e perigos.

 

No domingo que passou, presidi duas celebrações eucarísticas, nas quais também preguei. Quero agora compartilhar minhas reflexões sobre a Palavra de Deus, que escutamos na nossa igreja. O tema foi a oração, o poder da oração e os frutos que nosso Pai concede aos que rezam com fé.

 

Expliquei o texto do livro do Êxodo, que narra o episódio da batalha dos hebreus contra os amalecitas. Este povo era uma tribo nômade, violenta e agressiva, que se opunha à entrada dos israelitas na Terra Prometida (Dt 25, 17-19). Era o pior inimigo dos hebreus.

 

A cena da batalha é a seguinte: Josué vai combater Amalec, enquanto Moisés, Aarão e Hur sobem à montanha para rezar. Moisés é o intercessor, canal e instrumento do povo perante Deus. Moisés ergue as mãos e reza. Enquanto ele está de mãos levantadas e rezando, Josué leva vantagem na batalha. Quando abaixa a mão, cansado, Amalec vence. Exausto, Moisés não pode ficar com os braços levantados até a vitória final de Josué. Então, Aarão e Hur sustentam os braços de Moisés, que intercede por Josué, que vence a batalha. Veja se este não é um retrato das nossas batalhas diárias, cheias de inimigos de todas as espécies, de desânimo, cansaço, mas também com fortes sinais da presença de Deus.

 

Agora vamos ver o ensinamento do texto sagrado: Josué venceu Amalec, o seu pior inimigo, enquanto Moisés rezava por ele. Neste caso, como em nossa vida, a vitória contra um poderoso inimigo se deve mais à ação de Deus, que atende nossa oração e vem em nosso socorro, do que ao esforço que fazemos, por mais corajosos que sejamos. Sem Deus, não somos nada. E mais ainda. É preciso fazer como Moisés. É preciso invocar o verdadeiro Deus, rezar continuamente, sem interrupção, buscando em Deus a nossa força.

 

Jesus contou uma história parecida, “sobre a necessidade de rezar sempre sem desanimar”, para obter a graça e o auxílio de Deus. Contou a parábola da viúva e do juiz injusto, que não temia a Deus nem respeitava o homem.

 

A explicação da parábola é simples. Se um juiz insensível atendeu aquela viúva e resolveu o problema dela, Deus, que é nosso Pai, deixaria de nos atender, nós que somos seus eleitos? Não, não deixaria.

 

Esses dois textos nos ajudam a entender o poder da oração, principalmente nestes dias cheios de hostilidades, problemas, perseguições, coisas que nos abatem, desanimam, sobretudo porque nós também rezamos, mas, Deus, parece, não escuta nossas preces. Os textos sagrados nos mostram o contrário.

 

Então firmamos uma convicção. Deus não nos abandonou nem ficou insensível aos nossos apelos. Ele tem um tempo próprio para agir e agirá no tempo oportuno. A nossa atitude, porém, não deve mudar. Não devemos perder a fé nem desanimar diante das adversidades. Rezar sempre e confiar em Deus é o que devemos fazer.

 

Quero terminar lembrando as palavras do salmo 120, sobre a fonte do nosso socorro: “O meu auxílio vem do Senhor que fez o céu e a terra”. De fato, é “o Senhor quem te guarda, o Senhor está ao teu lado, Ele é o teu abrigo ... O Senhor te defende de todo o mal, o Senhor vela pela tua vida”.

 

Ou seja, confie n’ Ele. Confie em Deus.

Notícia publicada em 25 Oct 2007 por Padre Ronaldo Menezes
O homem de Deus vive de Deus

Por dificuldades pessoais, não participei das missas em nossa querida comunidade paroquial da Trindade e, por isso, não pude estar com você. Mas sei que Deus, nosso Pai de bondade, não lhe poupou bênçãos e graças nas celebrações do domingo. Quero partilhar, agora, embora brevemente, a reflexão que faria nas celebrações do último fim de semana.

 

Dois pontos me chamaram a atenção. Primeiro, o que São Paulo escreveu na carta a Timóteo. A sua orientação nos deve perseguir a semana toda: “Tu, homem de Deus, pratica a justiça e a piedade, a fé e a caridade, a perseverança e a mansidão. Combate o bom combate da fé, conquista a vida eterna, para a qual foste chamado e sobre a qual fizeste tão bela profissão de fé perante numerosas testemunhas”. Se você se fixar nas palavras do Apóstolo, ele traça o perfil do cristão e define o comportamento do discípulo de Jesus, para todos os tempos, inclusive para os nossos dias. Neste caso, os pretendem ser salvos e desejam ter os seus nomes inscritos no Livro da vida, devem observar os preceitos do Senhor, distinguindo-se diante de “numerosas testemunhas” pela vida exemplar, tanto pessoal, quanto familiar e profissional, mesmo que se sintam “fora de lugar” ou pareçam diferentes dos outros. Eu posso lhe assegurar que você é, de fato, diferente, porque você é uma pessoa de Deus, e não pode ser igual a alguém que não é de Deus.

 

O segundo elemento para a reflexão de hoje encontro-o no Evangelho de São Lucas (16, 19-31), que foi lido nas missas do domingo. Conta a história do homem rico e festeiro e do pobre Lázaro. Este Evangelho não diz muita coisa da vida dos dois, mas põe em relevo o comportamento pessoal diante dos bens oferecidos por Deus. Não se deve considerar a idéia absurda de que a riqueza é perniciosa e má. O que importa para o autor sagrado é o reto uso dos bens temporais, todos eles dons de Deus. O ensinamento de Jesus é bem direto quanto a isso. Os bens que adquirimos, através do nosso esforço e trabalho, continuam sendo propriedade de Deus e não temos o direito de usá-los sem considerar o propósito que Deus lhes destinou. Ou seja, tanto os homens quanto os bens que vierem a possuir têm uma finalidade e os bens, de modo especial, devem contribuir para a nossa salvação. De outra maneira, podemos dizer que as coisas que possuímos não deveriam nos afastar de Deus, mas nos aproximar Dele.

 

Algumas pessoas são surdas a estas orientações divinas e se imaginam detentoras de tudo, as verdadeiras donas das “suas” riquezas. Grande engano. Perguntamo-os, então, sobre o modo correto de viver. A resposta que nos vem do Evangelho consiste em acolher no coração a Palavra de Deus, deixar que ela crie raízes em todas as dimensões e em todos os setores da vida, pois apenas Ela (a Palavra do Senhor) pode corrigir as opções erradas tomadas, às vezes, no afã de um momento de entusiasmo, euforia ou do turvamento momentâneo do coração. Não acredito que alguém escolha o errado, inclusive o modo de viver, sabendo que o futuro divino _ aquele do qual ninguém escapará _ cobrará um preço alto demais. Deus não quer isso para nenhum dos seus filhos.  O homem de Deus deve viver de acordo com as orientações de Deus.

Notícia publicada em 04 Oct 2007 por Padre Ronaldo Menezes
Somos filhos da luz

    O Evangelho de domingo nos apresenta uma parábola tida como difícil, mas bastante atual. É a famosa história do administrador imprudente, que foi demitido pelo patrão, contada por são Lucas 16,1-13. Algumas cenas nesta parábola são muito interessantes. Note que o administrador não se defende. Ele sabe que o seu patrão está certo e que suas informações são verídicas. Veja ainda o raciocínio que ele faz acerca do seu futuro. A terceira cena é o desmascaramento do seu sistema de fraude e corrupção, ele se obrigando a receber dos devedores do seu senhor os valores reais sem a “comissão” que ele tinha embutido no empréstimo.

     O mais intrigante da parábola é que Jesus elogia esse administrador porque “agiu com esperteza”, como se o Senhor estivesse aprovando aquela conduta desonesta. Todavia, o texto sagrado não diz isso. Jesus, de fato, faz um elogio, mas não à conduta do administrador, e sim à sua sagacidade, à astúcia. E conclui sentenciando aquele homem, pois o coloca no grupo distinto dos “filhos deste mundo”, em oposição aos “filhos da luz”. Ou seja, não há aprovação, mas condenação, como, aliás, já sentenciara o profeta Amós no texto da primeira leitura, ao falar dos exploradores e defraudadores: “O Senhor jurou pelo orgulho de Jacó: não esquecerei jamais nenhuma de suas ações” (8,4-7).

    O administrador fez, de fato, duas coisas: tomou decisão firme no que deveria fazer e agiu com inteligência e astúcia ao renunciar os benefícios imediatos que teria com os acréscimos feitos (a tal comissão) usando os bens do patrão. O objetivo é claro: queria salvar-se da desgraça terrena. O ensinamento de Jesus aos discípulos é outro: os seus seguidores, de todas as épocas, devem usar as suas qualidades, a sua inteligência, as suas funções e cargos, o seu dinheiro, os seus bens todos, para pôr a salvo a sua vida terna. Lembro-me, agora, de um ensinamento de Jesus: de que adiante o homem ganhar o mundo inteiro e perder a alma. Não compensa. Os filhos da luz pensam de outro modo. Nós somos filhos da luz.

    Vejo todos os dias pessoas sofrendo devido a um mau gerenciamento da vida, do tempo, escravas das preocupações materiais, pondo em risco bens de altíssimo valor, como a família – a esposa ou o esposo, os filhos, os pais. Acreditam que as “comissões” que usufruem, sejam elas quais forem, valem o sacrifício, até o dia em que se vêem no aperto vivido por aquele administrador incompetente, quase num “beco sem saída”. Nem toda situação aparentemente vantajosa é, com efeito, vantajosa. Às vezes, é uma vitória de Pirro. No balanço geral, você mais perde do que ganha.

    O mais grave é que, por razões diversas, muitos ainda insistem apenas numa visão de mundo, que descarta Deus e suas Escrituras. A redução da vida ao mundo físico é por demais perigosa. Quando a corda que sustenta essa visão é quebrada, bate à porta o desespero e só então se recorre ao conforto das Escrituras, numa busca desenfreada de Deus.

     Não precisaríamos chegar a este ponto. Eu sei que é difícil abrir mão da vontade de decidir, da autonomia, do querer andar sozinhos. Renunciar a essa usurpação é, para muita gente, um tipo de morte. O que fazer diante disso? Descobrir em Deus a fonte da vida. Tê-lo sempre presente e tudo fazer para a glória do seu Nome.

    Como encontrar a Deus? Se você O desejar, Ele já encontrou você e lhe deu o prêmio da eternidade feliz. O resto, você descobrirá neste dito de Jesus: buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça; tudo o mais vos será dado por acréscimo. E sem precisar defraudar, roubar, enganar, trapacear, ludibriar, iludir, trabalhar 24 horas por dia (só o necessário) e renunciar à sua família, aos seus filhos, à companhia das pessoas que você ama e dos quais deve estar perto. Confie em Deus.

Notícia publicada em 25 Sep 2007 por Padre Ronaldo Menezes
O que é a misericórdia divina

Abordei nas homilias do domingo passado a questão da misericórdia, como nos foi apresentada pelos textos sagrados. A história do bezerro de ouro, narrada no livro do Êxodo, e as duas parábolas de Jesus contadas por são Lucas, sobretudo, no capitulo 15 desse Evangelho, nos deram uma amostra do agir divino, e aumentaram em nós a certeza de que a fidelidade de Deus à promessa de nos amar “com amor eterno” resiste à maior de nossas infidelidades, resiste a qualquer pecado que tenhamos cometido.

Em nossa vida pessoal, carregamos um mal que nos corrói a alma: facilmente esquecemos do bem que nos fizeram. Às vezes, guardamos a mágoa, o ressentimento, o ódio, para sempre. Mas o bem é, logo, esquecido. Não foi diferente com o povo que Deus tirara do Egito, com mão forte e braço poderoso. No pouco de tempo que Moisés ficou longe, no Monte sagrado, enquanto o Senhor o instruía e lhe entregava as Tábuas da Lei, o povo idolatrou o bezerro de metal, o que provocou a ira de Deus. A bondade de Deus foi abruptamente esquecida. Ficou a bruma da aparente ausência do Senhor.

Falta de atenção grave esta, que cometeram nossos antepassados e na qual nós também podemos incorrer. Seria bom lembrar o que nos ensina o livro do Deuteronômio: “Apenas fica atento a ti mesmo. Presta muita atenção em tua vida, para não te esqueceres das coisas que teus olhos viram, e para que elas nunca se apartem do teu coração, em nenhum dia da tua vida. Ensina-as aos teus filhos e aos teus netos” (4,9). Não prestaram atenção e, por isso, tornaram-se “uns desgraçados” (Sb 13,10) porque puseram “sua esperança em seres mortos, estes que chamam deuses a obras de mãos humanas, ouro, prata, lavrados com arte, figuras de animais, ou uma pedra inútil, obra de mão antiga”. Todavia, diante da ira de Deus, é bom recordar o que no texto é mais evidente e importante, a intercessão de Moisés e o que ele disse a Deus: “Lembra-te dos teus servos Abraão, Isaac e Israel, aos quais juraste por ti mesmo” (Ex 32,13). Moisés apela para a fidelidade de Deus à Aliança. Deus, então, desiste da ira e poupa o seu povo. Isso é misericórdia, uma vontade imensa de salvar. Esta é, de fato, a única vontade de Deus a nosso respeito. E é essa fidelidade de Deus a si mesmo e a nós que nos mantêm vivos.

Mas parece que isso não é suficiente. Ainda pensamos, muitas vezes, que ninguém nos ama ou que não somos capazes de amar verdadeiramente alguém. Pensamos que Deus desiste tão facilmente de nós como desistimos dele. Com efeito, basta um problema qualquer, uma dificuldade, uma desilusão, uma doença, uma perda, e nós deixamos Deus, não queremos saber de rezar, não vamos mais à igreja. Simplesmente, desistimos de Deus e renunciamos a todos os sentimentos que ele tem por nós.

Nem a propósito, as duas parábolas que lemos na santa missa nos fazem recobrar o bom senso. São Lucas conta a história do homem que possuía cem ovelhas e perdeu uma. Deixando as noventa e nove, foi à procura daquela que se perdera. Narra também a história da mulher que havia perdido uma moeda e meteu-se a procurar até encontrá-la. Nos dois casos, tanto o que encontrou a ovelha perdida quanto a que recobrou a moeda fizeram uma festa, convidando vizinhos e amigos.

Qual a lição destas parábolas? Deus nos ama independentemente de nós mesmos. Ninguém é dispensável para Deus. Ninguém é esquecido por Deus. Deus é capaz de mover o mundo, Deus é capaz de brigar com todos, Deus se esquece de Si mesmo, quando está em jogo a nossa vida, a nossa paz, a nossa liberdade, a nossa salvação. Fiel a Si mesmo e à missão que lhe foi confiada pelo Pai, Jesus é para nós fidelidade, amor, tolerância, assistência, disposição a perdoar, a curar, a salvar, mesmo que isso lhe custe a vida. Foi o que lhe aconteceu no Calvário. Ou seja, somos resgatados não em razão dos nossos méritos, mas pela misericórdia de Deus, manifestada plenamente em Jesus Cristo, nosso Redentor. Este é o motivo da nossa salvação. São Paulo o diz com clareza na carta a Tito: “Mas, quando a bondade e o amor de Deus, nosso Salvador, se manifestaram, ele nos salvou, não por causa dos atos justos que houvéssemos praticado, mas porque, por sua misericórdia, fomos lavados pelo poder regenerador do Espírito Santo, que ele ricamente derramou sobre nós, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador, a fim de que fossemos justificados pela sua graça, e nos tornássemos herdeiros da esperança da vida eterna” (3,4-7).

Então, nas horas difíceis da sua vida, não pergunte se Deus ama você ou se Ele se esqueceu de você. Deus está ao seu lado sempre. Sempre!

Notícia publicada em 19 Sep 2007 por Padre Ronaldo Menezes
Seguir Jesus é tarefa para fortes

Muitos católicos ficam alarmados com notícias sobre o crescimento de algumas igrejas pentecostais, e logo pensam que estamos perdendo fiéis. Pior que isso é a busca incessante por culpados pela diminuição do rebanho. Poucos, porém, se perguntam por que muitas pessoas acorrem, quase em desespero, para essas agremiações religiosas, cujos templos mais parecem casas comerciais. Aliás, muito se assemelham a elas porque, de fato, vendem, literalmente, benefícios divinos e estampam em placas luminosas o que se consegue pagando: sucesso na vida amorosa, enriquecimento rápido, prosperidade nos negócios, cura de todas as doenças, imunidade contra qualquer tipo de problema, dificuldade ou sofrimento. Oferecem uma religião do escambo, da troca, mercantilista, e um deus mesquinho, interesseiro, sem nenhum sentimento real e verdadeiro, venal, que se deixa comprar com a quantia que se tem no bolso.

 

Não é essa a religião dos cristãos, a nossa religião, a que nos deixou Jesus Cristo, a fé pela qual morreram seus discípulos e inúmeros dos nossos antepassados, os santos mártires, cujas imagens estão espalhadas no mundo inteiro como lembrança de uma vida cheia de amor, de entrega, de renúncia e de confiança total em Deus.

 O evangelho deste domingo, 9 de setembro de 2007, fala disso. Jesus é bem claro e diz com todas as letras que o Reino de Deus, a vida eterna e os benefícios divinos não são conquistados com o dinheiro que se tem no bolso. Antes, são entregues àqueles que se fazem capazes de segui-lo, sem nenhuma medida, que não põem obstáculo para estar com Ele e que por causa dele enfrentam até sofrimentos. Sim, os verdadeiros seguidores de Jesus Cristo também sofrem ou podem sofrer. Os verdadeiros discípulos do Senhor Jesus não escolhem o fácil, mas o certo. E escolher o certo pode causar muitos transtornos aos que fazem essa opção. Diante do espaço de escolhas fáceis, que se apresentam aos montes, iluminados pela Sabedoria divina, devemos interpretar os muitos sinais, as diversas placas de sinalização, que o Senhor nos dá, para fazermos a escolha certa.

 A nossa vida é feita de escolhas. Aqueles que preferem a si mesmos e buscam apenas a satisfação dos seus próprios interesses cometem um erro de meta. Errar a meta é o pecado e o conseqüente afastamento de Deus. Jesus ensinou uma verdade: de que adianta ganhar o mundo inteiro e perder o principal, a vida eterna? E se esquecem do ensinamento do Evangelho: buscar em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e o resto virá por acréscimo. É uma questão de confiança. E não se pode desconfiar de Deus, que é justo e fiel. Está escrito e ninguém deveria esquecer do que diz o Livro Sagrado: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, com toda a tua alma, com todo o teu entendimento”. É essa confiança absoluta que nos faz recordar diariamente o primeiro Mandamento do Decálogo: Amar a Deus sobre todas as coisas. O resto – ou seja, tudo aquilo de que nós precisamos – vem por acréscimo e nos vem como dom e graça. As pessoas que têm experiência de oração, que rezam e põem toda a sua confiança e esperança em Deus, nunca são decepcionadas.

 O discípulo de Jesus, aquele que se dispõe a segui-lo, não deve ter medo das renúncias de que fala o Evangelho do domingo. Jesus não manda abandonar a família, deixar de assisti-la e de provê-la daquilo que ela tem direito. Nem quer que se deixe de viver com a devida responsabilidade, nem exige que se distribua os bens conquistados ao longo da vida e a muito esforço. O que ele quer e deseja do seu discípulo é apenas uma coisa: que ele seja prioridade, que a sua palavra seja normativa, que os seus ensinamentos sejam observados. Tudo o mais deve estar em segundo lugar. Confiar em Jesus não é um contrato de risco, é tarefa para fortes e um ato de fé.

O que Ele promete, Ele cumpre.

Notícia publicada em 11 Sep 2007 por Padre Ronaldo Menezes
Humilde não é ser bobo

 A tônica das leituras deste domingo, 2 de setembro, foi a humildade. Foi o tema das homilias em todas as celebrações. Bem compreendida, a humildade é uma atitude sábia do homem que crê, que tem fé, ante algumas circunstâncias do mundo material ou do mundo espiritual, e um dos nossos diferenciais como discípulos de Jesus Cristo.

 

Algumas pessoas entendem mal a humildade, dando-lhe um significado que ela não tem nem aceita. Há quem ache que ela é sinônimo de pobreza, baixo nível social. Uma pessoa humilde seria uma pessoa pobre, sem recursos materiais, sem escolaridade, sem amigos importantes. Errado. Outros imaginam que humildade é igual à subordinação, subserviência, sujeição à vontade de outros. Também isso não é verdade.

 

Na Sagrada Escritura, a palavra humildade está ligada ao conceito de amabilidade respeitosa diante de uma outra pessoa. Também pode significar acatamento da vontade divina, atitude própria do homem com Deus, o Senhor soberano, um comportamento no qual o homem descobre sua pequenez e a grandeza de Deus.

 

Essa atitude é própria do homem sábio, cuja felicidade consiste em comprazer-se na Lei de Deus e meditá-la dia e noite. O salmista que compôs o salmo 119 (118), um grande elogio à lei divina, sabia tão bem essa verdade que não pôde deixar de dizer: “Felizes os íntegros em seu caminho, os que andam conforme a lei de Iahweh! Felizes os que guardam seus testemunhos, procurando-o de todo o coração, e que, sem praticar a iniqüidade, andam em seus caminhos!”. As raízes que sustentam a vida de quem vive na presença de Deus estão fincadas nessa sabedoria.

 

É esse modo de vida que Jesus nos apresenta como ideal, sem nos submeter à tirania das convenções sociais. Estas sim, empobrecem e subjugam, escravizam e despem as pessoas da sua dignidade.

 

No Evangelho que escutamos, Jesus coloca o tema da humildade durante uma refeição com um grupo de fariseus. Os fariseus formavam um grupo de observantes da Lei que se separou do resto do povo israelita, para observar e praticar com toda exatidão cada uma das prescrições da lei. Não eram pessoas ruins, como já se chegou a dizer, mas pessoas preocupadas e empenhadas na santificação do povo. O erro que cometeram foi o da intolerância com os que não pertenciam à associação deles ou não conseguiam cumprir todas as regras estabelecidas pela Lei. Incorrendo num forte rigorismo e formalismo rígido, imaginaram-se a medida para os outros, esquecendo-se do amor e da misericórdia. Esse mesmo erro, cometemos inúmeras vezes.

 

A lição de Jesus é simples, mas não fácil. A vontade de Deus é que entre os seus filhos predomine o respeito de um pelo outro e que ninguém seja excluído dos bens que são para todos. A humildade entra aqui como remédio contra a pretensão que podemos ter de mandar nos outros ou de lhes negar o direito à felicidade e ao bem-estar.

 

Entre nós, que temos fé, que cremos em Deus e conhecemos a Sua Palavra, a lógica que deve prevalecer não é a do mundo dominado por Satã, onde o que importa é o êxito exclusivamente pessoal, o triunfo sobre os outros, a derrota dos concorrentes.

 

Nós merecemos o êxito, o triunfo, mas que isso não signifique a destruição dos outros, o bem da família, o acompanhamento dos filhos, a atenção à esposa ou ao esposo, o respeito pelo espaço sagrado dos demais, nem a exclusão de ninguém do caminho da felicidade verdadeira.

 

Como você está vendo, temos muito a aprender com Deus. Viveremos melhor se Ele orientar nossa vida.

Notícia publicada em 04 Sep 2007 por Padre Ronaldo Menezes
Deus abençoou nossas famílias

Na festa da assunção de Nossa Senhora, tivemos um momento muito especial em nossa paróquia. Trinta e três novos casais renovaram os seus compromissos matrimoniais, juntamente com mais de cem outros casais que trabalharam na realização do 37º encontro de casais com Cristo. Foi um momento de muita emoção. Eu mesmo quase não contive as lágrimas ao ver tantas famílias ali reunidas, em torno do altar do Senhor, renovando os seus votos de fidelidade conjugal, rejuvenescidas pela graça de Deus. Recordei-me da promessa de Deus aos Patriarcas de que a descendência deles seria numerosa “como a poeira do solo”. Pensava também nas palavras do profeta Isaías. Ele dizia que essa posteridade seria conhecida por todas as gentes, não ficaria no anonimato, e todos os que vissem essas famílias renovadas as reconheceriam como sendo “a raça que Deus abençoou” (61,9).

 

Lembrando nossa Mãezinha querida, ousei dizer que ela sentia no céu as dores do parto e se alegrava pelo nascimento daqueles filhos, que estavam ali, diante do altar divino. Ela é a imagem da Igreja que acolhe e protege esses filhos.

 

Mas disse também que existe um “dragão” rondando os filhos que nascem, procurando arrastá-los para o seu precipício. Ele possui muitos atrativos, tem um grande poder de atração. Para atingir o seu objetivo, ele engana, corrompe, inventa uma série de artifícios para afastar a família do caminho de Deus. É preciso resistir “firme na fé”, como nos ensina o apóstolo são Pedro.

 

É nessa hora de tentação, quando se quer escapar de Deus, quando os olhos buscam primeiro a agenda e logo se inventa um compromisso qualquer para fugir da “sombra do Altíssimo” para cair nos braços do dragão, que um deve ajudar o outro. Compreendam a palavra do apóstolo Paulo aos gálatas: “Não vos iludais; de Deus não se zomba. O que o homem semear, isso colherá. Quem semear na sua carne, da carne colherá corrupção. Quem semear no espírito, do espírito colherá a vida eterna. Não desanimemos na prática do bem, pois, se não desfalecermos, a seu tempo colheremos. Por conseguinte, enquanto temos tempo, pratiquemos o bem para com todos, mas sobretudo para com os irmãos na fé” (6,7-10).

 

Irmãos, essa é uma orientação segura. Vocês foram chamados a uma nova vida, agora sob a orientação de Cristo. De agora em diante, não passarão despercebidos. Talvez alguns não entendam o porquê de tão grande mudança. Oxalá não critiquem vocês, não façam chacota, gozação. Não se intimidem. Mantenham-se firmes na fé e não se envergonhem daquele os chamou, Cristo Jesus. Ele não lhes faltará com uma boa recompensa.

 

A mesma recomendação vale para as equipes que trabalharam na realização desse encontro. Nenhum sofrimento é em vão. Devemos aprender com o sofrimento, com o cansaço, com o desgaste do corpo e, às vezes, até da alma. A nossa força está em Jesus Cristo. É por Ele que nós nos desgastamos. Como o apóstolo São Paulo, nós, todos nós, também trazemos em nosso corpo as marcas de Jesus e elas são mais gloriosas do que qualquer outro sinal em nossa carne.

 

Viva Cristo por mais este trabalho!

 

Pe. Ronaldo Menezes

Pároco SS Trindade

Notícia publicada em 23 Aug 2007 por Padre Ronaldo Menezes
Deus é Pai fiel ...

O segundo domingo de agosto é dedicado aos pais. É um dia de orações, de boas lembranças, de festa. Para os que já devolveram a Deus seus pais, é um dia de saudade, de lágrimas, é dia de ternura adormecida vir à tona e brotar em lamentos pelo que não se deu ou se negou aos pais. Além disso, acredito que é uma feliz ocasião de se redescobrir a importância da figura paterna e a sua missão na vida do filho.

Um bom e necessário paralelo é a imagem que a Sagrada Escritura nos apresenta de Deus, sobretudo nos Evangelhos, onde Jesus nos revela Deus como Pai.

Quando os discípulos pediram que Jesus lhes ensinasse a rezar, antes de fazê-lo Jesus falou primeiro da atenção de Deus pelos seus filhos, dizendo o seguinte: “vosso Pai sabe do que tendes necessidade antes de lho pedirdes” (Mt 6,7), quem sabe para evitar que a nossa procura por Ele tivesse aquela feição interesseira. Só depois dessa advertência, Jesus ensinou o “Pai-nosso”. Assim, não temos dúvida: Deus é nosso Pai. E nós somos filhos.

A parábola dos dois filhos, contada por são Lucas no capítulo 15 do seu Evangelho, é outro belíssimo texto que mostra muito bem a atitude de Deus, o Pai, perante as escolhas, mesmo as ruins, dos filhos. Podendo, por direito, virar às costas e deixar o filho que gastara toda sua fortuna de forma irresponsável amargar as conseqüências dos seus atos, prefere lembrar-se de que é Pai, e que a alegria pelo retorno do filho é maior do que a tristeza pela sua partida e maior do que o sofrimento da sua ausência.

O pai não se nega a amar em nenhuma circunstância nem condiciona o seu amor. Ama porque ama. Não há razão para amar nem limite para o seu amor.

Um problema, porém, se impõe: a realidade é bem diferente. Nas “produções independentes”, o pai é pouco relevante, não tem importância, o filho nem precisa saber quem é ele. Entre os casais separados, muitos pais simplesmente abandonam os filhos. A imprensa divulgou um caso interessante e, ao mesmo tempo, chocante: uma mãe entrou na justiça pelo direito da filha em ter a visita do pai, que, parece, se negava a ver a filha. Também há aqueles casos em que a mãe impede ou ao menos dificulta a visita dos pais aos filhos. E ainda há as mães que, por motivos diferentes, passam aos filhos a pior imagem dos pais, maridos ou ex-maridos delas. Isso pode parecer bobagem, mas penso que não.

Muitas dessas atitudes são a manifestação do afastamento de uma vida de fé e a evidência de que Deus não é mais referência na vida social e familiar. Deus está sendo alijado da família. O resultado é a perda do valor da família e da desvalorização da paternidade.

Está na hora de olharmos novamente para o preceito divino, que diz: “honra teu pai e tua mãe”. Quem cumpre esse mandamento tem assegurada uma vida de ventura e de bênção, pois Deus, nosso Pai, é fiel à sua Palavra a nosso respeito.

Tenham todos uma semana abençoada...

Notícia publicada em 14 Aug 2007 por Padre Ronaldo Menezes
Nossos bens a serviço de Deus

Todos os bens que Deus nos deu têm um propósito. Não nos foram dados à-toa. Mas aprender isso não é fácil. Estamos impregnados da idéia corrente que faz dos bens materiais a razão da nossa vida, o sentido da nossa existência. Mas também não é verdade que a pobreza material é condição primeira para ganhar a eternidade, o céu, para estar “de bem” com Deus.

 

Domingo passado, tivemos a oportunidade de refletir sobre isso, e decidir, com base na fé, que atitude devemos ter diante dos bens materiais, partindo deles para a grande descoberta: os bens materiais, dados por Deus para nosso conforto, e que são passageiros, devem ser usados por nós com sabedoria para alcançar os bens espirituais e eternos, que não passam.

 

A leitura do livro do Eclesiastes, de um vivo pessimismo, parece ter negado qualquer possibilidade de nós sermos felizes neste mundo. Mas não creio que o autor sagrado tenha querido dizer isso. Pelo contrário, ele nos convidava a olhar as nossas posses com os olhos da fé, porque, de fato, ao simples olhar humano, “tudo é vaidade”, ou seja, é vazio e fonte de frustração, pois a cada desejo realizado surge uma nova necessidade, que também não será satisfeita plenamente, gerando nova decepção.

 

Uma outra lição do autor do Eclesiastes é a constatação de que o homem, por esforço solitário, desligado da sua origem divina, sem nenhuma relação com Deus, é incapaz de ser feliz e, por isso, ficará sempre preso a um círculo vicioso de permanente insatisfação. Quem assim vive se sentirá um eterno fracassado satisfeita plenamente, gerando nova decepçova necessidade, que tambdescoberta: os bens materiais, dados por Deus para nosso co e jamais compreenderá que a vida não é um absurdo, porque ela não termina neste mundo.

 

A esperança de quem tem fé, como nós temos, não está nas coisas falíveis deste mundo, mas em Deus. Ele é a nossa esperança.

 

Aliás, essa é a mensagem do evangelho que lemos na santa missa. Quando Jesus contou a parábola do homem que teve um bom resultado do seu trabalho e depois se sentiu realizado não podendo, entretanto, usufruir dele, pois morreu, não foi para dizer que não devemos trabalhar ou nos alegrar com o nosso êxito. Não há pecado nisso. O pecado consiste em fazer dos bens passageiros a única fonte de felicidade, deixando Deus de lado.

 

O simples desejo de bens materiais é idolatria. Nós, cristãos, já deveríamos ter superado esta fase. A nossa maior alegria é o pertencer a Cristo Jesus, livres daquelas preocupações que assolam os que não confiam em Deus, que não acreditam que Deus é fonte de felicidade. Quem assim vive, escravo do trabalho pelo simples prazer de ganhar mais e mais, imaginando-se possuidor de tudo, despreza bens preciosos, como a família, os amigos, está todo tempo estressado, irritadiço, é chato, não tem prazer com as coisas simples, é incapaz de se desligar da agenda e dos celulares, do barulho. Não tem paz.

 

O que fazer, então? Redescobrir o valor da vida com Deus, cumprindo seus preceitos, mandamentos, leis, observando sua palavra, deixando-se alcançar pela luz de Cristo Jesus.

 

Paz e bem a todos...

Notícia publicada em 09 Aug 2007 por Padre Ronaldo Menezes
A oração confiante é atendida

Nós rezamos a Deus porque sabemos que Ele tem por nós uma especial atenção e, como Pai que é, ouvirá nossas preces. Essa é, aliás, a recomendação de Jesus, depois de nos ter ensinado o Pai Nosso: peçam e receberão, procurem e acharão, batam e a porta será aberta (Lc 11,9). É o ensinamento sobre a eficácia da oração e a vontade que Deus tem em nos atender, “pois o que pede recebe; o que busca acha e ao que bate se lhe abrirá” (Mt 7,8).

 

Linguagem mais direta do que essa é impossível. Se não fosse atrevimento nosso, poderíamos dizer que Deus tem uma “fraqueza” – um coração sincero e puro que O procura e lhe expõe, como filho, seus sofrimentos e suas dores, suas necessidades, suas preocupações, ou, então, louva, agradece, intercede por alguém.

 

São Tiago diz que “a oração fervorosa do justo tem grande poder” (5,16) e cita o exemplo do profeta Elias que “orou com insistência para que não chovesse e não houve chuva na terra durante três anos e seis meses. Em seguida, tornou a orar e o céu deu chuva e a terra voltou a produzir frutos”. Assim como citou Elias, este apóstolo poderia ter citado Moisés, o grande intercessor, que rezou a Deus e foi atendido, entre outras vezes, por ocasião das pragas do Egito, quando intercedeu por sua irmã Maria (Nm 12,13) ou quando pedia por todo o povo no deserto (Ex 5,22-23; 32,11ss). Como se vê, a oração de uma pessoa de Deus tem “o poder de transformar as águas em sangue e de ferir a terra com todo tipo de flagelos, quantas vezes o quiserem” (Ap 11,6).

 

Foi assim que se comportou Abraão diante do Senhor, quando este lhe apareceu e disse que iria “investigar” Sodoma e julgar os seus habitantes. Justo e temente a Deus, Abraão implorou e intercedeu pelos justos que poderiam estar naquela cidade. E a cada pedido de Abraão, Deus aceitava e dizia fazer o que Abraão pedia, mostrando, claramente, que a sua vontade em salvar é infinitamente maior do que a vontade de perder. Daí a importância do intercessor e da sua oração a Deus.

 

Você deve ter percebido que a condição para falar com Deus “face a face”, na oração, é ter boas relações com Ele, obedecer e cumprir seus preceitos e mandamentos, observar sua Palavra. Quem assim age, possui duas qualidades: é inviolável por ordem divina e intercede com poder diante de Deus. Vou citar dois textos que confirmam o que eu disse. O salmo 105 diz: “Não toquem nos servos que eu escolhi” (5) e Deuteronômio 34,10ss, sobre Moisés, que sempre agiu “obedecendo à ordem do Senhor”.

 

O modelo mais perfeito de intercessor é Jesus, que está sempre a pedir por nós ao Pai celeste. Ele é também aquele a quem devemos imitar se queremos rezar bem e com frutos. Jesus reza sempre e antes de alguns grandes acontecimentos, sua oração é ainda mais apaixonante. Apaixonante e confiante. Ele sabe que o Pai o ouve. Nós deveríamos ter a mesma certeza, pois também somos filhos de Deus.

 

E como devemos rezar? Com toda confiança, com humildade e perseverança. Quando? Constantemente e em qualquer lugar. O profeta Jonas orou dentro do peixe, onde passou três dias (2,1). O lugar perfeito para a sua oração é aonde você estiver. Você cria o espaço, faz o ambiente. O importante é que o seu coração esteja voltado para Deus.

 

No final da homilia de domingo, enquanto falava deste assunto, observei que pouco rezamos pelos outros, à exceção, quem sabe, das mães, que rezam bastante pelos filhos. Conheço poucos maridos que rezam por suas esposas, confiando-as à proteção de Deus proteçpoucos maridos que rezam por suas esposas, confiando-as erança. avra, possui duas qualidades: , rogando por elas e pedindo que Ele as acompanhe, como também não conheço muitas esposas que rezam por seus maridos. Quantos pais se ajoelham para rezar pelos filhos? Não é à-toa que muitas famílias não dão certo e não resistem aos problemas que se lhes apresentam. Falta-lhes o bálsamo da oração. Sem a oração diária, a família se despe da “armadura de Deus”, ficando, assim, vulnerável.

 

Vivemos dias difíceis e turbulentos. Por isso, devemos nos fortalecer “no Senhor e na força do seu poder”, para resistirmos “no dia mau e sair firmes de todo o combate”. Portanto, “com orações e súplicas de toda sorte, orai em todo tempo, no Espírito, e para isso vigia com toda perseverança e súplica por todos os santos” (Ef 6,10-18).

 

Faça isso e os frutos virão!

 

Notícia publicada em 31 Jul 2007 por Padre Ronaldo Menezes
Hospedagem e Acolhimento

As leituras do domingo falaram claramente de hospitalidade e acolhimento. A primeira leitura mostrou Abraão que, na hora do maior calor do dia, hospedou os três misteriosos visitantes, aos quais chamou de “meu Senhor” e lhes deu a melhor acolhida que lhe era possível oferecer. O Evangelho de São Lucas apresentou a cena em que Marta e Maria, duas irmãs, acolheram Jesus em sua casa e Maria, especialmente, se recolhe aos pés de Jesus, como verdadeira discípula, para aprender com ele o caminho da vida. São Paulo, escrevendo aos colossenses, diz hospedar em sua alma o Cristo crucificado.

 

Como você vê, o tema é dos mais interessantes e belos. Aproveitei a ocasião para falar de Deus e da conduta do homem diante dele.

 

Como Deus se apresenta em nossa vida? Às vezes, queremos que ele marque data e hora para aparecer e quando ele aparece, nós não o reconhecemos. Ele surge em nossa vida como surgiu na vida de Abraão. Quando Abraão levantou os olhos, diz o texto sagrado, ali estavam os três seres divinos. Bastou levantar os olhos e olhar com atenção. O nosso problema é que estamos andando, quase sempre, com a cabeça baixa, olhando para o nosso umbigo e desatentos aos inúmeros sinais de Deus. Deus não marca hora para nos visitar. Ele está sempre conosco. Um pouco de atenção e veríamos Deus junto de nós.

 

A nossa vida cristã é marcada pela presença de Cristo Jesus, Deus encarnado. Nele, Deus nos visita, vem à nossa casa e quer hospedar-se conosco. Vem a nós como foi à casa de Marta e Maria. As duas irmãs o acolheram, convidando-o a entrar e ficar com elas. O gesto é significativo. Elas estavam atentas aos sinais de Deus e, percebendo essa presença, não se permitem esquecer de abrir as portas do coração. E aqui está um outro dos nossos problemas modernos: o nosso coração está cheio de tantas coisas, de um sem número de preocupações, desejos os mais variados, que não notamos Deus bater em nossa porta.

 

A verdade, porém, é esta: no seu amor por nós, Deus está sempre conosco, nos visita com a regularidade de quem ama e nos mantém sob suas asas de proteção.

 

E qual é a conduta certa diante de Deus? Dei dois exemplos, o de Abraão e o de Maria. Abraão insistiu que os três anjos ficassem com ele e ofereceu todos os seus recursos para melhor servi-los. Não mediu esforços para mostrar que Deus não o visitara inutilmente. A sua atitude é a de um servo obediente e fiel, reverente e atencioso, acolhedor, preocupado em bem servir. Com Maria não é diferente. Enquanto Marta, sua irmã, está aflita com os afazeres da casa, Maria se senta aos pés de Jesus, acolhendo a sua palavra, deixando-se invadir pela mensagem do Salvador, dando prioridade à Palavra de Jesus.

 

A nossa atitude deve ser a mesma: acolher os ensinamentos de Deus, os seus preceitos, os seus mandamentos, conservando-os no coração e externando a cada dia, aonde quer que estejamos. E não se esqueça do que o Senhor nos orientou, quando disse pela boca de Moisés: - “são esses os mandamentos e as leis que o Senhor, nosso Deus, mandou que eu ensinasse a vocês... Portanto, amem o Senhor, nosso Deus com todo o coração, com toda a alma e com todas as forças. Guardem sempre no coração as leis que eu lhes estou dando hoje e não deixem de ensiná-las aos seus filhos”.

Quero lhe afirmar mais uma coisa, que você pode conferir nas leituras do domingo. A aparição de Deus a Abraão e a visita de Jesus, o Filho de Deus, à casa de Marta e Maria e, sobretudo, a atitude de Maria aos pés de Jesus, trazem consigo uma bênção. À Abraão o Senhor diz que dentro de um ano lhe nascerá um filho, até aquele momento o maior desejo de Abraão. E o Senhor cumpriu com o nascimento de Isaac, mesmo estando Abraão e Sara com idade bastante avançada. À Maria é dito por Jesus que ela tinha escolhido a melhor parte de tudo o que necessário na vida, ou seja, o Senhor Jesus já lhe garantia a plena felicidade.

 

Então, a obediência a Deus, a acolhida da sua Palavra, a fidelidade a ele e aos seus mandamentos são fonte perene de alegria, de felicidade e, sobretudo, de muitas bênçãos. O desafio, portanto, está lançado e você foi convidado por Deus a confiar nele... de todo o coração, sem nenhuma dúvida e ele vai lhe mostrar que você não semeou sua esperança sobre terra improdutiva.

 

Estou rezando para que você tenha uma boa semana. Aos paroquianos que estão retornando das férias, minhas orações para que tenham um bom retorno.

 

Notícia publicada em 24 Jul 2007 por Padre Ronaldo Menezes
O conforto da Palavra de Deus...

Ao final da missa de domingo, eu lhe fiz um convite, ou melhor, um desafio: ler a Bíblia, começando pelos Evangelhos. Disse que Deus não nos criou sem um propósito na vida e para conhecer esse propósito era preciso ler o manual deixado pelo “fabricante”, no caso, as Sagradas Escrituras. Disse também que fomos criados para o infinito, para a eternidade, e que o nosso coração, mesmo apegado a muitas coisas da terra, tem sede de Deus e saudade do Paraíso. Um dos salmos de Davi diz isso quando afirma: “Ó Deus, tu és o meu Deus; procuro estar na tua presença. Todo o meu ser deseja estar contigo; eu tenho sede de ti como terra cansada, seca e sem água” (62,2).

 

A razão desta procura por Deus é esta: “a fonte da vida está em ti (em Deus) e com tua luz nós vemos a luz” (36,10). É a descoberta de que a felicidade verdadeira, para a qual fomos criados, não pode ser dissociada de Deus. De fato, ninguém é feliz sem Deus. Andar sem Deus é caminhar na escuridão, é não saber o que fazer da vida.

 

Expliquei o testamento de Moisés e a parábola do bom samaritano, mostrando que Deus, através desses textos, nos revelava e definia o caminho para a vida eterna e delineava as conseqüências da nossa fidelidade a Deus e aos seus ensinamentos. Sim, não se esqueça, as nossas escolhas têm conseqüências. Se elas forem feitas de acordo com os preceitos divinos, se obedecerem às orientações de Deus, trarão felicidade e alegria; caso contrário, trarão amargura e tristeza.

 

Tenho certeza, e você também, que Deus não quer o nosso mal, nem deseja nossa infelicidade. A palavra dele é muito clara quanto à sua intenção, como você deve recordar da primeira leitura: “O Senhor teu Deus te tornará próspero em todo trabalho de tua mão, no fruto do teu ventre, no fruto dos teus animais e no fruto do teu solo. Porque o Senhor voltará a se comprazer com tua felicidade, assim como se comprazia com a felicidade dos teus pais, caso obedeças à voz do Senhor teu Deus, observando seus mandamentos e seus estatutos escritos neste livro da Lei, caso te convertas de todo o teu coração e com toda a tua alma ao Senhor teu Deus”.

 

O seu bem-estar e as bênçãos que tanto deseja não estão longe de você, mas bem próximo. A atenção ao que Deus lhe coloca no coração e o seguimento de Jesus, nosso Salvador, pondo em prática a Palavra de Deus, fazendo o bem, respeitando os outros, sendo solidário com as pessoas que Deus colocou no seu caminho, essa é a condição para ganhar a vida eterna.

 

Mas pode acontecer que você se sinta um “peixe fora d’água” tentando praticar sua fé em meio a um mundo de gente que não a pratica, e até desdenha da sua conduta. Não se melindre, nem se envergonhe do que você sente por Deus. O seu conforto está nas palavras do salmo 119, que lemos na missa: “felizes são os que não podem ser acusados de nada, que vivem de acordo com a lei de Deus, o Senhor. Felizes os que guardam os mandamentos de Deus e lhe obedecem de todo o coração”. Estas palavras são o nosso conforto.

 

E se em algum momento você tiver alguma dúvida, pois às vezes acontece, sobretudo por ocasião de uma provação ou dificuldade, faça esta oração do próprio salmista: “Obedecerei às tuas leis, peço-te que não me abandones nunca” (v.8).

 

Tenha uma semana abençoada ...

Notícia publicada em 17 Jul 2007 por Padre Ronaldo Menezes
Deus é fonte de alegria !

A Igreja fez um pedido a Deus, neste domingo: que Ele nos encha de santa alegria, daquela alegria que não se esgota, que não passa, que preenche o coração por inteiro e molda a nossa alma. Foi uma oração baseada na Palavra divina, ouvida durante a santa missa. Foi esse o tema das minhas homilias.

 

Recordei que o nosso mundo e a sociedade atual não favorecem em nada a alegria verdadeira. Ao contrário, se esmeram em nos encher de imagens ruins, mostrando cenas de guerra, mortes, sofrimentos, corrupção, desmandos de todos os tipos. Essas coisas, não raro, nos causam abatimento e uma certa perplexidade. Ficamos sem saber o que fazer. Até a fé fica abalada. Não compreendemos por que Deus não intervém na história. Até gostaríamos que Ele agisse, mas Ele parece não ter tempo de olhar para as coisas que nos dizem respeito. Como ter alegria num quadro como esse?

 

A leitura do profeta Isaias nos recordou que o mal que assola o mundo não inviabiliza a alegria, cuja fonte inesgotável é Deus. O problema é que as pessoas, sobretudo em horas de grande aflição, se afastam de Deus e põem sua esperança de alegria onde ela não pode ser encontrada. Esquecem-se das palavras do salmista que diz: “a tua presença me enche de alegria e me traz felicidade para sempre” (16,11). Reconhecer (e nunca duvidar disso) que Deus está conosco e jamais nos abandona, é o alimento constante para ficarmos em permanente estado de alegria e de paz.

 

O erro das pessoas tristes é que elas se afastaram de Deus e, por isso, tornam-se escravas de remédios cada vez mais fortes e de outros substitutivos de Deus. Vez por outra, tentando escapar das mãos da tristeza, fogem da realidade e enveredam por caminhos tortuosos. Deviam lembrar-se das palavras de um outro salmo: “ó Deus, tu és a fonte da minha alegria”.

 

É essa proximidade com Deus que nos torna diferentes e especiais no mundo – na família, no trabalho, na relação com o cônjuge e com os filhos. Assim como a tristeza contamina como um vírus e causa danos às vezes irreversíveis, pois quando tristes podemos ferir as pessoas, magoar, deixar de ver as coisas bonitas da vida, perder a sensibilidade, a alegria contagia o nosso ambiente com a beleza de que ela é portadora. A alegria transforma escuridão em luz.

 

Outro erro das pessoas tristes é que elas querem salvar-se a si mesmas, e se recusam a pedir socorro a Deus, não lhe oferecem a mão para ser agarrada por Ele. E toda vez que voltam as costas para o Senhor só uma coisa lhes acontece: afundam mais em sua miséria e em sua tristeza. Deveriam ouvir as palavras de Isaías, que diz o seguinte: “Aqueles que o Senhor salvar voltarão para casa, voltarão cantando para Jerusalém e ali viverão felizes para sempre. A alegria e a felicidade os acompanharão e não haverá mais tristeza nem choro” (35,10).

 

Desta certeza, meus irmãos, nós somos portadores e devemos anunciá-la àqueles que ainda não a conhecem. A nossa missão, portanto, como filhos de Deus e membros da Igreja de Jesus Cristo, é mostrar que nossa vida de intimidade com Jesus, de freqüência aos sacramentos e, especialmente, de comensais no Banquete da vida, a Eucaristia, nos torna imprescindíveis, necessários, como pessoas abençoadas, que entenderam as palavras de Davi a respeito de Jesus, nosso Salvador: “Eu via sempre o Senhor comigo porque ele está ao meu lado direito, para que nada me deixe abalado. Por isso meu coração está feliz e minhas palavras são palavras de alegria... Tu me tens ensinado os caminhos que levam à vida, e a tua presença me encherá de alegria”.

Rezo para que essa alegria seja constante em sua vida. Fique com Deus e boa semana.

Notícia publicada em 10 Jul 2007 por Padre Ronaldo Menezes
A igreja é o lugar da salvação !

Nas missas do domingo, lembramos o martírio das “colunas da Igreja”, São Pedro e São Paulo. Falei um pouco de São Pedro, o primeiro a proclamar a fé em Jesus Cristo e, por causa dessa fé incondicional, foi crucificado de cabeça para baixo, em Roma.  Recordei também o testemunho de São Paulo, que terminou sua vida terrena afirmando ter combatido o bom combate, completado a corrida e mantido a fé.

 

O que vemos nestes dois apóstolos é a fidelidade ao Senhor e à missão que receberam dele, sem nenhum receio das circunstâncias difíceis para a vivência da fé. Veja o contraste com a tendência atual de se separar a fé da vida, como se se pudesse viver a vida de qualquer jeito sem nenhuma relação com a fé.

 

A verdadeira fé exige testemunho de Jesus, em quem dizemos acreditar. E o testemunho nunca se dá sem sofrimento ou provações, como as que passaram Pedro e Paulo, e muitos de nós passamos _ como indivíduos, como profissionais e, sobretudo, como família. Não por acaso somos atacados de todos os lados, tentados e instados a negar a fé ou a desconfiar de Deus, achando que Ele tarda ou é mesmo incapaz de nos ajudar na hora em que mais precisamos. Você já deve ter passado por isso muitas vezes.

 

É nessas horas que as Sagradas Escrituras vêm em nosso auxílio e nos fazem tomar consciência de que pertencemos ao corpo terreno do Cristo glorioso e exaltado, a Igreja, que tem o seu fundamento na vontade soberana de Jesus. Nós somos membros do “Corpo de Cristo”, e, enquanto estamos ligados a esse “corpo”, do qual Cristo é a Cabeça, somos objeto da mesma benevolência, do mesmo amor, da mesma atenção divina, dos mesmos cuidados com que Deus privilegiou aqueles que conviveram com o Senhor durante sua vida terrena e mesmo depois, nos primeiros tempos da Igreja.

 

A resposta de Deus à oração da Igreja, pela libertação do apóstolo, o envio do anjo que tirou Pedro da prisão, e o reconhecimento de Pedro de que Deus tinha enviado o seu mensageiro fazem aumentar em nós o desejo de estreitar os nossos laços com o Senhor Jesus, em perfeita sintonia com a verdadeira Igreja, por que ela, enquanto “corpo de Cristo” e manifestação histórica do Senhor ressuscitado, tem caráter sacramental, ou seja, Cristo atuando no mundo por meio dela e, por isso mesmo, modificando a nossa vida.

 

Esses milagres de Deus em nossa vida confirmam que a Igreja é o lugar da salvação para a qual Cristo nos chamou e por nós se entregou na Cruz.

 

PS. Tenha uma boa semana. Se for sair de férias, saiba que estaremos rezando por você e por sua família. E não se esqueça de rezar sempre.

Notícia publicada em 02 Jul 2007 por Padre Ronaldo Menezes
Deus não decepciona !

Aproveitei a festa de São João Batista para falar, nas homilias do domingo, de dois assuntos. O primeiro relativo aos pais de São João, Zacarias e Isabel. Uma família de “observantes da lei”, que lia a Palavra de Deus, que rezava diariamente e cumpria suas obrigações religiosas, pondo em prática o que lia, não se permitindo que a religião fosse apenas um movimento dentro da alma, somente espiritual, distante dos deveres mais simples e fundamentais da vida cotidiana e familiar – atenção aos deveres matrimoniais, o cuidado com o esposo ou a esposa, o respeito aos outros, a caridade, a compreensão, a ternura nas relações. Apesar disso, sofria provações, duras provas, como a falta de um filho, por exemplo. Isso não era motivo para deixar de rezar e de confiar em Deus. O justo sabe em quem pôr a sua esperança.

A confiança de Zacarias e de Isabel em Deus já está simbolicamente no significado dos seus nomes: Deus se lembra (Zacarias) e Deus jurou (Isabel) faz-nos recordar que Deus não decepciona. O que Ele promete, Ele cumpre. O nascimento de João é um sinal de Deus, que é Pai, continua a olhar com olhos de benevolência e de amor àqueles que O amam e O procuram de coração sincero e que Ele próprio ama, sem jamais se afastar da sua criatura. A família de São João Batista é uma amostra do quanto a família está sob a proteção de Deus. Ela é um santuário e não pode, em nenhuma hipótese, ser violada ou desrespeitada. Deus é a garantia da sua estabilidade. Agora, para concluir este ponto, quero lhe afirmar que aquilo que vale para a família de São João Batista vale também para a sua família. Na hora dos desafios, não se esqueça: Deus não decepciona.

 Falei de um segundo ponto, lembrando o costume popular de se lavar com banho de cheiro no dia de São João. Disse que esse hábito não pertence apenas ao folclore, mas possui um sentido religioso, que explico a seguir. O anúncio do nascimento de João foi feito a Zacarias enquanto ele, que era sacerdote, servia no templo e estava “diante de Deus”. Ou seja, diante da Arca da Aliança. Ali estava também o altar do incenso que ficava próximo da cortina que separava o Santo dos Santos do resto do Santuário. Quando se queimava o incenso, o fumo cobria o propiciatório (a tampa da arca, sobre a qual estavam os querubins). O incenso era o símbolo da oração que subia até o trono de Deus, conforme o livro do Apocalipse (5,8). O perfume era algo agradável a Deus e que não podia ser desagradável aos homens.

 Então, pode-se pensar que esse perfume que vai ao trono do Altíssimo corresponde à vida dos homens que O servem como filhos e filhas. Diz respeito a nós, portanto, que temos a obrigação de exalar os odores da vida divina, nos gestos que nos caracterizam como filhos de Deus e servidores do Altíssimo _ respeito aos outros, amizade sincera, ternura, bom trato, compreensão, tolerância. Como você vê, coisas simples, nada do outro mundo. São essas coisas que nos distinguem no mundo como pertencentes à família de Deus e que fazem de nós, como diz o Evangelho, sal da terra e luz do mundo.

 Tenha uma boa semana. Nas horas difíceis, não se esqueça: você pode contar com Deus, porque Deus não decepciona.

 

PS: Soube que foi muito boa a nossa “Festa do Baião”. O arraial do domingo à noite também foi bastante agradável. Os organizadores estão de parabéns.

 

Deus abençoe a todos.

Notícia publicada em 25 Jun 2007 por Padre Ronaldo Menezes
Encontro com Jesus ressuscitado

Este é o meu primeiro contato com você, pela página da paróquia. Aqui, além do espaço da igreja, nos domingos, sobretudo, nos encontraremos para falar sobre temas da nossa fé e de assuntos de interesse da comunidade paroquial, que tenham alguma relação com você e sua família.

Faço referência, de imediato, às nossas missas do último domingo. A Palavra de Deus, que escutamos, foi de um valor inestimável. Aquelas orientações seguras e eternas, perenes, devem fazer parte do nosso cotidiano. Em uma época de poucas certezas e muitas incertezas, devemos estar amparados na fé e na convicção de que Deus caminha ao nosso lado. Lembre-se do que falei: fomos criados para a felicidade. Ninguém nasceu para ser infeliz, andar triste, não saber o que fazer da vida, viver apenas por viver. A nossa vida tem que ter um propósito e esse propósito não é apenas humano, mas divino. Se você está com Deus, Ele garantirá o cumprimento desse propósito de felicidade para você e para os que o cercam. Afirmei que não precisamos andar com a Bíblia debaixo do braço, para ser um servidor do Evangelho. Lembra? Disse isso por que você é a imagem do que Deus quer dizer ao mundo, às pessoas tristes, infelizes, que parecem perdidas ou estão mesmo sem um direcionamento na vida. Olhando para você e vendo que você é obediente à Palavra de Deus e aos seus ensinamentos, que é feliz e que está de bem com a vida, devem ver nisso um sinal de Deus.

 

A eucaristia dominical é um momento especial que Deus nos reservou para alimentar em nós esse ideal de vida.  Ali você vê como Deus pode manter unida a sua família, diante de Jesus ressuscitado, orientando-nos para uma vida feliz. Se você for feliz, veja como as coisas serão diferentes ao seu lado.

 

Um abraço e tenha uma semana abençoada.

 

PS. Qualquer dúvida, escreva, passe um e-mail. Responderei a todos.

Notícia publicada em 19 Jun 2007 por Padre Ronaldo Menezes
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