Paróquia da Santíssima Trindade
8th janeiro
2012
escrito por Padre Ronaldo

O texto abaixo foi publicado no Vox no primeiro dia do ano, festa de Nossa Senhora. A intenção era mostrar que só teremos futuro nas mãos de Deus, se Deus estiver à frente dos nossos projetos.
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Espero e rezo a Deus que dê a você um ano abençoado e feliz.
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O Senhor te dê a paz

Estamos iniciando um novo ano, cheios de esperança. Muitas coisas importantes aconteceram em 2011, ninguém o nega. Mas há muito a perseguir neste novo período, que não mudará num passe de mágica, senão com o empenho de todos nós, a começar pela sobriedade dos gestores que nós escolhemos para conduzir os destinos da nação, do estado e do nosso município. Penso ainda, e não tenho dúvida disso, que nada se alcançará se Deus não estiver presente como força impulsionadora de todo desenvolvimento e progresso, pois não há futuro sem Deus.
Não acredito que alguém possa fazer uma boa gestão, em qualquer nível, renunciando à fé no Deus vivo e professando-a integralmente, sem os entraves que a vergonha e as conveniências às vezes querem impor. A fé pode até ser embrionária, em formação, mas não ausente de quem deseja realmente contribuir para a melhoria da vida daqueles que estão sob sua responsabilidade. A consciência de que pertencemos a Deus e cumprimos um propósito divino em tudo o que fazemos evita o perigo do culto à personalidade e o despotismo em suas mais variadas formas e manifestações, desde à família à vida funcional.
A festa de hoje que celebra a maternidade divina de Nossa Senhora nos ajuda a compreender a missão que Deus confiou a cada um de nós, em particular. A Virgem Maria é Mãe de Deus, que se encarnou no seu ventre e, nascendo, fez morada entre nós. Ser “Mãe” é ser matéria para uma ação divina, é permitir-se realizar a obra de Deus, é ser medida para a grandeza de um milagre, o milagre da vida. De fato, a palavra mãe (mater, em latim) também significa matéria, realidade concreta e medida. Nossa Senhora, consentindo na maternidade, divina em si mesma, porque foi querida por Deus, não se eximiu de cumprir o que Deus dela esperava e lhe confiou.
É neste sentido que todos nós, criados por Deus e para Deus, somos também portadores de um milagre, quando nos permitimos realizar a obra de Deus, e nos fazemos matéria e medida para que Deus realize suas maravilhas por nosso meio ou através de nós.
Enquanto fazemos a obra de Deus, perigos e dificuldades enfrentaremos; passaremos por angústias e sofrimentos, pela solidão e o isolamento das difíceis decisões. Nessas horas, nós que temos o benefício da fé, podemos estender as mãos para o “mais forte” e pedir que venha em nosso socorro. E dos altos céus se entenderá uma mão para nós.
Esta mão estendida é o próprio Deus que se encarnou no seio da Virgem Maria, e que ela no-lo deu na gruta de Belém. É ele quem nos livra de todo o mal, nos traz o verdadeiro bem e nos faz conhecer o sentido e a riqueza da bênção. Ele nos afasta da tentação de viver sozinhos e de decidir sobre o que é bom ou mau, como se a natureza do bem e do mal dependesse do nosso livre arbítrio ou dos nossos interesses. Conhecemos o mal em oposição ao bem, cuja origem é Deus, o Supremo Bem.
A maternidade da Virgem Maria foi fecunda porque ela não se opôs a Deus. O seu agir não foi contrário a Deus. A nossa fecundidade também dependerá desta conformação à vontade de Deus, à Palavra de Deus. Os bons frutos, os resultados positivos de tudo o que fizermos neste ano de 2012 e nos próximos dependerão desta relação de amizade com Deus, que fez chover sobre nós a graça da salvação em Jesus Cristo, a bênção do Pai.
Invoco, assim, sobre todos os paroquianos desta paróquia a bênção de Aarão, como o Senhor orientou: “O Senhor te abençoe e te guarde! O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face, e se compadeça de ti! O Senhor volte para ti o seu rosto e te dê a paz”.
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2nd janeiro
2012
escrito por Padre Ronaldo

O Natal passou, mas ele continua a irradiar sua luz, a iluminar aqueles que aceitaram o Menino Jesus como o Messias prometido pelos profetas, aquele em quem se cumpririam todas as promessas do Pai, feitas ao longo da história. A partir do nascimento de Jesus, ninguém mais está sujeito às trevas e à sua malícia, pois foi libertado. Jesus é o Libertador dos laços de toda maldade, a Luz que ilumina todo caminho e leva a um lugar seguro. O Natal, por tudo o que significa, não pode, portanto, perder-se num único dia, mas estender-se ao longo de toda a nossa vida.
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Veja o artigo que escrevi para o dia de Natal:
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Natal, uma festa de luz

A noite de Natal se reveste de um significado muito especial para nós, que esperávamos o Salvador e que celebramos o Seu nascimento numa gruta, em Belém de Judá. O profeta Isaias nos fala bem sobre isso, quando diz: “O povo que andava nas trevas viu uma grande luz, uma luz raiou para os que habitavam uma terra sombria” (9,1). O mesmo vai dizer São Paulo a Tito: “A graça de Deus se manifestou para a salvação de todos os homens” (2,11). São Lucas é mais enfático no seu Evangelho, ao relatar como se deu a manifestação de Deus aos pastores, como a glória de Deus lhes apareceu e “os envolveu de luz” (2,9). Estes textos que lemos na missa de Natal dizem-nos a mesma realidade nova, fazem-nos descobrir a Deus como Luz e fonte de vida.
Essa é a razão porque todas as cidades, casas, praças se enfeitam de luz, para fazer visível, como uma profissão de fé, a certeza de que ninguém mais está sozinho, nem preso à solidão da ignorância, do desconhecimento, da incerteza, da dor, do sofrimento sem sentido. Como eu disse no retiro em preparação ao Natal, que fizemos na Igreja, tudo isso foi subjugado pela Luz que apareceu no céu de Belém e se fez visível aos olhos dos humildes, que se dispuseram a andar até ao Menino Jesus para encontrar algo que o mundo por si só não pode oferecer, mas somente Deus.
Na gruta de Belém, os pastores e depois os magos que vieram do Oriente encontraram o Amor desinteressado, que não quer nada senão o bem do outro. Onde há esse amor, há luz. Onde ele falta, volta-se à escuridão e aos perigos que ela traz.
No presépio, as primeiras testemunhas do nascimento de Jesus O encontram envolto em panos, mas viram mais do que uma criança. Viram a luz refulgente que brilha para todos e que atrai a todos para a vida nova em Deus. Viram a luz que descerra as escamas dos olhos e faz ver o outro como irmão e não como inimigo, adversário, oponente. Em Jesus, o outro é sempre irmão, com quem devemos viver bem e em paz, sem o ranço da inimizade, a suspeita e a desconfiança.
Paz é o outro nome de Jesus, como lemos ainda em Isaias, que o chama de “Príncipe da Paz”, que nos assegura “uma paz sem fim sobre o trono de Davi e sobre o seu reino”. O “seu reino” não é um tempo futuro, depois de nós, mas o agora, o momento presente, este que vivemos às voltas com a família, com os amigos, em casa, no trabalho, na paróquia, nos grupos de oração e serviço pastoral. É o tempo em que aceitamos ver Jesus e o acolhemos em nosso coração, em nossa vida.
Quando os anjos proclamam a glória de Deus no mais alto dos céus, anunciam também a paz aos homens amados por Deus. Este amor, porém, que Deus tem pelos homens não é algo genérico. Deus não ama genericamente a todos, pois quem ama assim não ama ninguém. Deus ama cada pessoa individualmente, ou seja, cada um de nós é amado por Deus de um modo muito especial e único. É importante dizer ainda que Deus não ama só os santos, os virtuosos, mas as pessoas sensíveis aos seus sinais, vigilantes e dispostas a ouvir a Sua Palavra, e a corresponder aos seus apelos, fazendo um caminho diferente dos seus caminhos, para se encontrar com o conhecimento que salva, a verdade que liberta, a vida renovada e iluminada pelo brilho de Deus. É isto o Natal.
Natal é se encontrar com Deus e renovar a vida com Ele. É abrir uma brechinha no coração e deixar a Luz de Deus entrar na alma e fazer-nos brilhar de dentro para fora.
Que este Natal seja assim para você. E seja abençoado.
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25th dezembro
2011
escrito por Padre Ronaldo

É Natal, Jesus nasceu, fez-se homem para morar com os homens e fazê-los viver o caminho para Deus. Apesar do dia, estou postanto o artigo que escrevi no domingo passado, no quarto domingo do advento, que fala sobre Nossa Senhora, a nova filha de Sião.
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Amanhã, posto o artigo do dia de Natal.
Bom Natal para todos, com as bênçãos de Deus.
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Maria, a nova Sião

O quarto domingo do Advento apresenta-nos a eminente figura de Nossa Senhora numa das mais belas e conhecidas páginas dos Evangelhos. As muitas “Anunciações” que conhecemos se inspiram no texto que lemos de São Lucas. O envio do Anjo Gabriel a Nazaré, o seu diálogo com Maria e, sobretudo, o modo como ele se dirige a ela, mudando-lhe o nome (o Anjo diz: “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo”) e a resposta dela ao final (“Eu sou a serva do Senhor; faça-se em mim segundo tua palavra”), constituem, de fato, uma cena memorável, que não pode senão ser re-cordada (no sentido de trazida de volta ao coração), constantemente, e lembrar-nos de como somos amados por Deus.
A resposta dela ao Anjo, dizendo-se “serva” e fazendo-se receptáculo da ação de Deus, resume e consuma seu ato de fé. Não há dúvida no coração de Maria, não há reservas nem condições para o Senhor fazer cumprir o que o Anjo lhe diz. Ela aceita totalmente Deus em sua vida e se entrega a Ele por completo. Assim ela se nos apresenta, como fiel, obediente, pronta a escutar o que o Senhor lhe fala, na pessoa do Anjo Gabriel.
A primeira leitura da missa, tirada do segundo livro de Samuel (cap. 7), nos faz compreender melhor o por quê de tanta deferência àquela jovem de Nazaré. Na profecia se fala da promessa que Deus fará cumprir à Casa de David. As palavras de Natã estão agora claras nas palavras de Gabriel referentes ao Filho de Maria: “Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de David, seu pai; ele reinará na casa de Jacó para sempre, e o seu reinado não terá fim”.
A casa material de David era Jerusalém, também chamada de Sião. No seu interior, estava o Templo do Senhor, o lugar que Deus escolhera para habitar. Ali os hebreus prestavam o seu culto, faziam seus sacrifícios, queimavam o incenso de louvor e se sabiam olhados por Deus, como diz o salmista: “Tu que habitas ao abrigo do Altíssimo e te hospedas à sombra do Onipotente, dize ao Senhor: Refúgio meu, fortaleza minha, Deus meu, eu confio em ti” (91,1-2). Mas Ele habitaria aí só por um tempo, até que a palavra do profeta fosse cumprida.
Agora o tempo havia chegado. Com o anúncio do Anjo e a encarnação do Verbo de Deus no seio da Virgem Maria, a Mãe do Salvador se torna a nova Sião, em cujo interior não está mais um templo de pedra, como era o de Salomão, mas o Templo Vivo, o Templo de Carne, o próprio Cristo, como nos dirá São João no prólogo do seu Evangelho: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós; e nós vimos a sua glória”.
No seio de Maria Deus revela a plenitude do seu poder. Sua presença é inquestionável e abarcará todos os corações. O Filho que nascerá da Virgem mostrará a verdadeira face do Pai, e ele o dirá: “Quem me viu, viu o Pai”.
A “sombra do Onipotente” não está mais sobre a colina de Sião, envolvendo o Templo de Jerusalém. A “sombra do Onipotente” se apoderou de Maria, envolveu-a com a sua força, e o que nela começa a ser gerado, de um modo milagroso, é de todos nós o Refúgio, a Fortaleza, o Deus único, em quem confiamos. Maria é a nova Sião e Jesus, o Emanuel, o Deus conosco, o Templo Vivo, diante do qual todo joelho se dobrará e toda língua proclamará que Ele é o Senhor.
Aguardando a festa do nascimento de Jesus, o Natal do Salvador, sabemos que, com todas as forças do nosso ser, e com muito mais direito que os povos de outrora, podemos cantar ao Senhor: Tu és o “refúgio meu, Fortaleza minha, Deus meu, eu confio em Ti”.

9th dezembro
2011
escrito por Padre Ronaldo

Estamos entrando na terceira semana do advento. Neste período, algumas figuras bíblicas aparecem com maior brilho. Isaías na primeira semana e João Batista, na segunda e terceira semanas. Na quarta semana, Nossa Senhora é a personagem principal. Posto hoje as duas últimas reflexões que fiz sobre os santos evangelhos das duas últimas semanas:
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Vigiar

Começamos um novo ano litúrgico. Até a festa de Cristo Rei do próximo ano, percorreremos todo o mistério de Cristo, desde o seu nascimento até o final dos tempos. Este poderá ser um período de crescimento espiritual, se aproveitarmos bem cada celebração, cada evento salvífico que a Igreja celebra, para melhorar nosso relacionamento com Deus e com as pessoas que estão ao nosso redor.

O advento, que nos prepara para o Natal do Senhor, começa com um grande alerta divino: “Atenção, vigiai, pois não sabeis quando será o momento” (Mc 13,33). Está caracterizado, assim, que esta nossa vida é um tempo de espera, uma longa noite que aguarda pela luz do sol.

Na verdade, a vida é uma noite que nos faz sonhar. O erro é tomar o sonho como realidade absoluta, fazendo-nos apegar ao que não tem consistência nem estabilidade. Por isso, Jesus nos pede que estejamos atentos, para não sermos enganados por uma falsa realidade, que podemos pensar ser a única possível. Daí a necessidade de estarmos despertos, acordados, ou seja, atentos, sem distração, não apegados ao que é transitório. O fundamental da vida pode nos escapar, se estivermos distraídos. Fundamental é aquele que dá sentido a toda a vida e às coisas da vida, Jesus Cristo, e ele pode voltar a qualquer momento.

A noite em que estamos envolvidos é perigosa. Ela nos engana. Precisamos vigiar, não dormir, para não cairmos em tentação. A pior tentação é viver como se não tivéssemos que prestar contar das coisas que nos foram confiadas, pelas quais somos responsáveis. É bom lembrar que a noite não dura para sempre. É durante a noite que o diabo semeia a maldade em nosso meio, as desconfianças, o mau humor, os murmúrios. É à noite que vem o sofrimento, as dores, a prova, os ataques do inimigo. Nem Jesus escapou dos perigos da noite. Foi de noite que Judas o traiu. A noite nos expõe em toda a nossa fragilidade. Devemos estar atentos quanto a isso.

A noite é o símbolo da vida presente, que é um sonho. O sonho pode tirar-nos a responsabilidade dos nossos atos. A liturgia deste domingo nos obriga a acordar, para não sermos apanhados sem fazer o que nos cabe. O alerta de São Paulo aos efésios é também para nós: “Ó tu, que dormes, desperta e levanta-te de entre os mortos, que Cristo te iluminará” (5,14). Quem não conhece a luz de Cristo continua preso ao que não é importante, aos maus sentimentos, à raiva, à violência, à ganância, ao ódio, ao revide. O mau age na escuridão da noite, como o diabo. Nós, ao contrário, que somos filhos da luz, agimos na luz.

São Paulo diz que somos “filhos da luz, filhos do dia”. E completa: “Não somos da noite, nem das trevas. Portanto, não durmamos, a exemplo dos outros; mas vigiemos e sejamos sóbrios” (1Tes 5,5s).

Nós conhecemos o mal, mas não podemos condescender com ele, nem abrigá-lo em nosso coração. Ele não deve encontrar guarida em nossa alma. Ele traz escuridão e morte, e nos afasta de Deus, pois nos faz dormir e viver de modo irresponsável.

A Palavra de Deus tem o poder de nos despertar e nos fazer ver a luz. O salmista assim o diz: “Tua palavra é lâmpada para meus pés e luz para o meu caminho” (119,105). Quem se deixa guiar por ela, encontra a luz verdadeira, Cristo: “Eu sou a luz do mundo, quem me segue não anda nas trevas, mas terá a luz da vida”.
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João Batista

São Marcos nos apresenta logo no início do seu Evangelho a figura de João Batista, o Precursor de Jesus. E diz que “João esteve no deserto, proclamando um batismo de arrependimento para remissão dos pecados”. Informa-nos ainda que sua atividade se estendeu por toda a região, batizando os que o procuravam “no rio Jordão”. A sua mensagem dizia o quanto ele sabia que o mundo presente não tinha outra saída senão voltar para o caminho de Deus, e que para isso era necessário que homens e mulheres se convertessem e aceitassem o batismo de penitência e libertação.

João anuncia, assim, o iminente juízo de Deus sobre os homens que optaram pela semente da maldade e se perverteram; proclama a chegada do portador do juízo divino e da salvação, aquele que vai separar com o machado a árvore boa da má; mas oferece a todos a oportunidade de uma nova vida, através do seu batismo, que levará ao encontro da libertação dada por Deus.

O próprio Jesus se deixa batizar por João nas águas do Jordão, um rio que, desde as nascentes, junto ao monte Hermon, até o mar Morto, mede uns 200 km de extensão. Quem visita a Terra Santa faz parada obrigatória ou nas fontes desse rio, em Banyas, onde Pedro fez sua famosa profissão de fé na divindade de Jesus, ou no santuário onde os peregrinos também se fazem batizar, como Jesus.

O gesto de batizar (imergir na água) ultrapassou o significado da simples imersão na água e passou a ter o sentido de purificação e de consagração. Quando um peregrino vai ao Jordão e “renova” aí o seu batismo é para reavivar também sua consagração a Cristo e prometer dedicar-se totalmente a ele.

Este sentido já estava presente no batismo de João, pois pressupunha que o batizado naquelas águas assumia o compromisso de renovar sua vida interior, fazer uma reviravolta nos seus caminhos e procurar “a face de Deus”, a fim de evitar ser cortado da lista dos eleitos de Deus.

Essa renovação da vida estava agora ao alcance de todos, pois quem se fazia batizar poderia, de imediato, conhecer Deus face a face, na pessoa de Jesus Cristo. Além disso, os batizados eram introduzidos na nascente comunidade messiânica, no tempo do cumprimento da promessa, e passavam a ser membros da “Casa de Deus”, a Igreja.

João, todavia, ao facilitar esse encontro com Jesus, também mostra o seu perfil, o seu rosto. Ele é o “mais forte”, aquele que dá o Espírito Santo, o prometido pelos profetas que veio cumprir o que acerca dele foi escrito, o “cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. João sabia disso tudo, até que deveria “diminuir” para que Jesus se tornasse o “maior”. Ao terminar sua missão, de ser testemunha do Verbo da Vida, antecipou-se no seguimento a Jesus, sobretudo na sua paixão e morte, com a grande diferença de que Jesus, o mais forte, ressuscitou dentre os mortos, venceu e subjugou a morte, e o seu batismo é para nos dar o Espírito Santo.

Mas isso não diminui a importância de João Batista, antes o eleva como nenhum outro que nasceu de mulher, como o disse o próprio Jesus. Por isso, a palavra do Precursor continua muito atual, nos alertando para permanecermos nos caminhos retos de Deus.
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Bom final de semana a todos.
Amanhã, sábado, teremos o nosso retiro espiritual, em preparação ao Natal. Serás das 8 às 10 h. Venha participar conosco.
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5th dezembro
2011
escrito por Padre Ronaldo

Ponho mais dois artigos publicados no Vox, e que estão atrasados neste espaço.
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Cristo, Rei do Universo

Este é o último domingo do ano litúrgico, que se encerra com a festa de Cristo Rei do Universo. O Evangelho é o do juízo final, em que o Senhor Jesus aparece como o Rei de todo o mundo, sentado em seu trono de glória, de onde procede ao julgamento dos homens, fazendo a definitiva separação.

Logo aparece no Evangelho o critério desta separação, que é este: tudo o que fazemos ou não ao mais humilde dos irmãos é ao próprio Cristo que o fazemos. No ato final de Cristo, há notadamente uma separação entre dois grupos opostos, com sentenças opostas: “Vinde, benditos” ou “afastai-vos de mim, malditos”, diz o juiz. O motivo é este: “Me acolhestes” ou “Não me acolhestes”. E à pergunta: “Quando?” a resposta é sempre a mesma: “O que fizestes ou não ao menor dos meus irmãos, foi a mim que fizestes ou não fizestes”.

Este critério é absoluto. A separação também é absoluta e definitiva. Ou seja, tanto o prêmio, a recompensa, quanto a condenação, são eternos. Noutra palavra, o céu é eterno, o inferno é eterno.

O Rei sentado em seu trono glorioso, que julga, é solidário com todos os que sofrem. A sua estada entre nós na carne não foi um passeio entre os homens. Aqui ele viveu a nossa vida e a assumiu como sua, fazendo-se homem como nós.

Agora, ao final, todos nós prestaremos conta diante dele de tudo o que dele recebemos. E haveremos de reconhecer neste juiz aquele que “está sentado à direita do Pai” para julgar os vivos e os mortos. Ele nos julgará de acordo com o que fizemos em nossa vida.

A lição deste texto do Evangelho pode parecer distante de nós, mas não está. Assim como nos revela o futuro, abre-nos os olhos para os dias de nossa vida, para o nosso hoje, a fim de que não sejamos enganados quanto à responsabilidade de fazermos escolhas boas, visando ao bem não somente de nós mesmos, mas, sobretudo, do outro, que o Senhor colocou aos nossos cuidados. A hora da salvação, pois, é agora, e não amanhã.

Em cada irmão que encontramos sempre vemos Deus. Aprendemos na Sagrada Escritura que o Primeiro Mandamento é igual ao Segundo Mandamento (“Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e ao teu próximo como a ti mesmo”), porque este Senhor se fez nosso próximo, quando quis vir morar conosco em nosso corpo.

Fica-nos, então, a grande orientação do Evangelho: acolher o irmão, em casa ou na Igreja, no trabalho, em nossas reuniões (até as chatas, sem nenhuma utilidade), nas celebrações litúrgicas, não ser empecilho para o seu crescimento, sua santificação, seu bem-estar espiritual, significa acolher ou não a salvação, que Deus nos oferece.

O amor aos outros é, portanto, a suprema referência da nossa vida de fé e a responsabilidade pelo outro, pelo irmão, por aquele que está conosco no dia a dia, ou que depende de nós, o menor, ou mais fraco, ou mais pobre, o modo cotidiano como nós demonstramos esse amor. É esta maneira de viver que fará a diferença no dia do julgamento final, na presença de Cristo, Rei do Universo.
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Boa semana a todos.

Deus nos deu talentos

O Evangelho deste domingo (Mt 25,14-30) fala do Senhor que pede contas aos seus servos. Ou, se preferirmos, da prestação de contas que cada um de nós deve submeter a Deus, ao final de nossa vida na terra.

Deus confiou os seus “bens” a nós, suas criaturas, de acordo com nossa capacidade administrativa. Não nos deu nem mais nem menos, apenas o que somos capazes de fazer. Os talentos de que nos fala o Evangelho podem ser, certamente, coisas materiais, mas podem ser também, e acredito que o sejam, bens espirituais, sem dúvida com forte incidência no cotidiano.

Esses bens, Deus os entregou a nós na qualidade de administradores, não como proprietários, e nós nos devemos empenhar para usá-los não em nosso próprio benefício, como o fazem os usurpadores, mas para Deus, que um dia nos cobrará os resultados por ele esperados. Porque tudo o que temos, e aqui incluo os bens materiais, por mais que tenhamos trabalhado com afinco para adquiri-los, na verdade os devemos exclusivamente a Deus, origem de todos os nossos bens. Os que não reconhecem a origem divina de tudo o que possuímos são incapazes de um mínimo gesto de gratidão, e primam, por isso, pela arrogância, prepotência e outros males do espírito, pois tomam como seu o que de fato pertence a Deus.

Os talentos que Deus dá a cada um de nós são prova de sua bondade e confiança que tem em nós, e não a sua severidade, como disse aquele preguiçoso, que enterrou o talento que recebeu, como se o dom que lhe foi dado fosse algo morto. Com efeito, os talentos divinos são vivos, porque pela sua própria natureza devem produzir frutos, multiplicando-se não só em quantidade, mas também em qualidade. Ou seja, Deus nos oferece, a cada dia, algum bem que deve gerar outro bem. Se não gerar outro bem, então, sim, nós o matamos e o enterramos, como se enterra o que está morto. Neste caso, não podemos devolver a Deus, porque Deus não nos deu algo morto, mas vivo.

Aqueles que reconhecem que Deus lhes deu um dom vivo e trabalham para multiplicá-lo, gerando um novo dom, um novo bem, seja ele material ou espiritual, que corresponda ao propósito de Deus, entregam a Deus, o Senhor que sempre retorna aos seus domínios, os bens aumentados, como o fizeram os dois primeiros servos da parábola. Como recompensa, o Senhor lhes concede uma fecundidade incalculável, pois se somam aos talentos originais os seus frutos, os bons resultados, tudo contado para a felicidade eterna.

O servo que enterrou o talento, por medo de ser cobrado ou por preguiça de trabalhar, e tratou o talento como algo morto, ao contrário dos dois primeiros, encontra na preguiça ou na indolência sua desgraça, e padecerá o destino dos que não são cuidadosos com os dons que receberam de Deus, esbanjando sua vida como se o Senhor tivesse deixado de existir, confundindo uma simples e breve viagem com um eterno exílio.
Digo isso porque Deus não se exilou da terra nem se afastou de nós, deixando-nos escravos do nosso temível destino. Deixou-se, sim, como administradores dos seus bens, mas logo voltará para tomar nossas contas, ou iremos nós a ele para prestar contas da vida que recebemos.
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4th dezembro
2011
escrito por Padre Ronaldo

Ontem, sábado, os jovens da paróquia fizeram coleta de alimentos para a campanha da Arquidiocese “Belém, casa do pão”. São nossa responsabilidade 18 comunidades da área insular de Belém. Deveremos preparar aproximadamente 480 cestas básicas. Já temos, graças a Deus, um bom número de alimentos, e outros estão chegando.
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Posto hoje mais dois artigos atrasados, que saíram no Vox Dei. Espero que sejam úteis para uma boa reflexão e melhor conhecimento da Palavra de Deus:
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Deus nos quer santos

O dia de todos os santos não é mais feriado religioso no Brasil. Por isso essa festa é transferida para o domingo seguinte à data. Isso não quer dizer que ela perdeu a importância que teve no passado. Ao contrário, o chamado à santidade permanece sempre atual, como exigência fundamental da fé cristã:
“Como é santo aquele que vos chamou, tornai-vos também vós santos em todo o vosso comportamento, porque está escrito: sede santos, porque eu sou santo”.
Esta é a exortação do apóstolo São Pedro em sua primeira carta (1,15-16), pedindo que todos nós sejamos imitadores da santidade de Deus, como lemos no livro do Levítico (19,2).
Esta imitação, porém, parece-nos difícil, porque só Deus é santo. Mas nós imitamos a Deus quando amamos os outros e quando agimos de acordo com o querer de Deus, não fazendo nada que O agrida ou vá contra a vontade dele.
Os muitos sofrimentos por que passam as nações, e mesmo as famílias, estão no fato de os governantes, e também as famílias, estarem se afastando cada vez mais de Deus, deixando de cumprir os preceitos divinos, entretendo-se com seus próprios interesses, nem sempre conformes aos pensamentos de Deus. Este modo de vida não é imitação de Deus. A imitação de Deus nos leva à santidade.
Muitos se perguntam, diante das competições acirradas que medram nos meios sociais e dos aparentes sucessos dos que fazem o pacto da conveniência em detrimento da Lei de Deus, se vale a pena ser santo nos dias de hoje. É claro que vale, sobretudo se entendermos que a motivação para a santidade é o próprio Deus, que é nossa origem e nosso destino. Fora de Deus não há nada para o homem, cuja vida não se sustenta por si mesma, mas está nãos mãos de Deus, como nos diz o livro da Sabedoria.
A santidade de Deus é o seu principal atributo. Nós participamos dessa santidade, não num estágio posterior à vida, na morte, pela qual todos passamos. Santos não são apenas aqueles que a Igreja reconhece como heróis da fé e inscreve no rol dos canonizados. Santos são todos os que lavaram suas vestes no sangue do Cordeiro, ou seja, se empenharam em viver sua vida seguindo em tudo os ensinamentos de Jesus, arriscando-se todos os dias por serem fiéis testemunhas de Cristo ressuscitado.
A nossa santidade, como imitação de Deus, é decidida no coração modelado pelo Evangelho. Neste caso, o santo não é aquele que está separado das realidades do mundo, imune aos problemas pelos quais todos nós, mortais, passamos. Santo é aquele que está intimamente unido a Jesus Cristo, o “Santo de Deus” (Jo 6,69), que viveu em tudo a condição humana, menos o pecado. Por isso, os seus discípulos estão no mundo para transformar o mundo, agindo como a alma no corpo.
As boas obras que praticamos são o espelho da nossa santidade. É assim que cumprimos a vontade de Deus, como o diz São Paulo: “Esta é a vontade de Deus, a vossa santificação” (1Tes 4,3).
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Deus nos deu talentos

O Evangelho deste domingo (Mt 25,14-30) fala do Senhor que pede contas aos seus servos. Ou, se preferirmos, da prestação de contas que cada um de nós deve submeter a Deus, ao final de nossa vida na terra.

Deus confiou os seus “bens” a nós, suas criaturas, de acordo com nossa capacidade administrativa. Não nos deu nem mais nem menos, apenas o que somos capazes de fazer. Os talentos de que nos fala o Evangelho podem ser, certamente, coisas materiais, mas podem ser também, e acredito que o sejam, bens espirituais, sem dúvida com forte incidência no cotidiano.

Esses bens, Deus os entregou a nós na qualidade de administradores, não como proprietários, e nós nos devemos empenhar para usá-los não em nosso próprio benefício, como o fazem os usurpadores, mas para Deus, que um dia nos cobrará os resultados por ele esperados. Porque tudo o que temos, e aqui incluo os bens materiais, por mais que tenhamos trabalhado com afinco para adquiri-los, na verdade os devemos exclusivamente a Deus, origem de todos os nossos bens. Os que não reconhecem a origem divina de tudo o que possuímos são incapazes de um mínimo gesto de gratidão, e primam, por isso, pela arrogância, prepotência e outros males do espírito, pois tomam como seu o que de fato pertence a Deus.

Os talentos que Deus dá a cada um de nós são prova de sua bondade e confiança que tem em nós, e não a sua severidade, como disse aquele preguiçoso, que enterrou o talento que recebeu, como se o dom que lhe foi dado fosse algo morto. Com efeito, os talentos divinos são vivos, porque pela sua própria natureza devem produzir frutos, multiplicando-se não só em quantidade, mas também em qualidade. Ou seja, Deus nos oferece, a cada dia, algum bem que deve gerar outro bem. Se não gerar outro bem, então, sim, nós o matamos e o enterramos, como se enterra o que está morto. Neste caso, não podemos devolver a Deus, porque Deus não nos deu algo morto, mas vivo.

Aqueles que reconhecem que Deus lhes deu um dom vivo e trabalham para multiplicá-lo, gerando um novo dom, um novo bem, seja ele material ou espiritual, que corresponda ao propósito de Deus, entregam a Deus, o Senhor que sempre retorna aos seus domínios, os bens aumentados, como o fizeram os dois primeiros servos da parábola. Como recompensa, o Senhor lhes concede uma fecundidade incalculável, pois se somam aos talentos originais os seus frutos, os bons resultados, tudo contado para a felicidade eterna.

O servo que enterrou o talento, por medo de ser cobrado ou por preguiça de trabalhar, e tratou o talento como algo morto, ao contrário dos dois primeiros, encontra na preguiça ou na indolência sua desgraça, e padecerá o destino dos que não são cuidadosos com os dons que receberam de Deus, esbanjando sua vida como se o Senhor tivesse deixado de existir, confundindo uma simples e breve viagem com um eterno exílio.
Digo isso porque Deus não se exilou da terra nem se afastou de nós, deixando-nos escravos do nosso temível destino. Deixou-se, sim, como administradores dos seus bens, mas logo voltará para tomar nossas contas, ou iremos nós a ele para prestar contas da vida que recebemos.
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Boa semana a todos.

2nd dezembro
2011
escrito por Padre Ronaldo

Tenho relaxado na atualização do blog, mas é por pura falta de tempo mesmo. Os artigos que publico no Vox Dei, toda semana, estão atrasados neste espaço. Quero atualizar os textos, e fazer, também, pequenos comentários sobre assuntos atuais.
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Primeiro, o artigo de algumas semanas atrás, sobre o duplo mandamento do amor. Espero que lhe seja útil:
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O duplo mandamento do amor
No texto do Evangelho que lemos na missa deste domingo (Mt 22,34-40) vemos o Senhor diante de outra dificuldade que os fariseus lhe propõem, com a intenção clara de perturbá-lo, ou tirá-lo do sério, para mudá-lo do foco da sua missão. Eles, que distinguiam entre pequenos e grandes mandamentos divinos, queriam saber se Jesus também tinha um “grande” mandamento e em que este se diferenciava do deles.
Jesus lhes responde com palavras da própria Escritura, citando dois textos que eles conheciam muito bem. Um, extraído do livro do Deuteronômio (6,5), de recitação diária para todo judeu, que contém o preceito do amor a Deus. O outro é do livro do Levítico (19,18), sobre o amor ao próximo. Sem dar peso de qualidade, Jesus equipara os dois mandamentos ao mesmo grau de importância.
O amor a Deus, como também o entendem os judeus, se manifesta na obediência ao que o próprio Senhor estabeleceu na Aliança do Sinai, na piedade com que esses mandamentos são acatados e aceitos no coração e na fidelidade à Lei divina.
Essa obediência é total e indivisa, ou seja, não pode ser fracionada, levada em conta pela metade, mesmo sob o risco da própria vida, mas com o empenho de todo o conjunto da existência, isto é, do corpo e da mente, das forças físicas e das capacidades intelectuais.
Esse amor a Deus vai, portanto, além dos sentimentos e até das orações, que podem ser feitas apenas da “boca pra fora”, sem nenhuma fé. O verdadeiro amor a Deus atrela a pessoa que ama às realidades terrenas, à sua circunstância histórica e social, familiar, porque Deus não está lá nos céus e nós, cá na terra, mas Deus e nós fazemos parte da mesma história divina.
O outro grande mandamento de que fala Jesus é o amor ao próximo, como o definira o livro do Levítico. Também este amor vai além e ultrapassa o mero sentimento ou afeto do coração, por nobre que isto seja. Ele comporta preceitos éticos fundamentais em nossa relação com a outra pessoa.
O amor ao próximo não é algo abstrato, mas concreto, pois significa respeitá-lo em todos os aspectos da sua vida: não lhe tirar o que lhe pertence, nem os bens, nem dignidade ou a honra, com mentiras ou qualquer subterfúgio; não enganá-lo nem jurar falso para prejudicá-lo; não caluniá-lo nem nutrir raiva ou ódio por ele, mas abençoá-lo, fazer-lhe o bem, reconciliar-se, perdoá-lo, não julgá-lo nem chamá-lo de coisas feias. Essa exigência de um comportamento prático terá um efeito benéfico na vida do próximo, que o levará ao conhecimento do próprio mandamento e ao amor a Deus.
Estes dois mandamentos sustentam o mundo e são as duas colunas de proteção à vida. O mandamento do amor ao próximo é tão radical quanto ao amor devido a Deus, que não admite nenhum tipo de restrição ou limite. Neste caso explícito, o duplo mandamento do amor é mais uma instrução para nós discípulos, que não devemos deixar de por em prática todos os dias.
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Ensinados por Deus
Uma das pinturas que embelezam nossa Igreja apresenta Jesus ensinando seus discípulos, como o verdadeiro Mestre. Não como um mestre na acepção moderna, que transmite uma doutrina, cujos discípulos moram em suas casas e o encontram numa escola para o escutar. E depois vão-se embora de volta para suas casas, com o que aprenderam, ou não.
No tempo em que Jesus viveu entre nós, os discípulos iam morar com o mestre. Jesus assim o fez, chamando para junto de si os que ele quis, como nos diz o Evangelho. Os discípulos aprendem com Jesus, noite e dia, o seu modo de vida, o seu comportamento, e como responde às exigências do momento. Jesus ensina a viver e não só transmite uma nova doutrina, um novo ensinamento. Somente depois desta experiência de vida é que Jesus envia os discípulos a pregar a Boa Nova do Reino de Deus e a espalhar o seu ensinamento.
Não é à toa que Jesus insiste em dizer-nos que devemos aprender com ele, sem nos deixar vencer pelas preocupações do dia a dia, que, às vezes, parecem nos massacrar ou subjugar. Por isso pede que tomemos o seu “jugo”, que é leve, e conclui: “Aprendam de mim” (Mt 11,29). Ou seja, Jesus é a Sabedoria que ensina o caminho para a felicidade, para a alegria e para a paz. Ele mesmo se propõe como o Caminho, a Verdade e a Vida. Quem o segue, ele afirma, não andará jamais na escuridão, nem o medo o intimidará.
Aceitar Jesus como Mestre e se dispor a escutar suas palavras, a viver seus ensinamentos, a obedecer seus preceitos, enfim, tê-lo como Caminho de vida é, portanto, mais do que freqüentar sua “escola”, ou mesmo a Igreja, e depois dispersar-se. Significa seguir seus passos e continuar sua vida, como ele a viveu.
Em seu estilo de vida, o Senhor Jesus nos faz conhecer o verdadeiro Deus e nos faz também conhecermos a nós mesmos. De Deus, o Pai, nos introduz no seu mistério de amor, na sua intimidade mais profunda. Sobre nós, revela que temos um lugar especial no coração de Deus, que somos destinados à vida eterna, que somos livres pela graça e que as trevas não têm nenhum poder sobre nós.
Revela-nos Jesus qual a vontade de Deus a nosso respeito, não algo abstrato, ou longe das nossas possibilidades. Deus espera de nós coisas bem simples, mas importantes e significativas, não só para nós, mas, sobretudo, para os outros, que esperam ver em nós a imagem do Deus que nós dizemos acreditar, ao qual rezamos e cantamos, louvamos e glorificamos. O louvor a Deus traz como conseqüência imediata o amor efetivo ao irmão que vive conosco na mesma Igreja, que participa da mesma ceia e se alimenta da mesma Eucaristia.
Isto nem sempre é fácil de fazer, mas é uma exigência da fé e do Evangelho que aprendemos do próprio Senhor, que nos chamou, um a um, para estar com ele, a fim de nos preparar para toda boa obra. Uma obra má não vem de Deus, sua inspiração não é divina.
Em nossa vida de fé não podemos ter outro Mestre, senão o Senhor Jesus. Quando ele nos diz: “nunca vos deixeis chamar de Mestre, pois um só é o vosso Mestre” é para garantir-nos com plena segurança que só ele nos pode guiar para a verdade completa, pelo seu Espírito que em nós foi derramado. Diariamente, onde quer que estejamos, todos deveriam saber que fomos ensinados por Deus.
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5th novembro
2011
escrito por Padre Ronaldo

I Encontro de Jovens da Paróquia:
Desde ontem, sexta-feira, 4, 60 jovens da paróquia estão reunidos em Mosqueiro, para o nosso primeiro encontro da juventude paroquial. Voltarão amanhã, domingo, e encerrarão o encontro com a celebração da Santa Missa, às 17 horas. Vários casais os estão acompanhando, juntamente com o Diácono Fábio Lobato e sua esposa, Lorena. Rezemos pedindo a Deus lhes conceda perserverança e entusiasmo neste encontro com Cristo.
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Posto outro artigo atrasado do Vox Dei, um breve comentário do Evangelho onde se lemos a controvérsia de Jesus com os fariseus sobre a questão dos compromissos devidos à comunidade e a Deus, com a famosa frase de Jesus, pondo fim à conversa: “Dar a Deus o que é de Deus e a César o que é de César”. Boa leitura:
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Dar a Deus o que é de Deus

O Evangelho desta semana (Mt 22,15-22) nos põe diante de um problema que parecia resolvido, mas que sempre surge como uma questão delicada: A relação entre Igreja e Estado, ou entre os deveres civis e as obrigações religiosas.
Muitas soluções já foram propostas para esse problema. A mais antiga não desobrigava os cristãos dos seus compromissos com o Estado, enquanto cidadãos, mas afirmava com clareza que a obediência a Deus está acima de todas as outras obrigações e lhes é muito superior. Nenhuma lei de Estado obriga mais que a lei de Deus.
Na verdade, nós somos mais devedores de Deus do que devedores do Estado, no sentido de que é Deus a fonte de tudo o que temos na vida, inclusive a própria vida. Tudo é dom de Deus, é graça, dádiva, e nos vem por Sua benevolência.
Ademais, Deus é aquele que “abate as nações e sujeita os reis” (Is 41,2) e a quem pertence “a terra e o que nela existe, o mundo e seus habitantes” (Sl 24,1).
Negar esse Senhorio a Deus é não só opor-se a Ele, mas, sobretudo, afirmar uma dependência do mundo e dos poderes que o sustentam. Esta dependência do mundo é nociva ao homem, porque o cega e o engana, fazendo-o acreditar que é dono único da sua história e do seu destino, e, às vezes, até do destino alheio. A cegueira aprisiona-o e o impede de aceitar que a Deus pertence tudo, céu e terra, os reinos da terra, os seus habitantes e até os governantes, os quais não deveriam agir contra a vontade de Criador.
Na controvérsia que Jesus trava com os fariseus, fica claro que o ensinamento que nos transmite não quer contrapor os dois reinos, mas definir que a obediência a Deus é o maior e o principal preceito que os seus seguidores devem se impor como o mais sagrado dever religioso, ao qual todos os outros preceitos estão subordinados.
A verdade do texto evangélico, então, é evidente e não admite nenhuma dúvida: a obediência a Deus abarca todos os âmbitos da vida do fiel, sem exceção. Ou seja, o cumprimento das leis divinas por parte de quem tem fé não está condicionado às circunstâncias sociais, políticas ou de qualquer outra natureza. As exigências de Deus têm prioridade às da sociedade e do Estado.
Jesus não aceita dividir o homem em duas unidades, o material e o espiritual. Não diz que o material do homem (sua vida social e política) está submetido ao poder do Estado e o espiritual, ao poder de Deus. Afirma que, embora sejamos cidadãos de um Estado, estamos todos sob o poder absoluto de Deus, o verdadeiro Senhor de todas as coisas. Recusa a afirmação de que o Estado é divino. Ele pode ser demoníaco, sobretudo quando não está a serviço da sociedade, mas segue um modelo violento e destrutivo, corrompendo-se e fazendo corromper.
Dar a Deus o que é de Deus significa reconhecer que tudo é de Deus, porque tudo foi dado por Ele como dom a todos.

2nd novembro
2011
escrito por Padre Ronaldo

Outro artigo já publicado no Vox foi este sobre Jesus, nosso recurso de vida.
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Hoje é dia de rezar pelos fiéis defuntos. Não basta acender uma vela, mas é necessário uma oração confiante ao nosso Deus, por aqueles que ele chamou.
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O último recurso da vida

A leitura de Isaías 5,1-7, o belíssimo “cântico da vinha”, fala certamente do povo de Deus, simbolizado pela vinha. Mas o cântico retrata dois movimentos do coração de Deus, que aparecem claramente no texto: o amor incondicional que Deus tem pelo seu povo, ao qual não se cansa de dar sinais de atenção e carinho, e a Sua ira diante da infecundidade espiritual desse mesmo povo. Ou seja, Deus ama, mas também se entristece pelos constantes desvios que vê e pelo pouco caso que os seus filhos dão aos ininterruptos convites à conversão, à mudança de comportamento e chamados vários à vida moldada pelos seus ensinamentos.
A parábola contada por Jesus retoma o tema do profeta Isaías. A interpretação não é difícil, pois Jesus faz um resumo da história da salvação, cujo ápice é ele próprio.
Os vinhateiros são os israelitas, o povo da primeira aliança. O patrão é Deus. Os mensageiros do patrão são os profetas, enviados para lembrar que o povo devia obediência a Deus porque tinha aceitado cumprir o pacto da aliança. O Filho, enviado por último, é Jesus mesmo. Os homicidas são todos aqueles que rejeitam Jesus Cristo e lhe negam a divindade, a sua condição de Filho de Deus. Os homicidas do Filho perdem a vinha, ou seja, o Reino de Deus, os seus privilégios de povo eleito. O Reino de Deus é transferido ao novo povo de Deus, os verdadeiros discípulos do Senhor, que creram nele e o aceitam como o Messias prometido pelos profetas.
Os novos crentes, que abandonaram práticas religiosas pagãs, crendices, fetiches, idolatria, testemunham sua fé e adesão a Cristo ouvindo Sua Palavra e pondo em prática o que ouviram ou do próprio Senhor ou daqueles que Ele enviou como seus mensageiros.
O severo juízo de Deus se abate sobre aqueles que se recusam a obedecer e a voltar para Deus, preferindo a obstinação, a rebeldia, a vida sem nenhum compromisso com Deus, como auto-afirmação de uma pretensa e vazia liberdade.
Ao pecado sempre corresponde a ira de Deus. Mas a ira de Deus nunca é maior do que sua misericórdia. Ao contrário dos homens que persistem na maldade, Deus persevera na bondade. Enquanto os homens planejam seus atos maus, Deus se excede num último recurso, que é Jesus.
Ao final da parábola, este Jesus pergunta sobre o destino dos maus, e a resposta dos doutores da Lei é rápida: “Deus destruirá os maus”, dizem eles a Jesus, embora não percebam que se trata deles mesmos. Assim acontece ainda nos dias de hoje. Muitos são velozes em prever as conseqüências dos pecados dos outros_ a destruição, a ruína, mas não conseguem ver seus próprios pecados e o seu próprio fim, definido pelo pecado. A lição completa é que ninguém que faz sempre o mal consegue se sair bem, porque o mal, ou a falta de conversão, é uma rede da qual jamais se escapa sem uma sincera e honesta vontade de desistir dele.
O recurso ao qual se pode sempre recorrer é Jesus, mas esta mudança de direção não pode tardar, ou postergada para mais tarde, porque “a vida do homem está nas mãos de Deus” e não depende dos seus projetos nem interesses por alcançar.
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1st novembro
2011
escrito por Padre Ronaldo

Deixei de publicar os textos do nosso jornal paroquial, mas agora retoma sua publicação, para que você possa acompanhar as reflexões que fazemos nas missas dominicais. Vou colocar nestes dias os textos atrasados.
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Quero lembrar que amanhã, dia dos fiéis defuntos, teremos missa em dois horários em nossa Igreja: às 08 horas e às 18 horas. No Cemitério da Soledade, às às 09:30 h e às 17 horas.
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Fazer a vontade de Deus

Está aumentando o número dos que deixam de acreditar em Deus, dos que abandonam a fé e passam a questionar a autoridade da Sagrada Escritura no tocante a variados assuntos, até mesmo sobre o valor da vida humana. No Brasil, esses já chegam a milhões, e não mais se escondem.
Na parábola contada no Evangelho deste domingo (Mt 21,18-32) não se fala em abandono da fé, mas no modo como a fé é vivida por aqueles que dizem acreditar em Deus.
A parábola dos dois irmãos parece apresentar uma confrontação. Ao pedido do pai, um filho diz “sim”, mas não vai. O outro diz “não”, mas, depois, atende ao pai. O significado deste texto é óbvio, não admite controvérsia e não esconde nenhum segredo.
No mundo da religião e das relações do homem com o divino e transcendental, uns dizem conhecer a Deus, Sua Palavra, proclamam cumprir todas as regras de pureza, os rituais, as orações, nenhum preceito ficando por fazer; com fiéis tão corretos, Deus não teria nada a reclamar. São justos diante de Deus e, por isso, não precisam de conversão nem de qualquer tipo de mudança no seu estilo de vida. Pessoas assim são representadas pelo filho que fala “sim” ao pai, mas não cumpre o prometido, cuja palavra não tem valor.
Jesus já havia dito que quando alguém se crê muito justo e se põe em pé de igualdade com Deus, mostra-se na verdade como o verdadeiro pecador que, pela sua arrogância, não encontra diante de Deus justificação ou perdão, como lemos na parábola do pecador e do publicano. Este, como o personagem acima, é cumpridor dos ritos e das formas externas da religião, mas não passa disso.
Há também aqueles que nem sempre cumprem todos os ritos e preceitos religiosos, não rezam constantemente, vivem uma vida quase sem Deus, porque não conhecem ainda a Deus. Mas quando têm a chance de conhecê-lo e se deixam conduzir a Ele e chegam a Jesus, não O deixam mais. Estes estão na figura do filho que disse “não”, mas, voltando atrás, atendeu a vontade do pai.
Descobrimos então que Deus não está interessado em belas palavras, cheias de promessas que nunca serão cumpridas, que valem pouco na boca de quem as profere. Por isso o dito de Jesus: “Nem todo aquele que me diz “Senhor, Senhor” entrará no Reino dos Céus, mas sim aquele que pratica a vontade de meu Pai que está nos céus” (Mt 7,21).
Fazer a vontade de Deus é estar disposto a sofrer por ela, pois a fé proclamada diante dos outros na Igreja, por exemplo, não pode ficar presa ao ambiente do louvor dominical, mas deve ser vivida durante todos os dias da semana, em casa, no trabalho, na rua. Não é um bom testemunho da fé não estendê-la ao cotidiano; é incoerente professar uma coisa e fazer outra, compactuando com as conveniências propostas pela sociedade atéia e sem Deus.
Fazer a vontade de Deus é pautar a vida toda pela Palavra de Deus, deixando que ela ilumine todos os atos, os pensamentos, o trabalho, a família, a relação com as pessoas, sobretudo aquelas que Deus colocou aos nossos cuidados.
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